terça-feira, 9 de abril de 2013

História do Brasão de Armas das Famílias Figueira e Figueiredo

Algumas origens de famílias são cercadas por belas lendas, relatos esses que podem ser cercados de muitas verdades em meio a fantasias. Comparo isso aquele velho provérbio brasileiro: 'quem conta um conto, aumenta um ponto'.
Mas nos informam os historiadores que certas lendas são de fato históricas. Esse é o caso da lenda chamada Figueiredo das Donas, que deu nome a uma freguesia portuguesa.
  • União de Freguesias de Fataunços e Figueiredo das Donas, que integra o conselho de Vouzela, que pertence ao distrito de Viseu, situado na sub-região Dão-Lafões, que faz parte da região Centro de Portugal.
Maugerato d'Asturies (?-789), filho ilegítimo do Rey Alfonso I d'Asturies com a escrava moura Sisalda, pretendia tornar-se rei. Seu cunhado Silo d'Asturies (?-783) morreu deixando um filho, que foi eleito rei pela nobreza asturiana. Para impedir a coroação de seu sobrinho Addelgaster, Maugerato conseguiu tomar o trono ao pedir auxílio as tropas do Kalifa de Córdiva, Abd-el-Raman (عبد الرحمن). Mediante o vergonhoso tributo anual de 100 donzelas lusitanas para satisfazer os haréns mouriscos.
Em 784, Orélia e mais cinco companheiras foram escolhidas para o tributo daquele ano. Contam os linhagistas (antiga denominação para genealogista) que desesperada, a donzela recorre ao seu namorado, um nobre cavaleiro lusitano de sangue godo, D. Guesto Ansur.
Iam elas passando pela região desta freguesia, acompanhadas e guardadas por 20 mouros e 40 asturianos, todos de cavalaria, além dos guardas de pé. Quando então foram todos surpreendidos pela escolta de uns trinta homens de Lafões (região portuguesa) reunidos as pressas por D. Guesto ao saber da desgraça. A sua ira era tamanha (pelo fato de ser cristão), que ele e seus combatentes mataram quase todos, para que as donzelas pudessem ser libertas. Tudo ocorreu nas proximidades de um figueiredo (ou figueiral).
Mas segundo os dois primeiros versos («No figueyrol de figueyredo – A no figueyrol entrei.») de uma antiga poesia que relata tais feitos, a trama aconteceu de outra forma. D. Guesto no furor da batalha teve sua espada quebrada, e para que pudesse continuar a derramar sangue, acabou por entroncar um grosso ramo d'uma figueira (Ficus carica), continuando ele a esmagar seus inimigos. 
Por esta façanha, D. Bermudo I d'Asturies (descende de Alfonso I), ao se tornar rei, deu em 789, a D. Guesto Ansur, o apelido de Figueiredo (outros ditem, Figueiras) e por armas um ramo de figueira. Depois, na reforma dos brasões, em lugar do ramo, foram 5 folhas de figueira, que ainda hoje são as armas dos Figueiras e Figueiredos.
O mesmo rei determinou que o lugar da peleja se chamasse dali em diante, Figueiredo das Donas. Portanto são estes sobrenomes patronímicos.

P.S.: Este infamante tributo só durou 6 anos, porque, tendo morrido o usurpador Mauregato, em 789, e subindo ao trono D. Bermudo (ou Vermudo) I d'Asturies, só nesse ano foi "quitado" o tributo, porque atacando as tropas do kalifa Abd-el-Raman, junto de Aledo (cidade espanhola), as derrotou, e livrou as raparigas de seu reino de tão humilhante tributo.
Esta é a história da Freguesia de Figueiredo das Donas e do brasão de armas destas famílias.
  • Vila de Aledo, pertencente a comarca de Bajo Guadaletín, situado na província que é simultaneamente a Comunidade Autônoma de Múrcia;

Baseado em pesquisas e no Portal Lendarium (Arquivo Português de Lendas) do Centro de Estudos Ataíde Oliveira (http://bit.ly/12v9ALo).
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Brasão d'Armas: de vermelho com cinco folhas de figueira verde, nervadas e perfiladas de ouro, em sautor. Timbre: dois braços de leão de vermelho, passados em aspa, e cada um com uma folha de figueira de verde nas garras; Ou um braço de azul vestido, com uma ramo de figueira de ouro na mão, folhado de cinco peças de verde;

Fonte: Armorial Lusitano, pág. 211. 

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