domingo, 10 de setembro de 2017

Interpretando as entrelinhas do Capitão Diogo Cardoso de Mesquita

Diogo de Cardoso Mesquita se casou com Ana do Amaral Gurgel Fonseca (1636-1703), filha do Capitão Diogo Fonseca (1604-1686) e de Maria do Amaral Gurgel (1607-1671).
Antônio Carlos Jucá de Sampaio, em A produção política da economia: formas não-mercantis de acumulação e transmissão de Riqueza numa sociedade colonial (Rio de Janeiro, 1650-1750) disponível aqui (http://bit.ly/2xUQQKn), explica que durante o século XVII era relativamente comum dar "partidos de cana" como dote de casamento, e que na sociedade fluminense desse período houveram nove casos noticiados (13,6%). Dentre, eles o de Diogo Fonseca para o seu futuro genro, o Sargento-Mór Diogo Cardoso de Mesquita em 1662.
Naquela época, era incomum os dotadores oferecerem um engenho (inteiro) para o novo casal. Seja o dote um engenho, "partidos de cana", imóveis (casas e terrenos), etc. Antropologicamente escrevendo (me corrijam se estiver errado), o dote era uma forma de estruturar o novo casal. E esse século (XVII) em relação ao anterior, já não era mais tão comum oferecer dotes relacionados a produção, tendo em vista que ocorria a mercantilização, e que não necessariamente, isso era "um declínio da ascendência da família da noiva sobre as atividades produtivas do noivo" (Muriel Nazzari).
A nomeação de militares na América portuguesa: Tendências de Império negociado (http://bit.ly/2jha9ve), de Miguel Dantas da Cruz fornece mais informações sobre Diogo:
  • Até 1625, prestou serviços militares em lugares da África;
  • No mesmo ano, prestou serviços militares na Bahia, Brasil;
  • De 1640 até algum período futuro indeterminado, prestou serviços militares no Ceuta (Sebta / سبت ) e Mazagão (atual El Jadida / الجديدة)
  • Era Capitão da Fortaleza de Santa Cruz da Barra do Rio de Janeiro;
  • Foi agraciado com o título de cavaleiro da Ordem de São Bento de Aviz;
  • E que nasceu no Reino de Portugal e dos Algarves;
Considerando os Arquivos do Histórico Ultramarino de Lisboa (http://bit.ly/2xfmCop):
  • Diogo foi nomeado capitão da referida fortaleza acima mencionada em 17/05/1663, pelo Governador-Geral do Brasil, Francisco Barreto de Meneses;
  • Em 20/04/1656, Diogo foi armado como cavaleiro da Ordem de São Bento de Aviz;
Em algum momento antes de 1688, o Capitão Diogo Cardoso de Mesquita, já era falecido. Tendo em vista que, Ana (já era viúva) junto com o Frei Manoel dos Anjos (da Fonseca) Nóbrega (irmão dela): venderam uma morada de casas e casinhas na Rua Cônego Amaro Ribeiro, bairro da Misericórdia para Manoel Gonçalves por 260$000 réis. As casas ficavam ao lado do imóvel do Capitão Gonçalo Teixeira Tibau. E as casinhas pequenas ficavam ao lado do imóvel do Coronel Francisco de Moura Fogaça. Ana herdou as casinhas do seu irmão, o Padre Francisco Álvares da Fonseca e também do seu pai, o Capitão Diogo da Fonseca, conforme Abreu (http://bit.ly/2jgGcvn).

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Interpretando as entrelinhas de Claude Antoine Bensaçon

