sábado, 21 de setembro de 2013

Brasão de Armas e a Origem da Família Nunes / Nunez

A história dessa família é também incerta, tendo em vista que o sobrenome possui origem patronímica.
Nunes é a forma portuguesa do sobrenome espanhol Nunez. Os linguistas/genealogistas/historiadores acreditam que a origem seja espanhola, porque no século XIII, o nome Nuno era grafado como Nunho na língua portuguesa, uma tentativa de grafar a versão espanhola, Nuño.
Nunes/Nunez deriva de Nuno. Portanto, os que possuem tal sobrenome são descendentes de alguém que se chamava Nuno ou viviam próximos de alguém com tal nome, logo, os que possuem esse sobrenome não possuem nenhuma relação genealógica com outros que o possuem.
Há quem afirme que Nunes/Nunes possui origem hebraica = Nun (דגים significa peixe em aramaico) + o sufixo espanhol -ez (utilizado para se referir a filiação: "filho de").
No entanto, considerando a linguística, é mais provável que a origem do referido sobrenome seja latina, derivando de nonum cujo significado literal é o numeral ordinal correspondente ao nove (nono, 9ª). Considerando tal origem, ainda é possível especular que a primeira pessoa a usar tal nome foi o nono filho de um casal.
Ou ainda nonnus, que significa tanto a forma infantil de chamar o progenitor (papai) quanto aio (forma masculina de aia), criado responsável pela educação de crianças pertencentes a famílias nobres.

Texto baseado no site Dicionário de Nomes Próprios (http://bit.ly/2wBObVc) + site Origem do Sobrenome (http://bit.ly/2zaCAOw) e no blog Coisas Judaicas (http://bit.ly/2xtOTrD).

Há dois brasões, optei por divulgar apenas o mais popular, que aparenta ser o original.
Uma observação sobre tal brasão: é representado erroneamente com frequência sem as merletas. A merleta é uma ave mítica da heráldica, semelhante a andorinha, o que as difere são os tufos de penas no lugar das patas.


Escudo d'Armas dos Nunes: partido, o primeiro de prata, com uma barra de azul; o segundo de vermelho, com um leão de ouro, acompanhado de quatro merletas do mesmo, acantonadas. Timbre: o leão do escudo.

Fonte: Armorial Lusitano, pág. 399.

sábado, 7 de setembro de 2013

Le Havre de Grâce no tempo dos piratas

Toussaint Grugel saiu do porto de Le Havre de Grace em 19/11/1556, quando embarcou no navio Grand Roberge (tinha apenas 13 anos), sob o comando do Capitão Santa Maria. Enquanto, que o Vice-Almirante Bois Le Comte, manobrava o navio Petit Roberge (José Guilherme Correa).
E foi nessa cidade que Toussaint nasceu em 1543 e viveu os primeiros anos de sua vida.
Le Havre de Grâce está situada no estuário do Rive Seine. A cidade foi fundada pelo Roi François I de France em oito de outubro de 1517, devido a situação cada vez mais crítica dos portos históricos de Harfleur e Honfleur.
Ficou conhecida após a sua fundação (por um tempo) como Franciscopolis, tendo sido renomeada para Le Havre de Grâce (que significa "O Porto de Graça"), devido a Cathédrale Notre-Dame-de-Grâce, que por sua vez já existia bem antes da fundação oficial da cidade. O termo havre significava em tempos antigos, porto.
A Reforma Protestante surtiu bastante efeito na antiga província Nourmandie, porque John Venable, distribuidor de livros da cidade francesa Dieppe ajudou a espalhar pelas regiões de Pays de Caux e Basse-Normandie, a ideologia de Martin Luther e Jean Calvin.
Na época de Toussaint Grugel, a cidade vivenciou os efeitos da Guerra das Religiões... Não é a tôa que ele de lá saiu ainda menino....
Foi do porto dessa cidade que Nicolas Durand de Villegagnon, partiu em 14 de agosto de 1555 para fundar La France Antarctique...
No últimos anos do século XVI chegavam aos montes produtos americanos no porto da cidade: tabaco, açúcar e couro.
Resumindo a história dessa cidade: séculos depois a cidade foi destruída durante a I e II Guerra Mundial, principalmente na última, tendo sido reconstruída posteriormente com uma identidade arquitetônica que se fosse expressada numa personalidade deveria ser: moderna e forte. 
Nos dias de hoje, a cidade é simplesmente conhecida como Le Havre e inspirado no nome antigo, há uma cidade estaduniense chamada Havre de Grace, Harford County no estado de Maryland.


