sábado, 3 de agosto de 2013

Antiga Igreja dos Jesuítas e o antigo Morro do Castello

O grande relógio da sala de jantar bateu quatro horas da tarde, lá na casa dos pais de Domingas. Desde então sua família e convidados partiam para a (extinta) Igreja dos Padres de Jhesus (ou do Bom Jesus dos Perdões). A tradição pede que a noiva seja a última a chegar, assim o fez a donzela.
O Morro do Castelo foi o berço de São Sebastião do Rio de Janeiro, e foi em suas bases que a cidade floresceu. Esse local foi escolhido para reerguer o que viria a ser o embrião de uma futura metrópole, devido os seguintes motivos:
  • Ficar de frente com a Ilha de Seregipe;
  • Possuir uma boa visibilidade de toda a extensão da Baía de Guanabara; 
  • O movimento de entrada e saída de embarcações na entrada da barra; 
  • O local era fresco e havia uma nascente de água potável;
  • Era cercado por lagoas e manguezais, regiões que dificultariam o seu acesso;
A intenção era a de criar uma boa defesa para o caso de uma nova invasão e estar preparado com antecedência para o ataque, se fossem avistados navios de inimigos.
Não havendo mais para onde crescer e não existindo mais perigo, a cidade se expandiu para além do morro entre as planícies dos outros morros (de São Bento, de Santo Antônio e da Conceição).
Existiam histórias pitorescas e muitas especulações sobre a existência de grande quantidade de ouro pertencente aos jesuítas, que estaria escondida em túneis subterrâneos. Talvez este seja um dos motivos que levou indivíduos gananciosos a proporem a demolição do morro.
Desde o reinado de D. João VI de Portugal, já se pensava em demolir o morro por causa da má circulação dos ventos e do impedimento do livre escoamentos das águas, não esquecendo que era uma região habitada por pessoas carentes em plena área central.
Muitos anos se passaram desde quando tal ideia foi concebida na corte real (...) até que em 1921, o Morro do Castelo foi devastado sob ordem do então prefeito do Distrito Federal da época, Carlos Sampaio. A região ficou conhecida como 'Esplanada do Castelo' e lá se foram 184 mil m² de terra para diversas regiões, entre elas, o Aeroporto Santos Dumont.
O morro que já teve os nomes de 'Descanço', Alto da Sé, Alto de São Sebastião, São Januário e depois Morro do Castelo. No seu cume haviam duas igrejas (atualmente demolidas), uma delas tinha na sua porta: a inscrição '1567' (ano de sua construção e da mudança Cara de Cão-Descanço).
Não foi o primeiro desmonte de morro no que chamam 'Cidade Maravilhosa' (...), não é esse o foco desse texto (quem estiver interessado há bastante conteúdo disponível nos mares virtuais).
O que essa gestão passada fez com o antigo Morro do Castello é imperdoável, visto que, uma cidadela quinhentista com ar medieval em pleno Brasil já não existe mais. As autoridades daquela época trataram o berço de uma das primeiras cidades do país como algo descartável, tudo em prol da mentalidade progressista daqueles tempos, um verdadeiro absurdo para os dias atuais. Semanticamente escrevendo foi uma apunhalada ao patrimônio histórico, artístico e cultural da nação brasileira.

Baseado em pesquisas, principalmente: site Diário do Rio (http://bit.ly/2jbw2uf) + o blog Curiosidades Cariocas (http://bit.ly/2iLa2n2) + o blog Viagens ao Rio antigo (http://bit.ly/2jnAP9H) + o blog Histórias e Monumentos (http://bit.ly/2jIoUqg).

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Antiga Igreja dos Padres de Jhesus por volta de 1918. Registro de Augusto Malta.
Caro leitor, o deixo apreciando esse registro fotográfico quase centenário de um pedaço de Rio que não existe mais, e que é possível apenas conhecer pesquisando sobre tal assunto.
Foi nessa igreja que se iniciou a numerosa e antiga família dos Gurgel do Amaral ou Amaral Gurgel (como preferir denominar).

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