quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Um pouco mais sobre o corsário Toussaint Grugel

Ao que tudo indica, Toussaint veio para o Brasil pela primeira vez, após três meses no mar, segundo o primeiro capítulo de Unflashy, Matter-of-Fact Flash Fiction de José Guilherme Correa (http://bit.ly/2x5iMPk).
E ficou assombrado com os costumes da tribo dos Tupinambás, que andavam nus e pintados com tinta preta. Observou que os nativos quase não possuem pêlos no corpo (nem mesmo os homens). Comparou os cocares que os homens usam na cabeça aos chapéus dos frades da ordem de São Francisco. Os cabelos compridos dos nativos mais pareciam perucas. O que mais impressionava eram os lábios com pedras verdes largas e bem polidas incrustadas na boca (muitos nativos usavam apenas no lábio inferior).
E até mesmo o assustador encontro com a tribo dos Goitacazes, que eram canibais. Esse antigo povo ameríndio ao sacrificar: abatia um prisioneiro como se fosse um animal, o cortando em pedaços, para então os cozinhar na frente das demais vítimas para as amedrontar mais ainda. Roíam os ossos até não sobrar carne nenhuma, a única parte que não consumiam era o cérebro. Faziam colares com os dentes. Guardavam os crânios em algo parecido com as lápides de cemitério nos dias de hoje. Fatiavam alguém proporcionalmente a bravura em combate (quanto mais um guerreiro matasse, mais cortes o corpo humano a ser digerido teria para demonstrar o valor do nativo que o fatiaria) e de forma que cada membro da tribo tivesse pelo menos uma fatia para degustar. Eles não eram movidos pela glutonaria e sim pela vingança.
Felizmente, ele (Toussaint) que tinha sido poupado do massacre de la Saint-Barthélemy, escapou também de mais essa situação. Ainda mais ele que muito provavelmente teve uma vida regida pela aventura, ostentando feitos heroicos bem ousados, fazendo esquemas, sempre com o perigo entrelaçado a sua existência.
Até que em 1570 (já tinha 27 anos), vive mais um contratempo ao ter sido capturado pelo Coronel João Pereira de Souza Botafogo (assunto anteriormente comentado), porém caiu nas graças de seu captor, tanto é que anos depois se casa com a afilhada dele (Domingas do Arão Amaral). Ele noivou aos 63 e ela aos 20 anos. Apesar de ter existido uma grande diferença de idade entre o casal, tiveram 7 filhos (incluindo um varão). Vale mencionar que ela se casou tarde para os padrões daquela época (as moçoilas se casavam BEM cedo)... (The passage of time, obra do mesmo autor acima citado, http://bit.ly/2eyTdex). Ou ainda que conforme comentado em momentos passados, Toussaint teve 41 filhos ilegítimos com índias...
Devido ter enriquecido com a pesca de baleias (que naqueles tempos era uma tarefa fácil, por causa da abundância delas pelo litoral brasileiro). Correa sugere que Toussaint pode ter "comprado" todos. Porém, também não descarta que simplesmente sua honestidade, carisma e integridade devem ter o tornado notável naquela época.
Quem sabe essa citação sobre o corsário (pirata) Grugel reforce essa segunda teoria? "(...) por ser pessoa de trato e de cabedal" (Códice LXXVII, Vol. 12 - Arquivo Nacional).
E pela visão de Marcelo Meira Amaral Bogaciovas em A Família Amaral Gurgel (revisão crítica e constribuições genealógicas) (http://bit.ly/2eFapCB), a linhagem de Toussaint (Tuçân pela pronúncia aproximada do seu nome em português antigo) está um pouco fantasiosa na obra de Heitor Gurgel, tendo em vista que o jornalista escreveu um romance histórico, e isso é verdade, o próprio escritor enfatiza isso no prefácio de seu livro que preza por contar os fatos de forma mais suave devido a aridez do assunto (genealogia)... Eu por exemplo, já constatei divergências em sua obra, algumas já compartilhadas por aqui, porém isso não tira o mérito do seu trabalho.

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