sexta-feira, 12 de abril de 2013

Origens da Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro

A história dessa antiga paróquia se confunde com o bairro que a abriga e também com parte da biografia do Dr. Cláudio Gurgel do Amaral (1654-1715). Para que haja um bom entendimento, já que tudo tá tão entrelaçado, se faz necessário voltar ao princípio e contar tudo em partes, para que então, quem lê se situe no tempo e no espaço.
Essa publicação pode ficar parecendo um verdadeiro Frankestein, um monstro pertencente a um romance homônimo de estilo gótico escrito pela britânica Mary Wollstonecraft Shelley (1797-1851). Mas minha intenção não é essa. Começo de fato esse texto com uma pergunta ao estilo de uma sabatina.
Onde fica essa antiga e histórica paróquia?  
R= No morro da Glória, São Vicente do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil __________________________________________________________________________
O morro da Glória ao longo dos séculos teve diversos nomes. A princípio era conhecido como Morro de Lerype. Esse nome nada mais é que uma corruptela de Jean de Léry (1536-1613), um navegador e historiador francês pertencente a expedição da França Antártica.  
Segundo este artigo do blog Jornal do Brasil (http://bit.ly/14hGwvJ) o grupo do qual Lery fazia parte, e o de Nicolas Durand de Villegagnon, chefe dos colonos tinham constantes desentendimentos, e o grupo desse último, os forçou o outro gruo a deixar o forte na pequena ilha. Então o grupo de Léry se instalou num lugar chamado "La Briqueterie", enquanto aguardavam transporte para retornar ao Velho Mundo.  
Enquanto esperava o 'resgaste', Léry morou em uma casa de pedra e cal no sopé desse morro, que anteriormente (1556) era uma olaria construída a mando de Villegagnon, isso quem nos conta é Alexandre José de Mello Moraes em Chronica Geral e Minuciosa do Império do Brasil (http://bit.ly/110qRuT).  
Os franceses foram expulsos, mas o nome ficou até que foi mudado, quando se tornou propriedade da viúva Joaquina Figueiredo Pereira de Barros, por herança do marido Joaquim José Gomes de Barros. Antes, pertencera à Marquesa de Paraná, mulher de Honório Hermeto Carneiro Leão, que por sua vez foi Ministro da Justiça aos 31 anos de idade (http://bit.ly/YQvOrN). 
Mas, esse morro é mais conhecido mesmo por abrigar uma paróquia de uma santa, de quem tomou o nome (o bairro seguiu o exemplo). 
Retomando o contexto da paróquia, suas origens são um tanto desconhecidas, mas são atribuídas a um certo Ayres que colocou uma imagem da Virgem Maria numa gruta natural deste morro. Mas as origens históricas remontam a 1671, quando o ermitão Antonio Caminha, natural da cidade portuguesa Aveiro, esculpiu a imagem da santa em madeira e ergueu uma pequena ermida no "Morro do Leripe", onde já existia a gruta, formando-se em torno um círculo de devotos, conforme o site Outeiro da Glória (http://bit.ly/10V5MD7). 
O antigo morro de Lerype (hoje outeiro da Glória), no qual Antônio Caminha fundara a ermida dessa invocação, pertenceu à sesmaria de Julião Rangel de Macedo (1544-1589), cujos herdeiros o venderam à família Rocha Freire. O último possuidor, Gabriel da Rocha Freire, por sua vez o vendeu ao Dr. Cláudio Grugel do Amaral (ás vezes seu sobrenome era grafado dessa forma). 
Por escritura pública em 20 de Junho de 1609, este último fez doação à Irmandade de Nossa Senhora da Glória para que nele "edificar-se uma ermida, que fôsse permanente e não sendo assim ficaria revogada a doação, e com a condição de que na referida ermida lhe dariam sepultura a êle doador e a todos os seus descendentes e a quem lhes parecesse." (Esse texto é bem conhecido e se faz presente na escritura da doação). Para patrimônio da santa, Cláudio fez também doação de terras, no sopé do morro, as quais ele, por escritura de 18 de Fevereiro de 1687, comprara de Manuel Lopes Carrilho, filho de João Lopes. 
Terras essas que consistiam em 100 braças, na praia da Carioca, da chácara denominada Oriente, partindo do lado direito com terras da Carioca de acordo com o site Rememoarte (http://bit.ly/YvMAgH).
Termino aqui mais esta narração, pois minha pretensão era apenas chegar ao ponto em que tudo converge em um conjunto, conforme o filme de 2012, Três Histórias, Um Destino dirigido pelo diretor Robert C. Treveiler, baseado no best-seller de mesmo nome do missionário brasileiro R. R. Soares.
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Esta jóia da arquitetura colonial brasileira é um dos mais característicos monumentos da Cidade Maravilhosa. Dada a sua localização elevada é facilmente visível do Aterro do Flamengo e arredores. Para mais informações arquitetônicas, recomendo leitura no blog Azulejos Antigos no Rio de Janeiro (http://bit.ly/1zb7naC).
Ficou curioso? Confira a localização pelo Google Maps: http://bit.ly/1Jlc4oV.


A planta da Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro é formada por dois octógonos. Para saber mais detalhes, acesse o blog Coisas das Arquitetura (http://bit.ly/14DrpYJ).

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