segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Interpretando as entrelinhas do Capitão André de Souza Cunha

Acho que poucos genealogistas sabem disso, e irei enfatizar sobre esse fato nessa publicação: André de Souza Cunha (1675-1730) se casou duas vezes com membros da família Gurgel do Amaral ou Amaral Gurgel.
Antes de tudo quem foi ele?
André foi filho do casal Pedro Martins e Maria da Cunha, nasceu na Ilha Terceira, pertencente ao arquipélago português dos Açores, situado no Mar Atlântico perto do continente africano.
Se casou em primeiras núpcias em 1698 com (5.2.4) Joana Quaresma do Amaral, filha do Coronel Manuel Martins Quaresma (1633-1685) e (5.2.) Domingas do Amaral da Silva (1650-?). O Colégio Brasileiro de Genealogia confirma essa informação (http://bit.ly/2hclKHv).
E a folha 27 pertencente ao Livro II do Registro de Ordem Régias, datada de 01/05/1725, confirma que André teve a patente de Capitão.
O casal André-Joana teve apenas um filho conhecido por mim até então:
* 5.2.4.1. Cláudio Gurgel do Amaral;

Abreu (http://bit.ly/2f5LGEg) informa que em 09/09/1718, o Capitão André comprou de José de Matos Cardoso: uma chácara de 70,5 braças por 91$520 réis, que fez parte das 500 braças de terras pertencentes a Sebastião Pereira Lobo. José de Matos Cardoso as herdou de seu pai (João Cardoso Machado) quando partilhou a herança com sua irmã Catarina de Sena.

Numa outra publicação de Abreu (http://bit.ly/2wqgIl8), fica sub tendido nas entrelinhas que o Capitão André de Souza Cunha já não era vivo, tendo em vista que a sua segunda esposa já era viúva.
O Capitão André se casou em segundas núpcias com (7.2.3.) Maria Antônia do Amaral Gurgel e Bragança (1697-?), filha do português Tenente-Coronel Félix Corrêa de Castro Pinto de Bragança (1643-1707) e (7.2.) Maria do Amaral Gurgel Roxas (1649-?). O lusitano era filho de Antônio Corrêa Pinto de Bragança e Joana de Freitas.
O casal André-Maria Antônia teve apenas uma filha conhecida por mim até então:
* 7.2.3.1. Inácia Maria Gurgel Amaral (1715-?).

Conforme consta nessa publicação acima citada, em 09/09/1748, o filho do Tenente Caetano da Costa Coelho e Maria de Viegas Abreu, o Capitão Félix de Souza Castro vendeu terras para a viúva do Capitão Diogo de Souza Cunha. Portanto, as terras desse militar aumentaram em extensão devido a nova aquisição de sua esposa (viúva).

Em 11/12/1759, Maria Antônia fez uma escritura de dote para o seu genro, (7.2.1.3) o Capitão-Mór Domingos Viana de Castro (1711-1803) por ter se casado com a sua filha, Inácia. Esse dote consistiu numa chácara situada perto da Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, no caminho que vai para o Catete, na vizinhança das terras de Antônio Moreira da Cruz e de terras de Diogo de Lima Cerqueira (que as tinha comprado do Tenente Caetano da Costa Coelho).
A referida chácara que foi dada como dote é a soma de todas as terras que pertenceram ao Capitão André de Souza Cunha.

Vale mencionar que Inácia e o Capitão Domingos eram primos, pois ele era filho do Tenente-Coronel Salvador Viana da Rocha (1644-1729) e (7.2.1.) Antônia Correia do Amaral (1677-1752). Tendo sido neto paterno do Capitão Domingos Gonçalves da Rocha e Francisca Antônia de Sousa, e neto materno do Tenente-Coronel Félix Corrêa de Castro Pinto de Bragança e (7.2.) Maria do Amaral Gurgel Roxas.