Embora Claude Antoine Bensaçon, não tenha tido geração nenhuma do seu primeiro casamento com Isabel do Amaral Gurgel, filha de Toussaint Gurgel e de Domingas do Arão Amaral.
Até que há certo conteúdo pra especular partes de sua vida, juntando pedaços encontrados aqui e ali nos mares virtuais.
Claude nasceu em 1604 lá em Bensaçon, Bourgogne-Franche-Comté, France. Considerando que o seu sobrenome é esse, muito provavelmente nasceu nessa cidade, portanto, seu sobrenome é topomímico.
Foi filho do casal Claude ou Antoine Bensaçon e de Jeanne de Sollier. O nome de seu pai é mera especulação pessoal (eu aposto na segunda opção por ser mais popular e comum), considerando que seu nome era composto, e que naqueles tempos o nome dos filhos, ás vezes remetiam ao de antepassados diretos (pais, avos...) e até mesmo parentes (tios, tios-avos, primos...)
Enviuvando de Isabel em 1654, Claude contraiu novas núpcias com Maria Carvalha (1650-1702), que por sua vez após o falecimento de Claude, foi casada em 1678 com o português natural de Lamego, o Capitão Pedro Fernandes Amado em (1648-1702), filho de Paulo Fernandes e Isabel Amado. Tais informações estão de acordo com o portal Geneall (http://bit.ly/2j1Ff9M). O casal não teve descendência.
O que esse francês fazia aqui no Brasil? Mafalda Soares da Cunha no capítulo 6 do Volume 1 da Coleção Brasil Colonial (http://bit.ly/2gEctI8), na página 299... Comenta que foram concedidas sesmarias a franceses que se desligaram do projeto de Nicolas Durand de Villegagnon, a França Antártica pois eram mão de obra especializada nas artes mecânicas de origem alemã, francesa e flamenca (metalurgia, mineração e farmácia por exemplo).
Eu discordo dela em afirmar isso sobre Claude, devido ainda não ser nascido quando ocorreu essa tentativa de colonização francesa... Já seu pai Antoine Bensaçon faria bem mais sentido, não?
Vale mencionar, que assim como na Roanoke Colony misteriosamente desaparecida em terras estadunienses, não eram apenas homens que vinham para terras brasileiras, mulheres, crianças também, em síntese, famílias que queriam tentar uma vida melhor longe da complicada Europa daqueles tempos.
De quem eram as terras que Capitão Pedro Fernandes Amado doou em 1718 a Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro? Essas respostas estão no site do falecido geógrafo Maurício de Almeida Abreu que possui uma série de arquivos denominada como Banco de Dados da Estrutura Fundiária do Recôncavo da Guanabara (http://bit.ly/2vJPeqp). Pedro as herdou de sua mulher, Maria Carvalha que por sua vez as herdou do seu primeiro marido, Claude, que as tinha comprado em 1652 do General Salvador Correia de Sá e Benevides.
De acordo com um artigo de Abreu, Um quebra-cabeça (quase) resolvido: os engenhos da Capitania do Rio de Janeiro - Séculos XVI e XVIII, estudo do geógrafo acima citado (http://bit.ly/2eJdxxc). Claude juntou essa compra com outra feita anos depois: adquiriu sobejos de terras na testada do rio de Maragoí lá pela vizinhança do Engenho São Bento em Mutuá, de Dona Catarina Antunes, viúva de Bartolomeu Ferreira de Morais.

domingo, 11 de maio de 2014

Origem do sobrenome Oliveira

Oliveira é um sobrenome de origem toponímica por está relacionado ao Paço de Oliveira na Freguesia de Santa Maria de Oliveira, que integra o concelho de Arcos de Valdevez, que pertence ao distrito de Viana do Castelo, situado na sub-região Minho-Lima, que faz parte da região Norte de Portugal.
A pessoa mais antiga que se tem conhecimento a utilizar esse sobrenome era o Pedro de Oliveira, casado com Elvira Anes Pestana, filha de João Pestana. Pedro teve de Elvira:
1. O arcebispo de Braga, D. Martim Pires de Oliveira (?-1313) instituiu em 1306, um morgado para o seu irmão Pedro Pires de Oliveira nas terras que havia herdado do seu pai.
2. Pedro Pires de Oliveira, foi o criador e administrador do morgado de Sobrado (também conhecido como Vale dos Sobrados). Pedro nomeou D. Rodrigo, bispo de Lamego (filho de D. Martim Pires de Oliveira) como herdeiro do morgado. D. Rodrigo se casou com Dª. Mór Mendes e dela teve prole.
O morgado de Sobrado foi absorvido pelo de Oliveira posteriormente.
3. Mem Pires de Oliveira se casou com Guiomar Martins, filha de Martim Pires Podentes e Dª. Teresa Martins.
4. Dª Usenda de Oliveira ,foi casada com Afonso Anes de Brito, clérigo de Évora;
5. Maria Pires, foi casada com Lourenço Pires de Soalhães.
6. João Pires.
7. Teresa Pires.

