sexta-feira, 31 de maio de 2013

Francisco Gurgel do Amaral = Militar temido = Negociante bem-sucedido = Bad-boy

Muitos séculos já se passaram, e a obscuridade ainda estar a rondar a sepultura deste vulto histórico. Segundo o autor de uma Família Carioca do Século XVI, não foi possível encontrar registros de nascimento, óbito, batismo ou mesmo matrimônio. E sem estes documentos, as imprecisões reinam.
O que diferencia mais esta 'lenda' das lendas, são as muitas menções em documentos da centúria, Códices do Arquivo Nacional, do Conselho Ultramarino e nos Anais da Biblioteca Nacional e da Estadual, sem contar com as menções em obras já consagradas sobre a história do Brasil.

Que rujam os tambores! Senhoras e senhores vos apresento um dos primos do Dr. Cláudio, o Coronel Francisco Gurgel do Amaral (1665-1721). De acordo com a Nobiliarquia Paulistana, Francisco é tido como irmão inteiro de Bento do Amaral da Silva (ás vezes seu irmão assinava assim), marido de Escholástica de Godoy, o que fundou a família na Paulicéia e que é frequentemente confundido com o seu primo Bento do Amaral Coutinho. Acho que acabei desfocando por um instante a filiação de Francisco. Prosseguindo, Pedro Tasques (autor do livro acima citado) ainda menciona que Francisco era irmão do Frei Antônio de Santa Clara, e também das freiras Izidora do Amaral, Maria Josefa do Amaral e Marta do Amaral (professas no Convento de Santa Clara de Lisboa, Portugal) e também do Frei Luiz de Santa Rosa (http://bit.ly/1uzi94E).

Após essa leitura (aos que acompanham meu blog ou que conhecem bem a história desta família), o que se deduz é que Francisco era filho de Domingas do Amaral da Silva, filha de Méssia, portanto bisneto de Toussaint Grugel.
Assim como no caso de seu primo, pouco se sabe sobre a juventude de Francisco, a não ser é claro o que foi registrado nesta fase da sua vida: as suas muitas 'travessuras' na companhia de irmãos, primos e amigos, e que lhe deram má fama. (Parando pra pensar, para os padrões de hoje, Francisco podia ser considerado enquanto moço, um verdadeiro bad boy). Esses atos infratores acabaram por lhe agregar a autoria de alguns delitos, mas a imagem que fazem dele é demasiadamente exagerada.

A crônica policial lista dois importantes momentos de sua trajetória:
•  Em 1685 é incriminado como provável cúmplice no assassinato do Provedor do Erário Real, Pedro de Souza Pereira, o Môço. Mesmo não tendo participação no caso, achou prudente fugir para Inhomerim, na Baixada Fluminense, onde encontrou seu primo, o Dr. Cláudio e amigos deste (Vieira Fazenda). Tempos depois, quando questionado pela saída da cidade, Francisco disse um provérbio árabe: "nas tempestades de areia todos os camelos são iguais" (Anais da Biblioteca Nacional, vol. 13). Pois o crime foi praticado por um de seus consanguíneos, Bento do Amaral da Silva (seu irmão) e outros mais, segundo Vieira Fazenda.
•     Em 1692, ele, seu irmão Bento, o fluminense Luiz Corrêa e "30 índios assaltaram as fazendas de alguns moradores, levando-lhes seus escravos." O Rei D. Pedro II de Portugal mandou prendê-los (Carta Régia 24-11-1692), mas o Governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, Luiz César de Meneses não pode, já que foram pra São Paulo (Vieira Fazenda).

Após um período de liberdade de puro Carpe diem (frase de um poema de Quintus Horatius Flaccus), Francisco passa a ter a sua existência atrelada as funções públicas, que coincidem com os momentos que o colocam definitivamente na história do Brasil:

1.    Pelo que parece, em 1700, Francisco já era um minerador e tanto em Ouro Preto, se levada em consideração a passagem: "de vários ribeiros e da negociação com roças, negros e mantimentos, fêz Francisco do Amaral Gurgel mais de cinqüenta arrôbas" conforme Cultura e Opulência do Brasil, André João Antonil (http://bit.ly/15prFf2).

2.    Graças a sua riqueza, chegou a deter o Monopólio da Carne Verde entre o período 1701/06. Perdeu o posto para os paulistas chefiados pelo famoso e não menos invejoso (rs) Anhanguera II, Bartolomeu Bueno da Silva. Apesar de muito insistir nessa "queda de braço", o monopólio foi parar nas mãos do Frei Francisco de Menezes (também conhecido como o Frade Satânico) e de Pascoal da Silva (possível parente de Francisco). Percebendo que perdeu, se refugiou em uma de suas muitas fazendas, a do Bananal, perto de Vila Rica (atual Ouro Preto).