domingo, 10 de setembro de 2017

Interpretando as entrelinhas do Capitão Diogo Cardoso de Mesquita

Diogo de Cardoso Mesquita se casou com Ana do Amaral Gurgel Fonseca (1636-1703), filha do Capitão Diogo Fonseca (1604-1686) e de Maria do Amaral Gurgel (1607-1671).
Antônio Carlos Jucá de Sampaio, em A produção política da economia: formas não-mercantis de acumulação e transmissão de Riqueza numa sociedade colonial (Rio de Janeiro, 1650-1750) disponível aqui (http://bit.ly/2xUQQKn), explica que durante o século XVII era relativamente comum dar "partidos de cana" como dote de casamento, e que na sociedade fluminense desse período houveram nove casos noticiados (13,6%). Dentre, eles o de Diogo Fonseca para o seu futuro genro, o Sargento-Mór Diogo Cardoso de Mesquita em 1662.
Naquela época, era incomum os dotadores oferecerem um engenho (inteiro) para o novo casal. Seja o dote um engenho, "partidos de cana", imóveis (casas e terrenos), etc. Antropologicamente escrevendo (me corrijam se estiver errado), o dote era uma forma de estruturar o novo casal. E esse século (XVII) em relação ao anterior, já não era mais tão comum oferecer dotes relacionados a produção, tendo em vista que ocorria a mercantilização, e que não necessariamente, isso era "um declínio da ascendência da família da noiva sobre as atividades produtivas do noivo" (Muriel Nazzari).
A nomeação de militares na América portuguesa: Tendências de Império negociado (http://bit.ly/2jha9ve), de Miguel Dantas da Cruz fornece mais informações sobre Diogo:
  • Até 1625, prestou serviços militares em lugares da África;
  • No mesmo ano, prestou serviços militares na Bahia, Brasil;
  • De 1640 até algum período futuro indeterminado, prestou serviços militares no Ceuta (Sebta / سبت ) e Mazagão (atual El Jadida / الجديدة)
  • Era Capitão da Fortaleza de Santa Cruz da Barra do Rio de Janeiro;
  • Foi agraciado com o título de cavaleiro da Ordem de São Bento de Aviz;
  • E que nasceu no Reino de Portugal e dos Algarves;
Considerando os Arquivos do Histórico Ultramarino de Lisboa (http://bit.ly/2xfmCop):
  • Diogo foi nomeado capitão da referida fortaleza acima mencionada em 17/05/1663, pelo Governador-Geral do Brasil, Francisco Barreto de Meneses;
  • Em 20/04/1656, Diogo foi armado como cavaleiro da Ordem de São Bento de Aviz;
Em algum momento antes de 1688, o Capitão Diogo Cardoso de Mesquita, já era falecido. Tendo em vista que, Ana (já era viúva) junto com o Frei Manoel dos Anjos (da Fonseca) Nóbrega (irmão dela): venderam uma morada de casas e casinhas na Rua Cônego Amaro Ribeiro, bairro da Misericórdia para Manoel Gonçalves por 260$000 réis. As casas ficavam ao lado do imóvel do Capitão Gonçalo Teixeira Tibau. E as casinhas pequenas ficavam ao lado do imóvel do Coronel Francisco de Moura Fogaça. Ana herdou as casinhas do seu irmão, o Padre Francisco Álvares da Fonseca e também do seu pai, o Capitão Diogo da Fonseca, conforme Abreu (http://bit.ly/2jgGcvn).

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Interpretando as entrelinhas de Claude Antoine Bensaçon

Embora Claude Antoine Bensaçon, não tenha tido geração nenhuma do seu primeiro casamento com Isabel do Amaral Gurgel, filha de Toussaint Gurgel e de Domingas do Arão Amaral.
Até que há certo conteúdo pra especular partes de sua vida, juntando pedaços encontrados aqui e ali nos mares virtuais.
Claude nasceu em 1604 lá em Bensaçon, Bourgogne-Franche-Comté, France. Considerando que o seu sobrenome é esse, muito provavelmente nasceu nessa cidade, portanto, seu sobrenome é topomímico.
Foi filho do casal Claude ou Antoine Bensaçon e de Jeanne de Sollier. O nome de seu pai é mera especulação pessoal (eu aposto na segunda opção por ser mais popular e comum), considerando que seu nome era composto, e que naqueles tempos o nome dos filhos, ás vezes remetiam ao de antepassados diretos (pais, avos...) e até mesmo parentes (tios, tios-avos, primos...)
Enviuvando de Isabel em 1654, Claude contraiu novas núpcias com Maria Carvalha (1650-1702), que por sua vez após o falecimento de Claude, foi casada em 1678 com o português natural de Lamego, o Capitão Pedro Fernandes Amado em (1648-1702), filho de Paulo Fernandes e Isabel Amado. Tais informações estão de acordo com o portal Geneall (http://bit.ly/2j1Ff9M). O casal não teve descendência.
O que esse francês fazia aqui no Brasil? Mafalda Soares da Cunha no capítulo 6 do Volume 1 da Coleção Brasil Colonial (http://bit.ly/2gEctI8), na página 299... Comenta que foram concedidas sesmarias a franceses que se desligaram do projeto de Nicolas Durand de Villegagnon, a França Antártica pois eram mão de obra especializada nas artes mecânicas de origem alemã, francesa e flamenca (metalurgia, mineração e farmácia por exemplo).
Eu discordo dela em afirmar isso sobre Claude, devido ainda não ser nascido quando ocorreu essa tentativa de colonização francesa... Já seu pai Antoine Bensaçon faria bem mais sentido, não?
Vale mencionar, que assim como na Roanoke Colony misteriosamente desaparecida em terras estadunienses, não eram apenas homens que vinham para terras brasileiras, mulheres, crianças também, em síntese, famílias que queriam tentar uma vida melhor longe da complicada Europa daqueles tempos.
De quem eram as terras que Capitão Pedro Fernandes Amado doou em 1718 a Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro? Essas respostas estão no site do falecido geógrafo Maurício de Almeida Abreu que possui uma série de arquivos denominada como Banco de Dados da Estrutura Fundiária do Recôncavo da Guanabara (http://bit.ly/2vJPeqp). Pedro as herdou de sua mulher, Maria Carvalha que por sua vez as herdou do seu primeiro marido, Claude, que as tinha comprado em 1652 do General Salvador Correia de Sá e Benevides.
De acordo com um artigo de Abreu, Um quebra-cabeça (quase) resolvido: os engenhos da Capitania do Rio de Janeiro - Séculos XVI e XVIII, estudo do geógrafo acima citado (http://bit.ly/2eJdxxc). Claude juntou essa compra com outra feita anos depois: adquiriu sobejos de terras na testada do rio de Maragoí lá pela vizinhança do Engenho São Bento em Mutuá, de Dona Catarina Antunes, viúva de Bartolomeu Ferreira de Morais.