sábado, 10 de agosto de 2013

Origem do sobrenome Jordão (e um pouco de genealogia)

Jordão é o nome de um rio que faz a fronteira natural entre dois países do Oriente Médio: Israel (יִשְׂרָאֵל) e a Jordânia (الأردن). Esse rio é muitíssimo importante no meio religioso. Além de ser um sobrenome serfadita!
Jordão nada mais é que a tradução portuguesa do nome hebraico Yarden, que deriva da palavra "yarad", que significa: descer, correr, fluir (Dicionário de Nomes Próprios, http://bit.ly/2ybNCSS).
De acordo com o blog Coisas Judaicas (http://bit.ly/1Wlvz2z), sefardita é denominação para todos os judeus provenientes da Península Ibérica.
Como os judeus foram parar na Europa? Isso aconteceu devido a diáspora (διασπορά, cujo signficado no grego clássico é 'dispersão") no passado.
Uma das diásporas judaicas ocorre quando o então General Titus Flavius Vespasianus Augustus (filho do Imperador Titus Flavius Vespasianus) destruiu o Templo de Jerusalém (בית המקדש) em 70 d.C, esse ato foi o ápice da Primeira Guerra Judaico-Romana. Tal acontecimento fez com que os judeus se espalhassem pelo mundo. O Norte da África foi uma das regiões para onde os judeus migraram em massa, os que se deslocaram para essa região passaram a ser conhecidos como sefardins. Posteriormente migraram para a Península Ibérica, onde passaram a ser conhecidos como sefarditas. Esse conflito resultou em:
  • Aproximadamente 1.100.000 mortos (considerando os militantes e a população civil);
Outra diáspora ocorreu durante o governo do Imperador Publius Aelius Trajanus Hadrianus, quando este viajou entre 130 e 131 d.C pelo Oriente. O monarca pretendia restaurar Jerusalém conforme os moldes da cultura helenística. O estopim do confronto foi o plano de construir um templo dedicado ao deus pagão romano Júpiter (Iuppiter) no lugar das ruínas do Templo de Jerusalém. O conflito resultou:
  • Na reconstrução da cidade conforme o plano do soberano romano, passando a se chamar Colonia Aelia Capitolina;
  • Na mudança de nome da província romana Judeia (Iudeia) para Síria Palestina (Syria Palaestina);
  • Em 580 mil judeus mortos (população civil) e 985 vilas arrasadas, segundo o historiador romano Lucius Claudius Cassius Dio;
  • Além do fato de os judeus terem sido proibidos por édito imperial de praticar sua religião e costumes e também de entrarem na cidade;
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Aproveitarei para relatar um pouco mais de genealogia, todavia, focarei no filho do casal João-Maria que se casou duas vezes, já mencionado anteriormente.
O Sargento-Mór Manoel Jordão da Silva (?-1703) se casou em primeiras núpcias com Cipriana Martins (1621-?), filha de Antônio Ferreira e Juliana Martins. Tendo ela falecido, se casou em segundas núpcias com Margarida de Lima (1677-?), filha do Capitão Manoel Correa Cabral e Thomazia de Lima. Gerando os seguintes filhos dos dois casamentos:
1. Antônio Jordão da Silva (1644-?);
2. João Jordão da Silva (1647-?);
3. Isabel da Silva Jordão (1655-?) foi casada com Ezequiel Pinheiro da Silva, filho do Capitão Luiz Pinheiro Montarroyo e de Maria Vicosa. Neto paterno de Bartholomeu Pinheiro e neto materno de Antônio Vaz Vicosa e Beatriz da Silva;
4. Maria Martins Jordão (1656-?) foi casada com Antônio da Costa Moreira;

5. Cipriana Martins Jordão (1658-?) foi casada em 1680 com o português Francisco Moreira da Costa, filho de Francisco Moreira da Costa e Ignez Madeira;

6. Onofre Jordão da Silva (1658-?), irmão gêmeo de Cipriana;
7. Leandro Jordão da Silva (1661-?);
8. Bernardo Jordão da Silva (1666-?) se casou em primeiras núpcias em 1693 com Maria de Oliveira, filha de Amaro de Aguiar e Francisca de Almeida. Se casou em segundas núpcias em 1727 com Guiomar da Fonseca, filha de Balthazar Pires Chaves e Maria da Fonseca. Guiomar era viúva de Sebastião Carreiro.
9. Capitão Manoel Jordão da Silva se casou em 1676 com Phelipa de Oliveira Santiago, filha do Capitão Luiz Montarroyo e Catharina Machado;

