sábado, 30 de março de 2013

Desabafo genealógico

São poucos os que gostam de aspirar o pó de livros velhos e empoeirados ou ficar na internet por horas a fio pesquisando sobre quem já nem vivo estar, com o intuito de desvendar suas origens genealógicas. E quando ocorre tal interesse, é impressionante o quanto, os muitos de um número já bem reduzido de afeiçoados pelo assunto, apenas se contentam em traçar linhagens para quem sabe esbarrar em figuras históricas ou nobres.
Se esquecendo, que corre também em suas veias o sangue de gente simples. 
Há ainda os que se preocupam apenas em descobrir seus ascendentes diretos, ignorando os seus ''co-parentes'' (os irmãos de seus avos e os descendentes destes, por exemplo). Quão tolos são! Perdem a chance de desenterrar partes da sua história. 
Não seria surpreendente descobrir por exemplo que Chica da Silva (1732-1796), foi filha de uma das irmãs de uma ancestral seis gerações antes de você?
Ou que o chefe dos Tubinanbás, Taparica foi o pai da cunhada de algum antepassado direto?
Ou quem sabe, descobrir que o primo do seu tatatatataravô pertence a família que fundou o município onde você mora?
Ou sem querer perceber que sua 25ª avó pertence a um ramo pouco conhecido de alguma casa real?
Se eu pudesse e se tivesse bastante recursos traçaria uma linhagem longínqua até os meus ancestrais mais remotos. Mas tenho de me conformar com as minhas limitações. Não é uma cultura de todos os povos registrar a vida dos mais humildes (escrevo sobre os tempos passados, por favor não me interpretem de forma errada). E lá se vai a biografia de alguém que viveu muito antes de você, se perder com a memória dos mais velhos.
O interesse em genealógica deve ser como essa conversa (foi só um pouco modificada) que tive recentemente com a prima Maria Amaral Godoy no Facebook:
Ela: A parte interessante para mim, não é somente a genealogia, mas a nossa raiz cultural, nosso comportamento de anos atrás, do que decorre o que somos.
Eu: o/
Ela: Não somos um, somos muitos!
Eu: Detesto esses comentários: "pra que tu quer saber quem foi o teu tatatatataravo?" e coisas do tipo.
Ela: Nem me perguntam mais. Mas me perguntaram estes dias.... de que adianta saber que você é a 22ª neta de Inês de Castro? Eu (ela) respondi >>>> a diferença é que eu sei e os outros não sabem.
Eu: \o/
Termino esse texto com o seguinte pensamento (abaixo):
"Lendas deixam de ser contadas. Tradições e costumes caem em desuso. Receitas deliciosas de família somem."

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