Planta da Vila de Le Havre de Grâce em 1530.
Baseado em pesquisas na enciclopédia colaborativa online Wikipédia.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Um pouco mais sobre o corsário Toussaint Grugel

Ao que tudo indica, Toussaint veio para o Brasil pela primeira vez, após três meses no mar, segundo o primeiro capítulo de Unflashy, Matter-of-Fact Flash Fiction de José Guilherme Correa (http://bit.ly/2x5iMPk).
E ficou assombrado com os costumes da tribo dos Tupinambás, que andavam nus e pintados com tinta preta. Observou que os nativos quase não possuem pêlos no corpo (nem mesmo os homens). Comparou os cocares que os homens usam na cabeça aos chapéus dos frades da ordem de São Francisco. Os cabelos compridos dos nativos mais pareciam perucas. O que mais impressionava eram os lábios com pedras verdes largas e bem polidas incrustadas na boca (muitos nativos usavam apenas no lábio inferior).
E até mesmo o assustador encontro com a tribo dos Goitacazes, que eram canibais. Esse antigo povo ameríndio ao sacrificar: abatia um prisioneiro como se fosse um animal, o cortando em pedaços, para então os cozinhar na frente das demais vítimas para as amedrontar mais ainda. Roíam os ossos até não sobrar carne nenhuma, a única parte que não consumiam era o cérebro. Faziam colares com os dentes. Guardavam os crânios em algo parecido com as lápides de cemitério nos dias de hoje. Fatiavam alguém proporcionalmente a bravura em combate (quanto mais um guerreiro matasse, mais cortes o corpo humano a ser digerido teria para demonstrar o valor do nativo que o fatiaria) e de forma que cada membro da tribo tivesse pelo menos uma fatia para degustar. Eles não eram movidos pela glutonaria e sim pela vingança.
Felizmente, ele (Toussaint) que tinha sido poupado do massacre de la Saint-Barthélemy, escapou também de mais essa situação. Ainda mais ele que muito provavelmente teve uma vida regida pela aventura, ostentando feitos heroicos bem ousados, fazendo esquemas, sempre com o perigo entrelaçado a sua existência.
Até que em 1570 (já tinha 27 anos), vive mais um contratempo ao ter sido capturado pelo Coronel João Pereira de Souza Botafogo (assunto anteriormente comentado), porém caiu nas graças de seu captor, tanto é que anos depois se casa com a afilhada dele (Domingas do Arão Amaral). Ele noivou aos 63 e ela aos 20 anos. Apesar de ter existido uma grande diferença de idade entre o casal, tiveram 7 filhos (incluindo um varão). Vale mencionar que ela se casou tarde para os padrões daquela época (as moçoilas se casavam BEM cedo)... (The passage of time, obra do mesmo autor acima citado, http://bit.ly/2eyTdex). Ou ainda que conforme comentado em momentos passados, Toussaint teve 41 filhos ilegítimos com índias...
Devido ter enriquecido com a pesca de baleias (que naqueles tempos era uma tarefa fácil, por causa da abundância delas pelo litoral brasileiro). Correa sugere que Toussaint pode ter "comprado" todos. Porém, também não descarta que simplesmente sua honestidade, carisma e integridade devem ter o tornado notável naquela época.
Quem sabe essa citação sobre o corsário (pirata) Grugel reforce essa segunda teoria? "(...) por ser pessoa de trato e de cabedal" (Códice LXXVII, Vol. 12 - Arquivo Nacional).
E pela visão de Marcelo Meira Amaral Bogaciovas em A Família Amaral Gurgel (revisão crítica e constribuições genealógicas) (http://bit.ly/2eFapCB), a linhagem de Toussaint (Tuçân pela pronúncia aproximada do seu nome em português antigo) está um pouco fantasiosa na obra de Heitor Gurgel, tendo em vista que o jornalista escreveu um romance histórico, e isso é verdade, o próprio escritor enfatiza isso no prefácio de seu livro que preza por contar os fatos de forma mais suave devido a aridez do assunto (genealogia)... Eu por exemplo, já constatei divergências em sua obra, algumas já compartilhadas por aqui, porém isso não tira o mérito do seu trabalho.