A família Oliveira é tida como uma família de origem judia, no entanto, os Oliveiras nobres (talvez os acima descritos) descendam da antiquíssima família Oliva romana.
Vale mencionar que algumas famílias Oliveiras talvez não tenham nenhuma relação genealógica com a acima comentada, tendo em vista que outras podem ter adotado o nome por serem produtoras de azeite (óleo vegetal derivado das azeitonas, fruto das oliveiras muito apreciado na Europa) ou simplesmente que viviam perto de um olival (conjunto arbóreo de oliveiras).
Não esquecendo dos casos de judeus que adotaram o sobrenome.

Baseado em pesquisas na enciclopédia colaborativa online Wikipédia + site Origem do Sobrenome (http://bit.ly/2BqKuoU) + site Dicionário de Nomes Próprios (http://bit.ly/2zHRYqj)

sábado, 10 de maio de 2014

Brasão de Armas da Família Oliveira




Escudo d'Armas: de vermelho, com uma oliveira de verde, perfilada e frutada de ouro, arrancada de prata. Timbre: A oliveira do escudo.
REGISTRADAS NO LIVRO DO ARMEIRO-MÓR EM PORTUGAL, CARTÓRIO DA NOBREZA, À FL. 128-r.
Fonte: http://bit.ly/2ipUWp1

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Brasão de Armas e a Origem da Família Sousa / Souza

A origem dessa família na Península Ibérica, remonta ao tempo dos reis godos.
D. Gomes Echigues (1010-1102), era governador das comarcas de Entre-Douro-e-Minho, senhor de Felgueiras, perto do mosteiro de Pombeiro (o qual fundou e onde jaz).
D. Gomes governava tais terras por ter derrotado com uma lança o Rey de Castilla, D. Sancho. E por tal motivo, D. Fernando o nomeou para governar tais terras.
D. Gomes comprou esse senhorio de Paio Moniz em 1040 pelo preço de dois bons cavalos. Teve da viúva Dª Gontrode Moniz, filha D. Múnio Fernandes de Touro, que por sua vez era filho do Rey de Castilla, D. Fernando e de Dª Ximena (sua cunhada).
Do casal Gomes-Gontrode procede o filho D. Egas Gomes de Sousa, senhor das terras de Sousa, de Novelas e de Felgueiras, além de ter sido governador da mesma comarca que seu pai.
D. Egas se casou com Dª Flâmula Gomes (também conhecida como Dª. Gontinha Gonçalves), filha de D. Gonçalo Trastamires da Maia e Dª Mécia Rodrigues. Dª Flâmula era trineta do Rey de León, D. Ramiro II. As gerações seguintes continuaram a usar o sobrenome.
Dª. Maria Pais Ribeiro, senhora de Sousa é sexta neta do casal Egas-Flâmula. Dª Maria foi casada como D. Afonso Diniz, filho ilegítimo do Rei de Portugal, D. Afonso III com Dª. Maria Pires da Enxarada (dando início aos Sousa, senhores de Arronches).
Dª Inês Lourenço de Valadares era prima coirmã de Dª Maria Pais Ribeiro, portanto, também era sexta neta do casal Egas-Flâmula. Dª Inês foi casada com D. Martim Afonso, chamado de Chichorro. D. Martim era outro filho ilegítimo do Rei de Portugal, D. Afonso III, logo, dessa vez com Ouroana (também conhecida como Madragana Ben Aloandro ou Mor Afonso, filha Aloandro Ben Bakr), logo era meio-irmão de D. Afonso Diniz. Dessa união surgiu o ramo dos Sousa Chichorros ou Sousas do Prado.

O famoso João Rodrigues de Sá fez versos para essa linhagem:
De duas armas reaes / com quynas. E com lyoens / Souzas fazem quarteyroens, / por serem fylhos carnaes, / de doys reys por soçesoens. / Duum que tem tal valor / que foy par demperador, / doutro em Portugal seu par, / o prymeyro no reynar / prymeyro conquistador.

O senhorio de Sousa tinha essa denominação por se situar perto do Rio Sousa, o nome desse curso d'água deriva da  palavra latina saza / saxa cujo significado é seixo, alguns historiadores acham mais provável que derive de saucia, cujo significado em latim é pedra, pois não haveria problemas de derivação fonética.
Sousa ainda pode estar relacionado a uma espécie de pombo selvagem e agressivo, típico da região Ibérica que era denominado como "sausa" no século XI.

