sábado, 31 de agosto de 2013

O triste episódio do Capão da Traição (e os Amarais)

Os planaltinos (paulistas) chamavam de emboabas, quase todos os forasteiros, sejam eles fluminenses, baianos, portugueses ou os próprios moradores de regiões vizinhas às Gerais. Eles abriam algumas exceções para: os reinóis e espanhóis casados com mulheres paulistas e os que, empregados de paulistas, nacionais ou estrangeiros, tivessem passado um tempo na Paulicéia ou pertencido a alguma bandeira.
Devido a ambição dos que iam para os Cataguás em busca de ouro, os conflitos passaram a ser resolvidos da forma mais cruel possível: M-O-R-T-E!!!
André João Antonil inclusive se refere aos planaltinos daquele tempo como "gente rústica, desconfiada, muito sensível e acostumada à guerra, faziam pouco escrúpulo de tirar a vida a qualquer qualidade de pessoas, não só a mando de seus amos, mas também por leves agravos e alguns só presumidos."
Houve momentos de tal contexto histórico, em que os paulistas chegaram a não mais entrar em capela onde oficiasse sacerdote reinol, ou ainda, que paulistas passaram a dar o mesmo tratamento de desprezo dispensado aos escravos e candangos para os lusos.
Diogo Vasconcelos comenta que a guerra começou pelo seguinte fútil e ridículo motivo: "- Um paulista havia emprestado uma escopeta a um português muito pobre. Tendo-se perdido ou extraviado a arma, o plebeu procurou o piratiningano sem mais delongas, ofertando-lhe sete oitavas de ouro pela espingarda, que, aliás, era o que havia custado. O filho do Planalto, alegando não ser negociante, exigiu a imediata devolução da escopeta."
Tudo indica que o luso emboaba se sentiu em apuros, e por esse motivo "buscou remédio para seu mal na valiosa proteção de Nunes Viana, então no fastígio" e o mesmo ocorreu com o paulista que "foi à casa do potentado Jerônimo Pedroso de Barros que, como bom paulista que se prezava de ser, não ia à missa dos lusitanos e, desde logo, se pôs à disposição do conterrâneo. Querendo remediar a situação, Nunes Viana procurou o dono da espingarda que se encontrava com amigos no adro da capela do Caeté e pediu-lhe que aceitasse as sete oitavas de ouro pela escopeta perdida. O piratiningano recusou a propositura. Viana, então, pediu-lhe que fôsse à casa dêle e lá entre as 80 espingardas que possuia, escolhesse a que aprouvesse" (S. Suannes).
O portal Mega Curioso comenta algumas expressões latinas, entre elas há uma que se encaixa perfeitamente nessa situação, a qual irei transcrever para cá (se você estiver curioso com as demais, basta acessar em > http://bit.ly/2jtpSTF): Eis um provérbio que era bastante popular na Roma Antiga. A expressão 'auribus teneo lupum' era usada quando a situação era insustentável, e particularmente quando fazer nada ou fazer alguma coisa para resolver um problema era igualmente arriscado. Bizarro, né? Ao pé da letra, (...) significa 'segurando um lobo pelas orelhas'.
Retomando a linha de raciocínio, a Guerra dos Emboabas era uma tragédia anunciada. Muito provavelmente, os dois líderes: Jerônimo Pedroso de Barros (dos paulistas) e Manuel Nunes Viana (dos emboabas), começaram uma sessão de argumentos de defesa e acusação como se estivessem em um comício ou tribunal, até chegarem ao ponto de os nervos chegarem a flor da pele e trocarem desaforos pessoais.
E Heitor Gurgel comenta com riqueza de detalhes o surgimento de tal guerra na seguinte passagem:
"Surgiram então os disse-me-disse, os fuxicos, os boatos e, em pouco, paulistas e emboabas estavam em pé de guerra. E foi à-toa que Borba Gato foi ao Caeté para apaziguar os animos. Dias depois, os paulistas mataram dois escravos de Nunes Viana e depredaram propriedades dos mesmos. Em represália, Nunes Viana e sua gente tiraram a forra, pondo fogo em plantações e nas catas dos paulistas. Era a guerra."
E dessa guerra, o episódio mais sangrento foi o Capão da Traição, que possui tal denominação devido a forma do relevo, cuja aparência é de uma região mais baixa com outras mais altas ao redor, assim bem explicou um dos usuários do site de perguntas Brainly (http://bit.ly/2jnPUdk).
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Depois de toda essa explicação para contextualizar quem lê, por fim serão feitos comentários da relação desse conflito com os Gurgéis e os Amarais.
Heitor Gurgel relata que apesar de haver uma figura de autoridade local, isso era insuficiente. Vale mencionar que foi criado o cargo de Capitão-Mór Regente das Minas Gerais de Ouro Preto, para o qual foi designado o Coronel Francisco do Amaral Gurgel. E isso foi justificado devido ao cenário de conflito de interesses por causa: da cobiça pelo ouro, da fome e da dificuldade de se obter gêneros alimentícios.
André João Antonil inclusive reforça isso na seguinte passagem: "os que iam às Minas tirar ouro dos ribeiros ou por meio de expedientes vários, usavam de tradições lamentáveis e de mortes as mais cruéis, ficando não raro, essas mortes impunes, porquanto nas Minas, a justiça humana não teve ainda tribunal, nem respeito." (...) "nas minas apenas se guardam algumas leis, que pertencem às datas e às repartições dos ribeiros. No mais, não há Ministros, nem Justiças que tratem ou possam tratar dos castigos dos crimes que não são poucos, principalmente dos homicídios e furtos."
O Capão da Traição é um triste episódio dessa guerra. Em poucas palavras, está relacionado ao  Capitão-Mór Bento do Amaral Coutinho (1683-1711) que traiu 300 paulistas (a grande maioria eram índios), após os enganar, encurralar e matar.
 (¡jajaja! > isso é uma risada em espanhol pra quem não sabe)... Apenas quebrando o gelo por escrito pessoa, devido a seriedade do assunto, porque pensei não ser mais necessário os situar no tempo e no espaço, porém julgo ser necessário fazer isso mais uma vez .