3.    Em 6/07/1706, Francisco após buscar D. Fernando Martins Mascarenhas de Lencastre, foi nomeado por ele como o mais novo Capitão-Mór Regente das Minas Gerais de Ouro Preto. Se não fosse tão rixento e cultivasse tantos inimigos (alguns bem poderosos), o Capitão-Mór teria conseguido pacificar toda a região que lhe coube dirigir, administrar e policiar. Ficou nesse posto até o ano de 1709 (os detalhes desse episódio serão descritos de forma mais detalhada em algum momento futuro).

4.    Mas isso foi por pouco tempo, logo mais era nomeado Capitão-Mór de São Vicente, em substituição do Capitão-Mór José de Goes Morais. Apesar do ambiente agressivo (os paulistas queriam derrubá-lo), se manteve indiferente até sua exoneração em Maio de 1710, não por conta da oposição e sim em virtude da extinção desta donataria. Consequentemente é tido como o último Capitão-Mór, dos loco-tenentes representantes das donatarias de São Vicente (Os Capitães-Mores Vicentinos, obra de Francisco de Assis Carvalho Franco). Não encontrei uma versão online, apenas uma ficha catalográfica da Biblioteca Nacional de Portugal (http://bit.ly/12UdAEN), espero que vocês tenham mais sorte.

5.    Um mês foi o tempo que ficou sem função pública, pois em 16/06/1710 era nomeado como Capitão-Mór da Vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty. Penso que foi o mais benéfico dos seus cargos, pois desde 1702 já possuía fazendas e um importante empório comercial, com muitas tropas e tropeiros que faziam viagens até as Minas Gerais, através da Serra do Facão, levando víveres e trazendo quintos reais. O que lhe rendeu elogios do Rei D. João V de Portugal. Apesar de afastado da região, Francisco ainda explorava uns lavradios auríferos em sua Fazenda do Bananal, o que o fez acumular fortunas sobre fortunas, fornecendo gêneros alimentícios, escravos, fumo, aguardente, pás, picaretas e enxadas aos mineiros, graças ás suas tropas e tropeiros.

6.    Francisco assim como parentes, não era de levar desaforo pra casa, querendo vingar-se das afrontas que sofrera em São Paulo, propôs ao Rei D. João V de Portugal a compra da Capitania de São Vicente por $ 40.000 cruzados, proposta essa que inclusive chegou a ser discutida no Conselho Ultramarino, é o que cita Afonso d'Escragnole Taunay, em História Geral das Bandeiras Paulistas (http://bit.ly/10EXkJD).

7.    Em Setembro de 1710, quando o corsário francês Jean-François Duclerc (?-1711), antes de invadir o Rio de Janeiro, quis desembarcar em Angra dos Reis ou Paraty, Francisco, valente que era se pôs a defender a cidade, trazendo de seus domínios rurais: homens armados, o que lhe valeu em 12 de Dezembro o seguinte elogio tornado público para conhecimento e gratidão do povo pelo Governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, Francisco de Castro Morais: "Tendo respeito ao honrado procedimento com que sempre se houve Francisco do Amaral Gurgel, no serviço de Sua Majestade havendo servido nos postos de Sargento-Mór de Ordenanças de São Paulo, Capitão-Mór e Superitendente das Minas Gerais e Provedor dos Defuntos e Ausentes em várias vêzes mandou conduzir por seus escravos os reais quintos de Sua Majestade e em cujas ocupações se houve sempre com muito zêlo e despendeu de sua fazenda e, pela sua pessoa e qualidades se faz digno de maiores emprêgos; e, na ocasião em que esquadra francesa invadiu essa cidade, no dia 19 de Setembro último, o sobredito Francisco do Amaral Gurgel vindo de Paraty, de sua fazenda com 120 escravos armados para defender a cidade de Paraty, ameaçada com o possível desembarque do inimigo, fazendo trincheiras e pondo nelas três peças de artilharia tudo a sua custa, e animando o povo paratiense ante a invasão que parecia iminente e por êle um sujeito capaz e benemérito HEI por bem prover e nomear por especial mercê a Francisco do Amaral Gurgel para o cargo de Coronel com exercício de Capitão-Mór de Paraty, com tôdas as honras, e privilégios comuns a tão alto cargo" (Códice LXXVII, Vol. 21 - Arquivo Nacional).

