domingo, 19 de janeiro de 2014

Brasão de Armas e a Origem das Famílias Andrade / Andrada e Freire

A origem da família Andrade é toponímica, pois remontam ao antigo Reino de Galícia, para ser mais específico, vem da Vila de Andrade que fica entre:
  • O concello de Pontedeume da comarca do Eume, que por sua vez faz parte da província da Coruña, que pertence a Comunidade Autônoma Galicia;
  • O concello de Ferrol (ás vezes grafado como El Ferrol) da comarca de Ferrol, por sua sua vez faz parte da província da Coruña, que pertence a Comunidade Autônoma Galicia;
  • E também o distante concello de Vilalba da Comarca de Tierra Llana (Terra Chá em galego), que por sua vez faz parte da província de Lugo, que pertence a Comunidade Autônoma Galicia;
A antiga Vila de Andrade nos dias de hoje integra o concelho de Pontedeume e corresponde ao núcleo populacional da Igrexa de San Martiño de Andrade. As três vilas anteriormente descritas foram doação do Rey D. Enrique II de Castilla para Fernán Pérez de Andrade, descendente de Bermudo Peres de Traba Freire, que por sua vez descende dos condes de Traba e Trastamara. Fernán Pérez de Andrade recebeu tal doação por ter lutado contra o Rey D. Pedro I de Castilla (meio irmão de D. Enrique II).
Vale mencionar que o sobrenome Andrade possui a variante Andrada, até então contei apenas sobre os Andrade / Andrada, já já começo a relatar sobre a origem dos Freire.
Andrade parece ser uma palavra de origem celta, os genealogistas e historiadores especulam que o nome passou a ser utilizado para se referir a localidade de Vila de Andrade. A Galicia foi ocupada em momentos diferentes pelos celtas.

Freire é um sobrenome de origem religiosa, que vem do antigo substantivo freyre, que se referia a um cavaleiro de ordem militar, o qual tem alguns dos votos religiosos e reside em convento. Freyre veio do francês «frére», que significa irmão, que tem origem mais antiga ainda se considerado o genitivo fredarii da forma alatinada correspondente a fredario [documentado em 1009], proveniente de fredeiro [documentado em 907], que parece ser um derivado da língua gótica: fritha-harjis, de frithus, que significa paz, e harjus, cujo significado é exército (Antenor Nascentes, II, 118; Anuário Genealógico Latino, IV, 21).
O vocábulo Freire (antigamente grafado como Freyre), conforme comentado anteriormente possui origem religiosa e militar. E isso fica mais evidente, se considerado o fato de que no século XI foram fundadas associações religiosas de cavaleiros. Os membros eram chamados de fratrer, sendo frater no singular, tais vocábulos evoluíram no idioma português e galego para Freyre (plural) e Frei (o singular do termo).
Os primos D. Henrique de Borgonha e D. Raimundo de Borgonha lutaram contra os mouros, por isso foram recompensados com terras e com a mão das filhas do Rey D. Alfonso VI de León. D. Henrique foi casado com Dª. Teresa Alfónsez de León, filha bastarda de D. Alfonso VI, tendo recebido o Condado de Portucale como dote. Enquanto que D. Raimundo foi casado com Dª. Urraca de León, filha legítima de Alfonso VI, tendo recebido como dote o Condado de Galiza.
Junto com os primos da casa ducal da Bourgogne vieram cavaleiros, que por lá ficaram (Galícia) e que fizeram parte de ordem militares,"freires", que por sua vez acabou virando um sobrenome galego.
Logo, Freire deve ter surgido da alcunha de um cavaleiro professo e, portanto, a um freire (frade) de uma ordem militar, um Freyre Trempreiro (Frei Templário).
E reforçando tudo isso há a seguinte citação:

"Afonso I, rei de Portugal em 1065, forma na cidade de Évora, uma ordem de cavalaria com o nome Ordem dos Cavaleiros Freire de Évora' que tinha por objetivo combater os mouros. Esta ordem sofreu, posteriormente, uma unificação com a Ordem dos Cavaleiros de Calatrava, criada em 1158 na Espanha e introduzida em Portugal em 1166, que por sua vez, teve seus bens transferidos para a Ordem dos Cavaleiros de Avís que deu origem a uma das dinastias de reis de Portugal" (Enciclopédia Mirador Internacional, volume 9, página 4457).