Bento fez isso motivado por motivos pessoais:
1. Queria impressionar Francisco Nunes Viana;
2. Queria se "vingar" de Pascoal da Silva;
Recapitulando, quando surgiu a Guerra dos Emboabas, o Coronel Francisco do Amaral Gurgel, foi o único que se opôs ao movimento. Tanto é que reprovou a conduta de autoridades locais como: os Sargentos-Mores Felix Gusmão e Pascoal da Silva que imediatamente aderiram ao embate. Devido Pascoal ter vestido a camisa do confronto, Nunes Viana (chefe dos emboabas) o nomeou num primeiro momento como Governador Militar de todo a região gerando certo atrito com o então Capitão-Mór Regente (Francisco)... 1x0.
Num outro momento, Nunes Viana nomeou Bento (primo em segundo grau de Francisco) como um "simples" Sargento-Mór. Vale mencionar que, esse cargo é inferior ao de Mestre de Campo (nova promoção militar de Pascoal da Silva)... 2x0
Essa citação de Heitor Gurgel descreve bem o que talvez tenham sido traços de personalidade de Coutinho, sendo "corajoso, arrogante e sanguinário" considerando o que o fez entrar na história, faz sentido, não?
S. Suannes se refere a Bento e a esse acontecimento quando conta isso "numa campina belíssima havia, ao centro, ao centro dela, uma capão de mato onde estavam acoitadas algumas fôrças planaltinas, resolveu dar combate às mesmas. E o fêz de maneira terrível, com requintes de pervesidade, atraiçoando a confiança que os paulistas nêle e suas promessas depositaram." 2x0∞ (elevado ao infinito).
Após estar ciente da horripilante matança do Capão da Traição, o Coronel Francisco optou por se exonerar do cargo, já que havia conflito de interesses: reconhecia ser legítimo o movimento da guerra (pelo direito dos emboabas também minerarem nas Gerais, já que os planaltinos se opunham isso) e cumprir o seu dever de Capitão-Mór (ressalto que se tivesse continuado no cargo, teria de prender seu amigo e sócio Nunes Viana, envolvido na luta armada). E parando pra pensar, o seu primo Bento não estava com a imagem boa perante a opinião pública daqueles tempos na sociedade local.
Transcrevo aqui uma nota de Heitor Gurgel em sua obra:
"Nota IV - Um historiador apressado, cujo nome não vem à baila, confundiu Francisco do Amaral Gurgel com Bento do Amaral Coutinho e, por isso, deu a Francisco a autoria do sangrento episódio do Capão da Traição. (...) O Coronel Francisco do Amaral Gurgel não tomou parte na chamada Guerra dos Emboabas."