10. Francisco Jordão da Silva se casou em 1676 com a portuguesa Francisca Valente da Cunha, filha do Capitão Simão Correa e Mariana Pereira de Abreu;
11. Ascença Martins Jordão (1680-?) foi casada com o português Francisco Garcia, filho de Antônio Garcia e Maria Catella;
12. Pedro Martins Jordão se casou em 1699 com Leonor da Costa da Cunha, filha do Capitão Manoel Correa Cabral e Thomazia de Lima;

13. Beatriz Jordão da Silva foi casada em 1680 em primeiras núpcias com Pedro da Silva Vieira (?-1695), irmão de Ezequiel de Pinheiro da Silva. E em 1697 em segundas núpcias com Manoel Vieira de Barros, filho de Domingos Coutinho e Isabel Vieira. Manoel era viúvo de Beatriz de Lemos Vieira.

Filhos do segundo casamento do Sargento-Mór Manoel:

14. Manoel Jordão da Silva se casou com Joana Barreto Pizarro, filha de José Barreto Pizarro e Margarida da Cunha Sampaio.
14.1. Catharina Maria Rosa Jordão da Silva foi casada com o português Lourenço Gonçalves de Sá Falperra, filho de Custódio Gonçalves de Sá e Felícia de Sá;
14.1.1. Maria Angélica Gonçalves de Sá (1750-1808) foi casada em 1772 com seu primo (15.1.6.) Manoel da Silva Nazaré.
14.2. Margarida Gonçaves de Sá;

15. Maria de Assumção de Lima (1701-?) foi casada em 1717 com José de Menezes, filho de Bartholomeu Cabral de Menezes e Jacinta Dias Garcia;
15.1. Josefa de Jesus de Mezeses (1719-?) foi casada em 1734 com o português Francisco da Silva Nazaré (1703-?), filho de Antônio da Silva e Maria Delgado. Neto paterno de Antônio da Silva e Isabel Madeira e neto materno de Antônio Amado e Maria Delgado;
15.1.1. Maria Inácia de Jesus da Silva Nazaré;
15.1.2. Francisco da Silva Nazaré;
15.1.3. Antônio da Silva Nazaré;
15.1.4. José da Silva Nazaré;
15.1.5. Inácio da Silva Nascimento;
15.1.6. Manoel da Silva Nazaré se casou com a sua prima (14.1.1) Maria Angélica em 1772;
15.1.6.1. Joaquim Mariano da Silva (1774-?) se casou em 1793 com Joaquina Maria Rosa da Silva, filha de Vicente Ferreira da Silva e Maria Joaquina da Silva;
15.1.6.1.1. Francisco Manoel da Silva (1795-?) se casou em Mônica Rosa do Sacramento (1799-1833);
15.1.6.1.1.1. Maria Amália da Silva (1831-1910) foi casada em 1853 com Balduíno Muniz Freire (1822-1871), filho de José Feliciano Muniz e Maria Epifânia da Ressureição;
15.1.6.1.1.1.1. Luiz Muniz Freire (1865-1929) se casou em 1891 com Etelvina Soares do Lago (1874-1964), filha de João Maria Lemos do Lago e Ursulina Maria Soares;   

Maurício Prado em Laços de Família Brasil (http://bit.ly/2f8NFrr), acredita que Manoel Jordão da Silva casado com Inácia de Jesus, tenha sido neto do Sargento-Mór Manoel Jordão da Silva (?-1703), devido o nome e os sobrenomes. Para mais detalhes acesse esse link.
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Suposições
Agora que estão bem situados no contexto histórico, irei retomar o assunto de cunho genealógico.
Seria Maria Jordão (1590-?) casada com Antônio Nunes da Silva (1585-?), uma judia descendente dos judeus expulsos ?
Provavelmente sim, isso explica as mudanças constantes de cidades... Vale ressaltar que seus filhos nasceram em locais diferentes e que na época em que ela viveu já ocorria a Inquisição Portuguesa.
Naqueles tempos viúvos deveriam apenas se casar com viúvos?
Teria sido Antônio da Costa Moreira parente de Francisco Moreira da Costa?
Teria sido Phelipa de Oliveira Santiago meia-irmã de Ezequiel Pinheiro da Silva e Pedro da Silva Vieira?
Teria sido o Capitão Simão Correa parente do Capitão Manoel Correa Cabral?
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Os deixo admirando essa fotografia do Rio Jordão (http://bit.ly/2jJw6TJ).
© Milton  G. Moody

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