sábado, 22 de fevereiro de 2014

Origem do sobrenome Silva

A origem desse sobrenome é toponímica e é antiquíssima. No Império Romano o sobrenome já era usado para se referir a pessoas que viviam perto de bosques, matas e florestas. Vale mencionar que sylva significa selva em latim.
O sobrenome se popularizou na Península Ibérica, pois muitos desses habitantes se refugiaram do império na região (Portugal e Espanha). E isso faz sentido, tendo em vista que há muitas localidades com essa denominação nos dois países ibéricos.

Essa família vem de D. Guterre Pais, senhor de Maia, que por sua vez é pai de D. Pelaio Guterres (1000-?), governador de Alva que se casou com Adosinda Emingues (1010-?), filha de Ermígio Aboazar (980-?) e Vivili Turtezendes (980-?), filha de Turtezendo Galindes.
Ermígio Aboazar era filho de Abu-Nazr Lovesendes (960-?) e de Unisco Godinhez, filha de Godinho das Astúrias. Ermígio foi um nobre do Condado Portucalense e um dos patronos do Mosteiro de Santo Tirso (que fora fundado por seu pai Abu-Nazr).
Abu-Nazr Lovesendes era filho do Rey Ramiro II de León e de Onega. Abu-Nazr era senhor de Maia e governou a região entre o Rio Douro e o Rio Lima.
Por esse motivo o brasão da família Silva possui as armas do antigo Reino de León.

D. Pelaio Guterres foi pai de D. Guterrre Alderete (1040-?), que foi um rico-homem, tendo sido senhor da Torre e Quinta da Silva, situada atualmente próxima da:
  • Freguesia de Cerdal, que integra o conselho de Valença (também conhecida como Valença do Minho), que pertence ao distrito de Viana do Castelo, situado na sub-região Minho-Lima, que faz parte da região Norte de Portugal.
  • Freguesia de Vila Nova de Cerveira e Lovelhe, que integra o conselho de Valença (também conhecida como Valença do Minho), que pertence ao distrito de Viana do Castelo, situado na sub-região Minho-Lima, que faz parte da região Norte de Portugal.
  • União das Freguesias de Valença, Cristelo Covo e Arão, que integra o conselho de Valença (também conhecida como Valença do Minho), que pertence ao distrito de Viana do Castelo, situado na sub-região Minho-Lima, que faz parte da região Norte de Portugal.
Além de ter sido senhor de Oserdão (antiga grafia de Cerdal), de Alderete de Jozam (Alderete de Jusão) e Sozam (Susão). Ficou evidente que usava o nome de uma de suas posses (talvez a mais importante naquele tempo) como um sobrenome.

D. Guterre Alderete era amigo do conde portucalense, D. Henrique de Borgonha. D. Guterre esteve presente quando o Rey de León, D. Fernando I conquistou Coimbra (que estava sob o domínio dos mouros desde 711 e e nesse período se chamava Kulūmriyya).
D. Guterre se casou com Dª. Maria Peres de Ambia /1050-?) e transmitiu o apelido Silva (proveniente da torre que era proprietário) para o seu filho, D. Paio Guterres da Silva (1070-?). Talvez tal solar tenha crescido em importância para isso ter acontecido.

D. Paio Guterres da Silva foi um rico-homem, era adiantado-mór no Condado Portugalense. Foi vigário (vicarius regis) entre 1078 e 1081 no Reino de León, quando D. Alfonso VI reinava. Era também Alcaide do Castelo de Santa Eulália (doado em 1204 para o convento de Santa Cruz de Coimbra pelo Rei D. Afonso I de Portugal) e também do Castelo de Montemor-o-Velho. Além de ser senhor de Alderete, da Torre de Silva e do Porto da Figueira (talvez seja a cidade portuguesa Figueira da Foz). Não esquecendo que fundou os mosteiros de Cucujães, de Tibães, de São Simão da Siqueira, de São Salvador do Souto e de Santo Estevão de Vilela.

