quinta-feira, 2 de maio de 2013

Primórdios de São Sebastião do Rio de Janeiro

Foi durante o reinado de Henri II de France que nasceu a idéia da França Antártica (...), o chefe do Partido Calvinista, o 1º Comte de Coligny, Gaspard II pretendia dar um lar para o seus correligionários, para que esses pudessem prosperar e viver em paz, longe das perseguições que sofriam no país.
O conde sugeriu ao rei que Nicolas Duran de Villegaignon, Cavaleiro de Malta e Vice-Almirante da Bretagne fundasse uma colônia em terras brasileiras, na Baía de Guanabara. Vale ressaltar que na época, os portugueses pouco pareciam se importar com o recém-descoberto Brazil.
O Rei D. João III de Portugal, ficou sabendo de tais pretensões, para proteger este pedaço de seu império, pediu que o 1º Governador-Geral do Brasil, D. Duarte da Costa que tratasse desse assunto, porém este não dispunha de recursos para expulsar os franceses.
O monarca português pouco tempo depois morria, deixando apenas um herdeiro, seu neto D. Sebastião I de Portugal que possuía apenas três anos, quatro meses, e vinte e dois dias de idade. Sua avó, Dª. Catarina d'Aústria ficou na regência, até que o infante pudesse governar. E assim ficava o Brasil esquecido durante algum tempo.
Anos depois, Dª. Katharina von Habsburg era pressionada pelo Governador-Geral do Brasil da época, Mem de Sá e pelo Conselho Ultramarino a tratar de tais acontecimentos em terras longínquas. Somente assim, Dª. Catarina enviou uma armada para que se combatesse os invasores e "castigasse os índios de tal maneira que servisse de exemplo a outros, cujos intentos se dirigissem a levantar contra os portuguêses", os índios desta passagem são aliados dos franceses: os tamoios que não eram escravizados e nem obrigados a trabalhar, de acordo com História do Brasil de Pombo Rocha (http://bit.ly/1BAS62d).
Somente em 1560, três anos depois, saía da Bahia uma armada de oito a nove navios que se juntou com outros enviados da Vila de Porto dos Santos com destino a Baía de Guanabara, chegando em 21 de Janeiro do mesmo ano para combater o invasor. Lá chegando encontraram pouca resistência (Villegaignon estava na Europa em busca de gente, víveres e de apetrechos de guerra e de lavoura), apesar de não conseguirem desalojar os calvinistas instalados e nem por fim "as guerras contínuas dos índios do continente que impediam que se povoasse o lugar", conforme Aparência do Rio de Janeiro de Gastão Cruls (não encontrei a obra, mais uma vez espero que tenham mais sorte do que eu).
Em 1564, Mem de Sá, considerando as circunstâncias solicitou à rainha mais homens, naus e armas para vencer o inimigo de uma vez por todas (os franceses voltaram). No fim do mesmo ano, as forças solicitadas da Coroa Portuguesa chegavam, sobre o comando de Estácio de Sá, sobrinho do 3º Governador-Geral do Brasil (Mem de Sá).
No dia 1º de Março de 1565, Estácio de Sá fundava a cidade que viria a ser a segunda mais populosa do país: São Sebastião do Rio de Janeiro. Estácio ergueu uma paliçada defensiva no istmo do Morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar, que posteriormente virou a Fortaleza de São João (que felizmente existe até os dias de hoje, vale ressaltar que boa parte do passado colonial dessa cidade foi "apagado" para todo o sempre).
Gastão Crulz conta que no fim do século XVI, a sede da cidade mudou de lugar. Tal mudança ocorreu a mando de Men de Sá, logo após a vitória sobre os franceses e tamoios na Ilha dos Maracajás (outrora tendo sido chamada de Ilha Paranauã pelos índios Termiminós) . Aos poucos a Vila Velha (como ficou conhecida a primeira sede) foi abandonada, uma vez que todos se mudavam lá para as bandas do Morro do Descanso, posteriormente chamado de Morro do Castelo, pois era mais amplo e de lombada quase plana do quê o Morro Cara de Cão, além de ser o pouso mais procurado pelas naus por possuir o pontal que veio a se chamar Calabouço [não existe mais, uma vez que virou o futuro Aeroporto Santos Dumont (SDU) com os restos do desmonte do Morro do Castelo].
Pouco tempo depois da morte do fundador da cidade, "começaram a surgir baluartes e fortes bem artilhados, a igreja dos padres da Companhia de Jesus, a Casa do Conselho de Vereança, já assobradada, cadeia, armazém da Fazenda Real e as primeiras casas de moradia" (tais construções já não existem, foram destruídas no ano de 1921, em nome do que chamam de 'progresso').
Men de Sá deu esse nome a cidade (São Sebastião do Rio de Janeiro) por três motivos:
  1. Homenagem ao rei de Portugal;
  2. Vitória final sobre os franceses que ocorreu na tarde do dia 20 de Janeiro de 1567, dia do santo;
  3. Estava "cumprindo o voto feito pelo Capitão-Mór Estácio de Sá" (Monsenhor Pizzarro);
O Governador-Geral Mem de Sá voltava para Salvador da Bahia de Todos os Santos (capital do Brasil naqueles tempos), deixando em 1569, o governo da nova cidade com outro sobrinho, Salvador Corrêa de Sá e de nomear gente de confiança para ocupar cargos diversos da administração da cidade.

Baseado em pesquisas na enciclopédia colaborativa online Wikipédia e na obra de Heitor Gurgel, autor de Uma Família do Século XVI. 

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