8.    Um ano depois (1711), Francisco realiza um novo feito. Saia ele de Paraty "com 580 homens armados a sua custa e veiu defender o Rio de Janeiro, já então em poder das aguerridas tropas de Duguay Trouin. Ao chegar, porém, Francisco encontrou a cidade pràticamente tomada pelos franceses e o Governador tão apavorado que, depois de enterrar caixões contendo baixelas e utensílios de ouro e prata, o chamou confiando-lhe os restos da infantaria para com ela proteger a retirada dos que ainda estavam na praça". Tendo conhecimento desse comando, "Duguay Trouin se dirigiu a Francisco perguntando se êle queria tomar a sua conta o ajuste da capitulação da cidade já que o primeiro intermediário, o Vereador Manuel de Souza Coutinho falhara na missão". Tudo isso de acordo com Memórias Históricas do Rio de Janeiro, de Monsenhor Pizarro (http://bit.ly/17SKNHz).

9.    Pra não passar por cima de autoridade, "Francisco mandou perguntar ao Governador, que continuava em Iguaçu, se êle poderia receber tal comissão. Francisco de Morais respondeu dando-lhe permissão para ajustar os têrmos finais da capitulação o que escandalizou de sorte o Mestre de Campo, João de Paiva, que logo começou a queixar, que não era justo que um homem de Paraty, viesse concluir um negócio  que êle havia principiado". Percebendo um conflito de interesses, o Coronel "recusou-se conversar sôbre o ajuste com o inimigo, logo na manhã seguinte porque, mandou êle arrogantemente dizer ao chefe francês: semelhantes ajustes não se costumam fazer debaixo de armas, mas que para isso não faltaria ocasião". Até que o D-Day chegou, já que recebera nova autorização do Governador que lhe mandou dizer que "não duvidava em lhe fazer a vontade em tudo, sem contradição alguma". Prestigiado, ele virou as costas para os adversários para concluir a capitulação da cidade, "enquanto não se entregava o dinheiro foram dados como reféns, o citado Mestre de Campo, João de Paiva e o Juiz de Fora, Luiz Fortes Bustamante de Sá" (Monsenhor Pizarro).

10.    Nos conta Monsenhor Pizarro, que chegando no Rio, Francisco se envolveu em outras batalhas contra os franceses. Na que travou na Rua Direita, a combateu com um punhado de homens, uma guarda avançada do inimigo vencendo-a e fazendo prisioneiros. (Penso eu que foi pra vingar e honrar sua família). Pois dias antes de tal feito, a alguns passos dali "os franceses festejaram ruidosamente com luminárias e outras demonstrações públicas, a morte de Bento do Amaral Coutinho que expirou de armas em punho, combatendo destemerosamente as hostes de Duguay Troin (Vieira Fazenda).

11.    E por mais uma vez, esta família (os Amarais) foram honrados. O Conselho Ultramarino e o próprio Rei de Portugal reconheceram "que um e outro poderiam obrar muito mais se não fosse a inércia do Governador". Francisco recebeu tempos depois , em meados de 1712, uma carta do Conselho Ultramarino em nome de D. João V de Portugal, "agradecendo-lhe a fidelidade, zêlo e valentia que mostrou em defesa da praça, e (que mais valeu a Francisco) perdoando todos os crimes imputados a êle, até aquela data" (Códice LXXVII, Vol. 21 - Arquivo Nacional)
*Esta passagem se refere aos Amarais (Bento e Francisco) e ao Governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho.

11.    Em 29 de Junho de 1712, perdeu o cargo de Capitão-Mór de Paraty para o seu parente Félix Correia do Amaral. Tudo não passou de uma vingança do Governador Antônio de Albuquerque que além de o detestar, "ficara indignado com o perdão real que puzera por terra as devassas que êle mandara levantar sôbre a vida pregressa de Francisco, não só no Rio de Janeiro, como em Minas, Bahia e S. Vicente".
Tendo sido exonerado, Francisco se retirou da vida pública para cuidar de seus negócios e amores é o que consta em, História Antiga das Minas Gerais e Memórias sobre a Capitania de Minas Gerais, obras de Diogo Vasconcelos. O restante da sua vida, não relatarei aqui pois se fazem necessários para construir a biografia de outros membros de minha família.