D. Gomes Echigues é quarto neto do casal, D. Sueiro Bafalguer e Dª. Munia (ou Menaya) Ribeiro, descendente dos condes de Coimbra, e por varonia, ela descendia de Sizebuto, filho de Witissa, penúltimo rei godo. D. Sueiro era filho de D. Fayão Theodo (que por sua vez era bisneto de Flavio Egica, Rey da Hispania) e de Sona Soeira, filha de D. Soeiro, príncipe godo.
D. Gomes passou a usar quatro luas crescentes (cardenas) por ter derrotado o Rei de Túnis em Beja (que utilizava tais armas na sua bandeira).
Vale mencionar que originalmente a grafia era com "z", a versão com "s" surgiu com o passar de poucos séculos (em relação ao surgimento). Optei por divulgar apenas o brasão original.

Baseado em pesquisas na enciclopédia colaborativa online Wikipédia + blog Histórico Brasão de Famílias (http://bit.ly/2AA28t4) + blog Famílias do Brasil (http://bit.ly/2AcAe38) + site Carlos Vilmar (http://bit.ly/2iPOvvi) + Dicionários de Nomes Próprios (http://bit.ly/2AcT3Ds).



Escudo d'Armas dos Sousa / Souza: de vermelho, com uma caderna de crescentes de prata.
Armorial Lusitano: pág. 511.

domingo, 27 de abril de 2014

Brasão de Armas e a Origem do sobrenome Martins

A origem desse sobrenome é patronímica por derivar do nome Martinho/Martino, ou até mesmo da sua forma abreviada Martim.
Martinho deriva da versão espanhola Martinez.
Tal nome deriva da versão latina Marticini ou Martinus, que significa guerreio ou aquele inclinado a guerra. Que se assemelha ao nome do deus romano, Marte (Mārs), que por sua deriva da versão grega, Ares (Ἄρης).

Diogo Martins, cavaleiro-fidalgo da Casa do Rei D. Sebastião de Portugal, recebeu um brasão de armas em 18/05/1560 pelos serviços prestados a esse monarca e também ao avô dele (Rei D. João III de Portugal).
Os Martins que não descendem dessa linhagem geralmente usam uma versão parecida com tal brasão (que irei divulgar aqui).

Baseado em pesquisas no site Origem do Sobrenome (http://bit.ly/2k3arXv) + pesquisas na enciclopédia online Wikipédia.


Brasão de Armas dos Martins: cortado, o primeiro de negro, com duas palas de ouro; o segundo de ouro, com três flores-de-lis de vermelho postas 2 e 1 ou 1 e 2. Timbre: uma flor-de-lis do escudo.
Fonte: Armorial Lusitano, pág. 347.

sábado, 12 de abril de 2014

Brasão de Armas e a Origem dos sobrenomes Alves e Álvares

O sobrenome Alves possui origem origem patronímica. Alves possui origem portuguesa, e nada mais é que a abreviação de um outro sobrenome, Álvares, que por sua vez deriva do nome Álvaro.
O nome Álvaro possui origem nórdica significa guerreiro protetor, já que é formado pelas palavras alfr + arr.
Muito provavelmente o nome Alewar chegou na Península Ibérica com a vinda dos visigodos, povo de origem germânica.
Alguns historiadores cogitam que Alves/Álvares deriva de "alvar", uma espécie de carvalho. Se for considerada tal possibilidade, a primeira pessoa a utiliza tal sobrenome viveu perto de um lugar onde havia tal árvore em abundância.
Pessoalmente, acredito mais na primeira possibilidade, no entanto não descarto que algumas famílias podem ter se originado numa localidade com tal espécie.
Por ser patronímico, várias famílias adotaram tal sobrenome por simplesmente terem se originado em um indivíduo com o nome Álvaro, logo, não possuem nenhuma relação genealógica com outras pessoas que o possuem.

Baseado em pesquisas no site Origem do Sobrenome (http://bit.ly/2k34IAZ) + site Dicionário de Nomes Próprios (http://bit.ly/2A6g3G5) + site Mundo Estranho (http://abr.ai/2gokfd9) + enciclopédia colaborativa online Wikipédia.



Escudo d'Armas dos Álvares e Alves: cortado, o primeiro de vermelho, com uma águia estendida de prata de duas cabeças, coroadas de ouro; partido de azul, com uma cruz de ouro cantonada de quatro memórias do mesmo; o segundo de azul, com três faixas onduladas de prata: uma água estendida e coroada de prata.
Fonte: Armorial Lusitano, pág. 49.