quinta-feira, 11 de abril de 2013

Cláudio Gurgel do Amaral = Doutor = Espadachim = Sacerdote

Segundo minhas pesquisas, Cláudio é o oitavo filho (e também o caçula) do Capitão João Batista de Jordão e Ângela Gurgel do Amaral. Nasceu em 1654 na capital carioca, sua biografia se confunde com a crônica desta cidade.
Pouco de sabe da infância de Cláudio, tudo que o menciona está disperso em vários documentos históricos, catando aqui e acolá, tais registros o apresentam como doutor, homem maduro, casado e com filhos.
Segundo algumas repartições é possível reconstituir parte da sua trajetória:
  • Durante o período de 1º de Março de 1682 a 1º Agosto de 1683, assentou praça de soldado na Companhia do Capitão D. Gabriel Garcez Gralha.
  • Terminando esse tempo, quando então passou para a Companhia do Capitão Francisco Munhoz Corrêa até 30 de Setembro de 1687.
  • Depois disso foi nomeado sucessivamente como Procurador da Fazenda e da Coroa pelos Governadores da Capitania Real do Rio de Janeiro, Pedro Gomes Duarte Teixeira Chaves e João Furtado de Mendonça. Ficando subtendido que já era formado em leis.
  • Tempos depois, o Governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, Sebastião de Castro Caldas, o nomeou Provedor da Fazenda Real, acumulando tal ofício com os cargos de Juiz da Alfândega e Contador dela, nos quais esteve "procedendo sempre com zêlo e desintêsse." (Códice LXXVII, Vol. 18, fls. 47 - Arquivo Nacional).
  • Isso, sem contar com os cargos de Vereador e Escrivão da Câmara, "por suas letras e merecimento (...) sem dêles haver qualquer espécie de pecúnia." (Códice LXXVII, Vol. 20, fls. 3v - Arquivo Nacional).
Até aqui vos foi apresentado, o Doutor Cláudio.
Mas, isso não é tudo que a história nos conta. Cláudio era tão famoso, não só pela sua riqueza e posição, ou ainda pela proteção que recebia do Governador Sebastião Caldas. Também o era pela sua coragem!
Em 1695, aportaram na cidade cinco navios franceses, sendo que três deles entraram no porto, então ele (Cláudio) "preveniu-se mandando agregar as principais pessoas ás Companhias das Guarnições e Ordenanças", "tendo sido Cláudio designado para cada uma delas" onde "assistiu por decurso de um mês, à tomada de mantimentos para os ditos navios com todo o cuidado e desvêlo." (Códice LXXVII, Vol. 20, fls. 116 - Arquivo Nacional). 
Por tais coisas, foi nomeado "Cabo de uma Patrulha de Defesa da Praia de Santa Luzia, lugar dos mais arriscados e perigosos, para observar o que lhe encarregava, com reconhecida resolução e pontualidade, dando dêste modo exemplo aos que o seguiam." (Códice LXXVII, Vol. 20, fls. 123 - Arquivo Nacional).
E foi durante o exercício desse complicado ofício que, "em vindo um dos capitães dos navios franceses com lanchas e gente armada para tirar dois de seus patrícios da cadeia da cidade, foi dos primeiros que, com grande valor e destemido ânimo, se pôs em defesa contra a audácia do inimigo." (Códice LXXVII, Vol. 21, fls. 5 - Arquivo Nacional). 
Alguns dias se passam, estando ainda nesta missão e demonstrando mais uma vez, "sua valentia e aptidão militar e de disciplina, sendo tão bom soldado no meter guardas, fazer rondas e sentinela com sua pessoa e escravos." Isso nos relata Vieira Fazenda.
Este ainda não é de todo o Cláudio, isso é apenas o espadachim (na verdade mais uma parte relatada de um traço da sua personalidade). 
Além de contribuir com dinheiro e materiais para fortificações e quartéis (o Forte Carioca, colocado no sopé do atual Morro da Glória foi construído inteiramente a sua custa), ele também era muito religioso.
Cláudio era tão rico que os governadores e os próprios reis portugueses aceitavam-lhe os serviços sem lhe pagar nada, isso é confirmado pela seguinte passagem: "nas comissões e cargos que exerceu não vencia sôldo algum da Fazenda Real mas em trôco gozava de tôdas as honras, privilégios e isenções e liberdades e franquinas." (Códice LXXVII, Vol. 17, fls. 169/171 - Arquivo Nacional).
Viera Fazenda comenta que, "Cláudio exerceu, com zêlo e a solicitude que empregava em tudo em que empreendia, na Ordem Terceira da Penitência, como Ministro durante os anos de 1701 a 1703 e na Irmandade da Misericórdia, para onde entrou em 30 de Março de 1683, foi Mordomo dos Presos, Escrivão e Provedor nos anos compromissais de 1703, 1704 e 1705." E ainda "ressalta o alargamento da velha igreja  da Santa Casa, inutilizando, mediante licença da Câmara, um bêco sem saída que existia ao lado direito do templo. Mas a sua maior demonstração de fé foi quando tomou ordens (tornando-se padre), depois de ficar viúvo.
Cláudio veio a falecer em 19/04/1715, depois de ficar gravemente ferido por conta de uma surra que pegou três dias antes, tendo que ser levado à Santa Casa da Misericórdia (da qual era patrono).
Foi relatada aqui de forma "resumida" parte da vida do Dr. Cláudio Gurgel do Amaral. Pois há episódios de sua vida que merecem ser esclarecimentos de forma detalhada.

Baseado em pesquisas e na obra de Heitor Gurgel, autor de Uma Família Carioca do Século XVI.

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