sábado, 17 de agosto de 2013

A sangrenta Guerra dos Emboabas (e os Amarais)

Os paulistas ficaram conhecidos por ter desbravado as terras brasileiras nas chamadas bandeiras. Numa dessas bandeiras foram descobertas as jazidas de ouro na antiga Capitania de São Vicente, e devido a tal acontecimento, a população da região cresceu bastante por causa da chamada corrida do ouro.
Tudo começou quando uma tropa descia a serra ouro-pretana de Tripui e parou para descansar a beira de um riacho, e um dos integrantes subordinados do tropeiro querendo matar a sede colocou "uma gamela numa ribanceira e sem querer roçou-a pela margem do rio, vendo depois que nela havia uns granitos da côr do aço. Nem êle e nem seus companheiros, aos quais mostrou o achado, souberam conhecer que metal seria aquêle. Descansada, a tropa seguiu seu destino e ao chegar a Taubaté, o mulato vendeu a um comerciante alguns daqueles granitos, sem saber o comprador o que comprava e o vendedor o que vendia. Só mais tarde, é que chegandos os granitos às mãos do Governador Artur de Sá é que se veio a saber que êles era ouro finíssimo". (André João Antonil).
Heitor Gurgel conta que: "Levas e levas contínuas de gente de tôdas as classes e condições, prêtos, índios, mamelucos, curibócas, portuguêses, baianos, fluminenses, mineiros e paulistas deixavam suas terras e, por caminhos ásperos iam caminhando de sol a sol, não raro pelas noites a dentro, movidos pela ambição, com destino às minas gerais dos Cataguás. A essas levas se juntavam religiosos, seculares e clérigos, homens nobres e mulheres de sangue, ricos e pobres. Ante gente de todos os estôfos morais, era de esperar-se o que aconteceu."
Tal descoberta desencadeou uma soma de fatores que por fim resultaram no conflito bélico:
  • O aumento da população em um curto espaço de tempo. A região dos Cataguás, por exemplo, chegou a ter mais de 50 mil habitantes em apenas 10 anos (!), após a descoberta da primeira mina em 1695, que foi o primeiro ano do governo de Artur de Sá Menezes na Capitania Real do Rio de Janeiro;
  • As escavações eram feitas de qualquer jeito (sem técnica), então, os leitos dos rios e ribeiras das região ficavam cheios de detritos, ocasionando focos de mosquitos, que por sua vez aumentavam surtos de doenças tropicais na população da região;
  • A escassez de gêneros alimentícios na região devido o aumento populacional e os preços altos (superfaturados) praticados em tais alimentos. A logística do abastecimento da época (distâncias), a falta de utensílios de mineração, animais de carga e até mesmo mão de obra;
  • E o principal de todos: a rixa que se criou entre paulistas e forasteiros, devido os primeiros se julgarem 'donos da terra' por conta da descoberta que fizeram, portanto, não viam com bons olhos a exploração de quem não era oriundo da região;
  • Não esquecendo a visão da Coroa Portuguesa, que percebia a descoberta das jazidas como um meio de enriquecer e reverter a crise que havia em terras lusas devido as dívidas.
O desprezo para com os estrangeiros era tanto, que estes passaram a ser denominados pelo termo 'emboabas'. Para você que não sabe (nem eu sabia), o vocábulo 'emboaba' vem do tupi-guarani mboab, e significa 'pássaro com pena emplumada'. Os indígenas chamavam os europeus dessa forma, por estes trazerem calças. Logo, emboaba passou a significar também calçudos, pernas vestidas. E os paulistas utilizavam tal termo como uma ironia, devido os 'gringos' e 'turistas (de outros estados)' usarem botas nas pernas, enquanto que eles (filhos da terra) em sua grande maioria andavam descalços.