As famílias Andrade e Freire se uniram tanto por laços matrimoniais que passaram a ser consideradas uma só. Tanto é que uns carregavam os sobrenomes Freire de Andrade, outros Andrade Freire, enquanto que outros um ou outro. Prova disso é que os brasões de armas das famílias são muitíssimo parecidos.
Tais famílias foram do antigo Reino de Galícia para o antigo Reino de Portugal diversas vezes. Sendo que os principais ramos portugueses vem de:
  • Rui Freire de Andrade (1295-1362), que foi para ternas lusa durante o reinado do Rey D. Pedro I de Castilla com dois filhos: D. Nuno Rodrigues Freire de Andrade [(1300-1372) mais tarde 6º mestre da Ordem de Cristo] e Vasco Freire;
  • Rodrigo Afonso de Andrade, que parece ter sido parente muito próximo de D. Nuno Rodrigues Freire de Andrade;
  • E Dª. Isabel Afonso de Andrade, filha do Conde de Andrade, D. Fernando;
João Rodrigues de Sá, senhor de Matosinhos fez a seguinte copla para tal família:
A banda que atravez fende / sobre esmeralda reluzente / com cabeças de serpente / Freires de Andrade comprehemde / De Galiza descendente / em que lá tenha logar / para se mais nomear / e nos Reinos de Castela / os que cá tem Bobadela / não serão para calar

E o Bispo de Malaca, D. João Ribeiro Gaio fez uma quintilha para a família Freire:
Nas de Galiza montanhas / tem os Freires solar / Monifroes se usavam chamar / vindo de França a Espanha / aos mouros guerrear
E também para a família Andrade:
Uns descendem de Avelar / conjunto com a macieira, / outros dizem que de ultra mar / vir a geração para / a Luzitania ajudar.

Texto baseado em pesquisas em dois artigos de Djanira Sá Almeida no site WebArtigos (http://bit.ly/2yu5EmX) e (http://bit.ly/2x07isI) + blog Brasão de Família (http://bit.ly/2gJXNrH) + site Usina de Soluções Tecnologia da Informação (http://bit.ly/2ieHiYa) + site Dr. Paulo Freire (http://bit.ly/2gfTmEk) + e dois artigos do site Genealogia Freire (http://bit.ly/2wYSbzV) e (http://bit.ly/2yNeNrT) + a enciclopédia colaborativo online Wikipédia.

Escudo d'Armas dos Andrade: de ouro, com banda abocada por duas cabeças de serpe de verde salpicadas de ouro, e acompanhada de duas caldeiras xadrezadas de vermelho e de prata, com arcos e asas serpentíferas de verde. Timbre: cabeça e pescoço da serpe de ouro, lampanada de vermelho.

O brasão dos Freire é similar ao dos Andrade, o que os difere são apenas alguns elementos. Enquanto que no dos Andrade, as serpes (dragão heráldico) são verdes, no dos Freire são de ouro. Enquanto que o campo dos Andrade é de ouro, o dos Freire é verde. E apenas o dos Andrade possui as duas caldeiras xadrezadas. É claro que não me esqueceria desse detalhe: consequentemente os timbres dos dois escudos são diferentes. Fiz a adaptação abaixo da imagem acima, espero que tenha ficado boa.


Escudo d'Armas dos Freires: de verde, com banda de vermelho, perfilada de ouro, abocada por duas cabeças de serpe do mesmo. Timbre: uma serpe de duas cabeças batalhantes, de ouro, sainte.
Fonte: Armorial Lusitano, pág. 58 e 228.

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