sábado, 8 de fevereiro de 2014

Origem do sobrenome Miranda

Miranda é um sobrenome de origem toponímica por ter sido tomado de um lugar, pra ser mais preciso de uma localidade.
Miranda deriva da palavra latina mirum cujo significado é o adjetivo "maravilhoso", "surpreso".
Alfonso Pérez de Charneca (1340-1392), foi um dos principais cidadãos de Lisboa, e é célebre por três motivos:
  • Ajudou o Rei D. João I de Portugal a defender o reino;
  • Foi um dos cinco amigos que esteve ao lado de D. Nuno Álvares Pereira quando este desafiou D. João Ansores;
  • Foi escolhido para o conselho de D. João I por D. Nuno Álvares Pereira (1360-1432). D. Nuno foi beatificado pelo Papa Benedictus XV em 1918, e por fim canonizado em 2009 pelo Papa Benedictus XVI. D. Nuno é mais conhecido como o Santo Condestável, e formalmente como São Nuno de Santa Maria.
Alfonso teve o senhorio de Alcáçovas e dos Lagares d'El-Rei, outras terras que o rei concedeu pelos serviços prestados.
  • Freguesia de Alcáçovas, que integra o conselho de Viana do Alentejo, que pertence ao distrito de Évora, situado na sub-região Alentejo Central, que faz parte da região Alentejo de Portugal.
  • Freguesia de Alvalade, que integra o conselho de Lisboa, que pertence ao distrito de Lisboa, situado na sub-região Grande Lisboa, que faz parte da região Lisboa de Portugal. É nessa freguesia que está situado o Solar da Quinta dos Lagares d'El Rei.
Afonso se casou com Constança Esteves (1340-1392), gerando a Martim Afonso de Charneca (1360-?) e a Afonso Rodrigues (entre outros). Os dois irmãos debatiam quem seria o herdeiro do espólio, e por determinação real, Martim (apesar de ser clérigo) se tornou o herdeiro das posses de seu pai.
Martim Afonso de Charneca foi enviado a France para ser embaixador e retornou para Portugal casado com Dª. Mécia Gonçalves de Miranda (há quem afirme que seja francesa, no entanto, é mais provável que tenha sido castelhana) e porque não portuguesa?
Os filhos do casal Martim-Mécia passaram a usar o sobrenome materno devido a sua nobre linhagem. Martim chegou a ser bispo de Lisboa e Arcebispo de Braga, e o rei lhe doou o morgado da Igreja de São Cristovão (de Lisboa), onde construiu uma capela, em que foi posteriormente sepultado. Além de ter criado o mordado da Patameira.
O casal Martim-Mécia gerou os seguintes filhos:
1.  Martim Afonso de Miranda, rico-homem, senhor do morgado da Patameira (perto da freguesia de Torres Vedras e Matacães), instituído por seu pai. Se casou com Dª. Genebra Pereira, filha de Aires Gonçalves de Figueiredo, com geração;
2. Fernão Gonçalves de Miranda, rico-homem, senhor do segundo morgado instituído por seu pai. Se casou com Dª. Branca de Sousa, filha de Afonso Vaz de Sousa, com geração;
3. Dª. Margarida de Miranda, primeira mulher de D. Pedro de Meneses, 2º Conde de Viana, com geração;
4. Dª Leonor Miranda de Miranda, mulher de Aires Comes de Silva, com geração;
5. Dª. Maria de  Miranda, primeira mulher de Gonçalo Pereira da Riba de Vizela, com geração;

  •  Patameira talvez se refira ao bairro homônimo da cidade de Odivelas, que por sua vez faz fronteira com Lisboa.

O bispo de Malaca, D. João Ribeiro Gaio, escreveu os seguintes versos para essa família:
Aspa trazem colorada / os que tiveram Miranda / e aquela nobre Aranda / sobre ouro atravessada / com flores de lis em banda

Dª. Mécia Gonçalves de Miranda talvez tenha sido descendente do cavaleiro da casa de Ponce de León, Albar Diaz de Miranda, que foi o primeiro indivíduo a usar tal apelido (ou talvez não tenha descendido dele).
E faz sentido afirmar que a origem é toponímica tendo em vista a existência de várias localidades ibéricas com tal denominação em Portugal:
  • Freguesia de Miranda do Douro (Miranda do I Douro no idioma mirandês), que integra o concelho de Miranda do Douro, que pertence ao distrito de Bragança, situado na sub região de Alto Trás-os-Montes, que faz parte da região Norte de Portugal;
  • Freguesia de Miranda do Corvo, que integra o concelho de Miranda do Corvo, que pertence ao distrito de Coimbra, situado na sub região Pinhal Interior Norte, que faz parte da região Centro de Portugal;
  • Freguessia de Miranda, que integra o concelho de Arcos Valdevez, que pertence ao distrito de Viana do Castelo, situado na sub região Minho-Lima, que faz parte da região Norte de Portugal.
  • A localidade histórica Terra de Miranda (Tierra de Miranda em mirandês) que possui idioma próprio falado (o mirandês; lhéngua mirandesa) por cerca de  8 mil a 20 mil falantes. E que compreende ao Concelho de Miranda do Douro (acima citado), além dos concelhos de Vimioso, e também Bragança, Mogadouro e Macedo dos Cavaleiros (esses três últimos parcialmente);
E na Espanha:
  • Vila de Miranda de Arga (Miranda Arga em basco), pertencente a comarca de Ribera Arga-Aragón, situado na Merindad de Olite da província que é simultaneamente a Comunidade Autônoma de Navarra;
  • Vila Miranda de Azán, pertencente a comarca de Campo de Salamanca, situada na província Salamanca, que integra a Comunidade Autônoma Castilla y León;
  • Vila Miranda de Castañar, pertencente a comarca de Sierra de Francia, situada na província Salamanca, que integra a Comunidade Autônoma Castilla y León;
  • Vila Miranda de Ebro, pertencente a comarca de Ebro, situada na província Burgos, que integra a Comunidade Autônoma Castilla y León;
  • Consejo de Belmonte de Miranda (Miranda em asturiano) que integra a Comunidade Autônoma Principado de Astúrias;
Texto baseado no site Origem do Sobrenome (http://bit.ly/2zepakD) + site Dicionário de Nomes Próprios (http://bit.ly/2gnOUHe) + site Geneall (http://bit.ly/2ysV6nv) + pesquisas na enciclopédia colaborativa online Wikipédia.

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