Vale mencionar que nesse tempo, a maior parte da população paulista era formada por índios e mamelucos, e que estes falavam mais a língua tupi-guarani do quê o português lusitano daquele tempo.
João Ameal comenta que: "de Portugal partia cada vez mais gente o que levou a Côrte a instituir o passaporte obrigatório para as pessoas que se destinavam ao Brasil. Mesmo assim, em 1709, partia de Lisboa uma frota de 97 navios, a maior de todos os tempos". Isso foi um mecanismo para tentar desestimular e/ou barrar a emigração, considerando a história, isso não surtiu efeito, visto que a imigração continuava a todo vapor para as terras de além do Oceano Atlântico (o Brasil).
Gurgel ainda descreve que: "Para os trabalhos de escavação eram preferidos os negros escravos que, quando fortes, valentes e ladinos custavam 300 oitavas de ouro, ao passo que uma negra, boa cozinheira, alcançava 350 oitavas, preço também de um barrilote de vinho verde. Assim, pelos poucos escravos negros que apareciam nas Gerais, levados por seus senhores recém-chegados no Rio de Janeiro ou de Portugal, eram logo oferecidas verdadeiras fortunas, chegando um escravo angolês espadaudo e môço, de propriedade de um mascate a ser comprado por 800 oitavas de ouro. Êsse mesmo mascate deu, no mesmo dia, por uma espiga de milho, para matar a fome, 2 oitavas de ouro e vendeu facas, alviões, foices e pás que trazia por muito mais do que carecia para ter um lucro superior a mil por cento. Acima, porém, do preço pago pelo braço escravo, imprescindível ao trabalho das minas, superiores mesmo ao custo de uma boa enxada ou picareta de ferro e aço sueco o mineiro pagava (e com que satisfação!...) pelo amor, dando por uma 'uma mulata de boas partes' (Os Emboabas de S. Suannes) 800 e mais oitavas de ouro. Mas, o feijão, a carne e o sal, às vezes valiam muito mais... Por ocasião da falta de gêneros alimentícios, êsses artigos de primeira necessidade alcançavam preços inacreditáveis, pois o ouro era o que, então, menos valia..."
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Quanto a família Amaral Gurgel ou Gurgel do Amaral, envolvida com esse fato histórico, segue o primeiro membro que está ligado a esse evento.
Para colocar ordem no local, foi criado o cargo de Capitão-Mór Regente, para o qual foi escolhido o Coronel Francisco do Amaral Gurgel (1665-1721). Diogo se refere a ele como "um dos primeiros moradores do lugar e um dos mais abastados dentre êles".
Vale transcrever para cá um trecho já escrito anteriormente em outra publicação para melhor compreensão:
"Em 6/07/1706, Francisco após buscar D. Fernando Martins Mascarenhas de Lencastre, foi nomeado por ele como o mais novo Capitão-Mór Regente das Minas Gerais de Ouro Preto. Se não fosse tão rixento e cultivasse tantos inimigos (alguns bem poderosos), o Capitão-Mór teria conseguido pacificar toda a região que lhe coube dirigir, administrar e policiar. Ficou nesse posto até o ano de 1709." E vale mencionar que D. Fernando, foi governador da Capitania Real do Rio de Janeiro entre 1705-1709.
O Coronel Francisco "pacificou o distrito, cobrou religiosamente os quintos de Sua Majestade, administrou o cível e no crime, pôs na cadeia criminosos e ladrões que infestavam a região e organizou o Corpo de Milícias. Não fôssem as rivalidades existentes entre planaltinos e forasteiros, que terminaram na sangrenta Guerra dos Emboabas, o Capitão-Mór Francisco do Amaral Gurgel teria pacificado inteiramente o distrito que lhe coube dirigir, administrar e policiar."

