sábado, 22 de junho de 2013

Rio Almonda, uma árvore, um vilarejo e a minha família

A maioria das cidades de antigamente surgiram próximas a alguma fonte de água potável, tais como lagos, rios, riachos, córregos e até mesmo do mar, no caso desse último, por conta da facilidade de transportar qualquer tipo de carga de uma região a outra. Isso quando não surgiam em serras de difícil acesso, já que as guerras eram comuns naqueles tempos (e ainda são), portanto a proteção também era um fator a ser considerado para o surgimento de uma cidade. Há ainda o caso das cidades que surgiram no meio de estradas, por conta de alguma rota comercial.
O Rio Almonda nasce numa gruta da encosta sudoeste da Serra de Aire (679 m), percorre aproximadamente 20 quilômetros até se encontrar com o maior rio da Península Ibérica, o Rio Tejo.
Se a toponímia for levada em consideração após divisão do nome desse pequeno rio (Almoda = Al + Monda) em dois termos, surgirão: a palavra árabe 'al' que nada mais é que o artigo definido o/a, e a palavra 'monda' que parece derivar de palavras de origem latina como por exemplo, 'mundus' que significa limpo. Logo, Almonda possui significado aproximado de 'o purificador', conforme o pensamento do arqueólogo Carlos Leitão Carreira no blog Recuemos... (http://bit.ly/1J91VLf).
As águas desse rio correm próximas a diversas localidades até chegar na foz, entre elas, a Freguesia de Azinhaga, por onde passa por último até desaguar na margem direita do Tejo.
  • Freguesia de Azinhaga, que integra o conselho de Golegã, que pertence ao distrito de Samtarém, situado na sub-região Lezíria do Tejo, que faz parte da região Alentejo de Portugal.
Essa localidade é considerada como a aldeia mais portuguesa do Ribatejo, de acordo com a Enciclopédia Temática Knôôw (http://bit.ly/243Pk4p).
Mais esse título não é a tôa, uma vez que já existia antes da fundação do país, no tempo em que boa parte do seu território era dominado por árabes, tanto é que, o termo 'Azinhaga', muito provavelmente deriva de 'azenha', que em árabe significa: apertar ou estreitar; ou ainda  'zenagga', que quer dizer em árabe, "muitas azinheiras juntas", segundo o site Concelho da Golegã (http://bit.ly/1XrSgDq).
Azinheira (Quercus ilex ) para quem não sabe, (nem eu sabia até pouco tempo atrás) é uma espécie de árvore que pode medir até 10 metros de altura e que existe em abundância em Portugal.
Sua madeira é dura e resistente à putrefação, sendo largamente utilizada, desde a antiguidade até os dias atuais, na construção de habitações (vigas e pilares), embarcações, barris para envelhecimento de vinhos e na fabricação de ferramentas. Ainda hoje, a sua madeira é utilizada como lenha e na fabricação de carvão, que continua sendo uma importante fonte de combustível doméstico em muitas regiões ibéricas.

Foi nesse vilarejo na beira do rio, próximo de muitas árvores que nasceram, o Mestre Antônio Nunes da Silva (1585-?) que se casou com Maria Jordão (1590-?). Foram pais do:
1. Capitão João Batista Jordão (1605-1689), nascido em Alvorninha. Se casou com Ângela do Amaral Gurgel (1616-1695) com descendência (já citada).
  • Freguesia de Alvorninha, que integra o conselho de Caldas da Rainha, que pertence ao distrito de Leiria, situado na sub-região Oeste, que faz parte da região Centro de Portugal.
2. Padre Estevão Nunes, foi clérigo de São Pedro.
3. José Nunes da Silva (1611-1698), nascido no Rio Janeiro - RJ, Brasil. Se casou em 1640 com Méssia do Amaral Gurgel (1611-1687) com descendência (já citada). Sua esposa é irmã de Ângela do Amaral Gurgel.
4. Sargento-Mór Manoel Jordão da Silva (?-1703) se casou em primeiras núpcias com Cipriana Martins (1621-?), filha de Antônio Ferreira e Juliana Martins. Tendo ela falecido, se casou em segundas núpcias com Margarida de Lima (1677-?), filha do Capitão Manoel Correa Cabral e Thomazia de Lima.
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Suposições

O casal teve 4 filhos, no entanto é conhecido o local de nascimento de apenas dois. Chama a atenção o fato de o mais velho ter nascido numa aldeia longe da terra natal de seus pais. O que os motivou a deixar a aldeia há mais de 400 anos atrás?
Há uma via em Ituverava - SP, Brasil que se chama Rua Coronel José Nunes da Silva (http://bit.ly/1U1xafj). Teria sido essa a forma que algum possível descendente desse militar conseguiu para o homenagear?
Porque todos os filhos do casal tem combinações de sobrenomes diferentes? Seria uma antiga forma de hierarquia relacionada a ordem de nascimento?
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Caro leitor, o deixo admirando esse charmoso vilarejo português que espero um dia conhecer, fotografado por José Manuel Melrinho no alto da torre da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, foto cedida por Ana Peralta Gonçalves Melrinho para o blog Azinhaga. Confira mais fotos em http://bit.ly/1R38eBf. :)

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