D. Paio Guterres da Silva se casou em primeiras núpcias com Dª. Sancha Anes (1080-?), filha de D. João Ramiro, senhor de Montor, neta de Ramiro Frade.
D. Paio Guterres da Silva se casou em segundas núpcias com Dª. Urraca Rabaldes (1075-?), filha de Cristóvão Anes e de Dª Maria Rabaldes.
D. Paio Guterres da Silva teve prole no dois matrimônios, para quem transmitiu o sobrenome Silva.

João Rodrigues de Sá, senhor de Matosinhos, nas suas coplas heráldicas, disse desta linhagem:
Do metal mais eycelente / os que trouxerem lyão / em prata, Sylvas serão, / que oje sacha presente / mais antygua jeração. / Foram seus progenitores / Capetos, & Numitores / reys d'Alua, donde vyeram / as irmãs que nom couberão / num soo reyno dous senhores.

O bispo de Malaca, D. João Ribeiro Gaio fez os seguintes versos para essa família:
Trazem leão e mais sanguinho / os Silvas da Corunha e do Vigo / cujo solar é no Minho / junto de S. Vitorino / nobre leal e antigo. / Estes condes de Cifantes / são garfos de Portugal / vem nos criados nos montes / por um fero animal / que não perdoa a infantes.

O genealogista Manuel de Sousa da Silva, Capitão-Mór de Santa Cruz de Riba Tâmega fez a seguinte quintilha para essa família:
Esta ilustre e fatal / A quinta da Silva mão / que perto de Braga está / A Hespanha e Portugal / Catorze títulos dá.

O sobrenome é considerado o mais popular no Brasil. O genealogista Carlos Eduardo Barata (um dos dois autores do livro Dicionário das Família Brasileiras), considera as seguintes explicações como as mais prováveis:
  •  No período colonial brasileiro, muitos padres católicos batizavam negros com um nome português, adicionando em alguns casos o Silva num outro momento;
  •  Muitos europeus que vinham para cá o adotavam como nome de família para perder o vínculo com a antiga vida no Mundo Velho;
Isso faz sentido, pois historicamente (quase) sempre é imposta a cultura/idioma/religião do escravizador ao escravizado, do conquistador ao conquistado.
O sobrenome Silva já era bastante popular nos países ibéricos, portando seria uma boa forma de se "camuflar". Muito provavelmente vários cristãos-novos (judeus e árabes convertidos ao cristianismo a força por causa da perseguição religiosa) adotaram tal sobrenome. Não esquecendo do caso de algumas crianças órfãs que devem ter sido batizadas com tal sobrenome.

Texto baseado num artigo do portal da revista Mundo Estranho (http://abr.ai/2xKDyj7) + site Origem do Sobrenome (http://bit.ly/2ytnEgN) + artigo do site Webartigos de Djanira Sá Almeida (http://bit.ly/2gM6vWw) + site Yahoo! Respostas (http://bit.ly/2xNOGkd) + site Dicionário de Nomes Próprios (http://bit.ly/2ijtN9T) + artigo de Adélio Torres Neiva publicado na revista Barcelos (http://bit.ly/2yQGz6I) + pesquisas na enciclopédia colaborativa online Wikipédia.

Um comentário:

  1. 2. CARTA AO NENO OU A CONVENÇÃO DA FAMÍLIA SILVA
    Dias atrás, você, Neno, formulou esta pergunta: "Onde será realizada a Convenção da Família Silva?" De fato, no tocante à escolha de um local adequado, face ao gigantismo da família não há muitas opções. E se é que a convenção vai realmente ser realizada, coisa que eu ponho em grande dúvida. Pois, na qualidade de membro nato desta família, não fui até o momento avisado a respeito do inaudito encontro. Nem qualquer Silva que eu conheça.
    Siga lendo neste LINK:
    https://preblog-pg.blogspot.com.br/2008/03/da-arte-de-escrever-cartas.html

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