Baseado em pesquisas e na obra de Heitor Gurgel, autor de Uma Família Carioca do Século XVI.

sábado, 10 de agosto de 2013

Origem do sobrenome Jordão (e um pouco de genealogia)

Jordão é o nome de um rio que faz a fronteira natural entre dois países do Oriente Médio: Israel (יִשְׂרָאֵל) e a Jordânia (الأردن). Esse rio é muitíssimo importante no meio religioso. Além de ser um sobrenome serfadita!
Jordão nada mais é que a tradução portuguesa do nome hebraico Yarden, que deriva da palavra "yarad", que significa: descer, correr, fluir (Dicionário de Nomes Próprios, http://bit.ly/2ybNCSS).
De acordo com o blog Coisas Judaicas (http://bit.ly/1Wlvz2z), sefardita é denominação para todos os judeus provenientes da Península Ibérica.
Como os judeus foram parar na Europa? Isso aconteceu devido a diáspora (διασπορά, cujo signficado no grego clássico é 'dispersão") no passado.
Uma das diásporas judaicas ocorre quando o então General Titus Flavius Vespasianus Augustus (filho do Imperador Titus Flavius Vespasianus) destruiu o Templo de Jerusalém (בית המקדש) em 70 d.C, esse ato foi o ápice da Primeira Guerra Judaico-Romana. Tal acontecimento fez com que os judeus se espalhassem pelo mundo. O Norte da África foi uma das regiões para onde os judeus migraram em massa, os que se deslocaram para essa região passaram a ser conhecidos como sefardins. Posteriormente migraram para a Península Ibérica, onde passaram a ser conhecidos como sefarditas. Esse conflito resultou em:
  • Aproximadamente 1.100.000 mortos (considerando os militantes e a população civil);
Outra diáspora ocorreu durante o governo do Imperador Publius Aelius Trajanus Hadrianus, quando este viajou entre 130 e 131 d.C pelo Oriente. O monarca pretendia restaurar Jerusalém conforme os moldes da cultura helenística. O estopim do confronto foi o plano de construir um templo dedicado ao deus pagão romano Júpiter (Iuppiter) no lugar das ruínas do Templo de Jerusalém. O conflito resultou:
  • Na reconstrução da cidade conforme o plano do soberano romano, passando a se chamar Colonia Aelia Capitolina;
  • Na mudança de nome da província romana Judeia (Iudeia) para Síria Palestina (Syria Palaestina);
  • Em 580 mil judeus mortos (população civil) e 985 vilas arrasadas, segundo o historiador romano Lucius Claudius Cassius Dio;
  • Além do fato de os judeus terem sido proibidos por édito imperial de praticar sua religião e costumes e também de entrarem na cidade;
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Aproveitarei para relatar um pouco mais de genealogia, todavia, focarei no filho do casal João-Maria que se casou duas vezes, já mencionado anteriormente.
O Sargento-Mór Manoel Jordão da Silva (?-1703) se casou em primeiras núpcias com Cipriana Martins (1621-?), filha de Antônio Ferreira e Juliana Martins. Tendo ela falecido, se casou em segundas núpcias com Margarida de Lima (1677-?), filha do Capitão Manoel Correa Cabral e Thomazia de Lima. Gerando os seguintes filhos dos dois casamentos:
1. Antônio Jordão da Silva (1644-?);
2. João Jordão da Silva (1647-?);
3. Isabel da Silva Jordão (1655-?) foi casada com Ezequiel Pinheiro da Silva, filho do Capitão Luiz Pinheiro Montarroyo e de Maria Vicosa. Neto paterno de Bartholomeu Pinheiro e neto materno de Antônio Vaz Vicosa e Beatriz da Silva;
4. Maria Martins Jordão (1656-?) foi casada com Antônio da Costa Moreira;

5. Cipriana Martins Jordão (1658-?) foi casada em 1680 com o português Francisco Moreira da Costa, filho de Francisco Moreira da Costa e Ignez Madeira;

6. Onofre Jordão da Silva (1658-?), irmão gêmeo de Cipriana;
7. Leandro Jordão da Silva (1661-?);
8. Bernardo Jordão da Silva (1666-?) se casou em primeiras núpcias em 1693 com Maria de Oliveira, filha de Amaro de Aguiar e Francisca de Almeida. Se casou em segundas núpcias em 1727 com Guiomar da Fonseca, filha de Balthazar Pires Chaves e Maria da Fonseca. Guiomar era viúva de Sebastião Carreiro.
9. Capitão Manoel Jordão da Silva se casou em 1676 com Phelipa de Oliveira Santiago, filha do Capitão Luiz Montarroyo e Catharina Machado;

10. Francisco Jordão da Silva se casou em 1676 com a portuguesa Francisca Valente da Cunha, filha do Capitão Simão Correa e Mariana Pereira de Abreu;
11. Ascença Martins Jordão (1680-?) foi casada com o português Francisco Garcia, filho de Antônio Garcia e Maria Catella;
12. Pedro Martins Jordão se casou em 1699 com Leonor da Costa da Cunha, filha do Capitão Manoel Correa Cabral e Thomazia de Lima;

13. Beatriz Jordão da Silva foi casada em 1680 em primeiras núpcias com Pedro da Silva Vieira (?-1695), irmão de Ezequiel de Pinheiro da Silva. E em 1697 em segundas núpcias com Manoel Vieira de Barros, filho de Domingos Coutinho e Isabel Vieira. Manoel era viúvo de Beatriz de Lemos Vieira.

Filhos do segundo casamento do Sargento-Mór Manoel:

14. Manoel Jordão da Silva se casou com Joana Barreto Pizarro, filha de José Barreto Pizarro e Margarida da Cunha Sampaio.
14.1. Catharina Maria Rosa Jordão da Silva foi casada com o português Lourenço Gonçalves de Sá Falperra, filho de Custódio Gonçalves de Sá e Felícia de Sá;
14.1.1. Maria Angélica Gonçalves de Sá (1750-1808) foi casada em 1772 com seu primo (15.1.6.) Manoel da Silva Nazaré.
14.2. Margarida Gonçaves de Sá;

15. Maria de Assumção de Lima (1701-?) foi casada em 1717 com José de Menezes, filho de Bartholomeu Cabral de Menezes e Jacinta Dias Garcia;
15.1. Josefa de Jesus de Mezeses (1719-?) foi casada em 1734 com o português Francisco da Silva Nazaré (1703-?), filho de Antônio da Silva e Maria Delgado. Neto paterno de Antônio da Silva e Isabel Madeira e neto materno de Antônio Amado e Maria Delgado;
15.1.1. Maria Inácia de Jesus da Silva Nazaré;
15.1.2. Francisco da Silva Nazaré;
15.1.3. Antônio da Silva Nazaré;
15.1.4. José da Silva Nazaré;
15.1.5. Inácio da Silva Nascimento;
15.1.6. Manoel da Silva Nazaré se casou com a sua prima (14.1.1) Maria Angélica em 1772;
15.1.6.1. Joaquim Mariano da Silva (1774-?) se casou em 1793 com Joaquina Maria Rosa da Silva, filha de Vicente Ferreira da Silva e Maria Joaquina da Silva;
15.1.6.1.1. Francisco Manoel da Silva (1795-?) se casou em Mônica Rosa do Sacramento (1799-1833);
15.1.6.1.1.1. Maria Amália da Silva (1831-1910) foi casada em 1853 com Balduíno Muniz Freire (1822-1871), filho de José Feliciano Muniz e Maria Epifânia da Ressureição;
15.1.6.1.1.1.1. Luiz Muniz Freire (1865-1929) se casou em 1891 com Etelvina Soares do Lago (1874-1964), filha de João Maria Lemos do Lago e Ursulina Maria Soares;   

Maurício Prado em Laços de Família Brasil (http://bit.ly/2f8NFrr), acredita que Manoel Jordão da Silva casado com Inácia de Jesus, tenha sido neto do Sargento-Mór Manoel Jordão da Silva (?-1703), devido o nome e os sobrenomes. Para mais detalhes acesse esse link.
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Suposições
Agora que estão bem situados no contexto histórico, irei retomar o assunto de cunho genealógico.
Seria Maria Jordão (1590-?) casada com Antônio Nunes da Silva (1585-?), uma judia descendente dos judeus expulsos ?
Provavelmente sim, isso explica as mudanças constantes de cidades... Vale ressaltar que seus filhos nasceram em locais diferentes e que na época em que ela viveu já ocorria a Inquisição Portuguesa.
Naqueles tempos viúvos deveriam apenas se casar com viúvos?
Teria sido Antônio da Costa Moreira parente de Francisco Moreira da Costa?
Teria sido Phelipa de Oliveira Santiago meia-irmã de Ezequiel Pinheiro da Silva e Pedro da Silva Vieira?
Teria sido o Capitão Simão Correa parente do Capitão Manoel Correa Cabral?
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Os deixo admirando essa fotografia do Rio Jordão (http://bit.ly/2jJw6TJ).
© Milton  G. Moody

sábado, 3 de agosto de 2013

Antiga Igreja dos Jesuítas e o antigo Morro do Castello

O grande relógio da sala de jantar bateu quatro horas da tarde, lá na casa dos pais de Domingas. Desde então sua família e convidados partiam para a (extinta) Igreja dos Padres de Jhesus (ou do Bom Jesus dos Perdões). A tradição pede que a noiva seja a última a chegar, assim o fez a donzela.
O Morro do Castelo foi o berço de São Sebastião do Rio de Janeiro, e foi em suas bases que a cidade floresceu. Esse local foi escolhido para reerguer o que viria a ser o embrião de uma futura metrópole, devido os seguintes motivos:
  • Ficar de frente com a Ilha de Seregipe;
  • Possuir uma boa visibilidade de toda a extensão da Baía de Guanabara; 
  • O movimento de entrada e saída de embarcações na entrada da barra; 
  • O local era fresco e havia uma nascente de água potável;
  • Era cercado por lagoas e manguezais, regiões que dificultariam o seu acesso;
A intenção era a de criar uma boa defesa para o caso de uma nova invasão e estar preparado com antecedência para o ataque, se fossem avistados navios de inimigos.
Não havendo mais para onde crescer e não existindo mais perigo, a cidade se expandiu para além do morro entre as planícies dos outros morros (de São Bento, de Santo Antônio e da Conceição).
Existiam histórias pitorescas e muitas especulações sobre a existência de grande quantidade de ouro pertencente aos jesuítas, que estaria escondida em túneis subterrâneos. Talvez este seja um dos motivos que levou indivíduos gananciosos a proporem a demolição do morro.
Desde o reinado de D. João VI de Portugal, já se pensava em demolir o morro por causa da má circulação dos ventos e do impedimento do livre escoamentos das águas, não esquecendo que era uma região habitada por pessoas carentes em plena área central.
Muitos anos se passaram desde quando tal ideia foi concebida na corte real (...) até que em 1921, o Morro do Castelo foi devastado sob ordem do então prefeito do Distrito Federal da época, Carlos Sampaio. A região ficou conhecida como 'Esplanada do Castelo' e lá se foram 184 mil m² de terra para diversas regiões, entre elas, o Aeroporto Santos Dumont.
O morro que já teve os nomes de 'Descanço', Alto da Sé, Alto de São Sebastião, São Januário e depois Morro do Castelo. No seu cume haviam duas igrejas (atualmente demolidas), uma delas tinha na sua porta: a inscrição '1567' (ano de sua construção e da mudança Cara de Cão-Descanço).
Não foi o primeiro desmonte de morro no que chamam 'Cidade Maravilhosa' (...), não é esse o foco desse texto (quem estiver interessado há bastante conteúdo disponível nos mares virtuais).
O que essa gestão passada fez com o antigo Morro do Castello é imperdoável, visto que, uma cidadela quinhentista com ar medieval em pleno Brasil já não existe mais. As autoridades daquela época trataram o berço de uma das primeiras cidades do país como algo descartável, tudo em prol da mentalidade progressista daqueles tempos, um verdadeiro absurdo para os dias atuais. Semanticamente escrevendo foi uma apunhalada ao patrimônio histórico, artístico e cultural da nação brasileira.

Baseado em pesquisas, principalmente: site Diário do Rio (http://bit.ly/2jbw2uf) + o blog Curiosidades Cariocas (http://bit.ly/2iLa2n2) + o blog Viagens ao Rio antigo (http://bit.ly/2jnAP9H) + o blog Histórias e Monumentos (http://bit.ly/2jIoUqg).

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Antiga Igreja dos Padres de Jhesus por volta de 1918. Registro de Augusto Malta.
Caro leitor, o deixo apreciando esse registro fotográfico quase centenário de um pedaço de Rio que não existe mais, e que é possível apenas conhecer pesquisando sobre tal assunto.
Foi nessa igreja que se iniciou a numerosa e antiga família dos Gurgel do Amaral ou Amaral Gurgel (como preferir denominar).