Baseado em pesquisas e na obra de Heitor Gurgel, autor de Uma Família Carioca do Século XVI.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Brasão de Armas e a Origem das Famílias Queirós e Ramalho

A história destas duas famílias está emaranhada, ao menos é o que se especula quando analisados os dois brasões de armas. A única diferença de um para outro é a mudança de cores do leão do escudo.
O Armorial Lusitano confirma isso ao citar que os da família de Quíros (grafia espanhola de Queirós) tem por ancestral o Príncipe Constantino, filho dos Imperadores de Konstantinoúpolis e de sua mulher, Dª. Galinda Bernardo, que é filha de D. Bernardo del Cárpio e de Dª. Gosinda, que por sua vez é filha do conde D. Sancho Díaz de Saldaña e da Infanta Dª. Jimena (ou Ximena), que é filha do Rey D. Froila (ou Fruela). 
Os linhagistas por varonia fazem como 4º neto do casal tronco Constantino-Galinda, Gonçalo Bernardo de Quíros, sexto Senhor de Quíros nas Astúrias, cavaleiro da Ordem da Banda, Conde de Santo Antolim, embaixador do Rei D. Henrique II de Portugal ás cortes da Inglaterra em 1373, e libertador da cidade espanhola de Oviedo, que se encontrava sobre o jugo do Conde de Valença, pelo que ficou seu governador. Gonçalo teve de Dª. Maria de Nava, filha dos condes de Nava: Guterre Gonçalves de Quíros, sétimo Senhor de Quíros nas Astúrias, Conde de Santo Antolim, alferes-mor do Rei D. João I de Portugal, durante a batalha de Aljubarrota, trazia a bandeira real nos braços que foram cortados na ocasião, pelo que então a trouxe nos dentes até a sua morte. O soberano português concedeu aos filhos que Guterre teve Dª. Sancha Queixada, filha dos senhores de Vila Garcia, Condes de Pena Flor a regalia de ele e seus descendentes serem enterrados na capela real de Toledo e fez mercê de poderem apresentar o arcediago de Gondim na Sé de Oviedo.
Os genealogistas fazem de Fernando Álvares de Queirós, fidalgo galego, irmão consanguíneo de Gonçalo, que foi a Portugal quando D. Fernando I lá já reinava. Para mais informações, acesse o site Sabe somos parentes (http://bit.ly/16iwwDP).
E isto faz sentido, já que segundo o Armorial Lusitano, quando este passou a terras lusitanas, o soberano reinante citado lhe concedeu mercês de uns pisões e azenhas no termo do Alcácer do Sal em 20/11/1378. Algum tempo depois, o Rei D. João I de Portugal deu ao fidalgo galego os senhorios de da Guarda e de Valhelhas. Fernando teve de Dª. Elvira de Castro (filha de D. Álvaro de Castro e de Dª. Maria Ponce de Leão): João de Queiróz que morreu sem geração, por morte de seu irmão Dª. Leonor Álvares de Queiróz ganhou as vilas de Valhelas e Barrelas, foi casada com Vasco Fernandes de Gouveia, alcaide-mór de Castelo Branco, senhor de seus direitos reais, e de Valhelas, Almendra, Castelo Bom, Lorica, Alvoco da Serra, Verdelhos e Gouveia.
O casal Vasco-Leonor teve João de Gouveia (dono de todas as terras de seus pais) que se casou com Leonor Gonçalves de Ataíde e teve: Ana de Gouveia que foi casada com Gonçalo Anes de Ramalho que tiveram por filho, Fernão Álvares de Queiróz, que por sua vez é pai de Branca Anes de Queiróz, que foi casada com Gonçalo de Queiróz (isto no século XV).
E é destas últimas três uniões citadas, que os Ramalho passaram a usar as armas dos Queiróz, com a devida mudança de cores.
O sobrenome Quíros possui origem toponímica por derivar da cidade espanhola de mesmo nome.
  • Concejo de Quíros, situado na Comunidade Autônoma do Principado de Asturias;
O escritor espanhol Xosé LLuís García Arias (1945-) acredita que o sobrenome Quíros deriva da palavra romana kar que significa pedra ou rocha. Porém não descarta que derive do antigo proprietário romano de tais terras, Caridosus.

Escudo d'Armas dos Queiróz: esquartelado: o 1º e o 4º de prata, com seis crescentes de vermelho, 2, 2 e 2;  o 2º e o 3º de prata, com um leão vermelho. Timbre: o leão do escudo.
Escudo d'Armas dos Ramalho: esquartelado: o 1º e o 4º de prata, com seis crescentes de vermelho, 2, 2 e 2;  o 2º e o 3º de prata, com um leão de púrpura. Timbre: o leão do escudo.

Fonte: Armorial Lusitano, págs. 455-457, 460.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

O Armorial Lusitano


Esta obra de Afonso Eduardo Martins Zúguete, já está na 4ª edição. A que conheço é a 3ª edição (1987) em volume único de capa dura de 733 páginas de pura genealogia, história, heráldica e nobiliarquia luso-brasileira. Encontrei esta versão online do Armorial Lusitano no seguinte link (http://bit.ly/1a554KG).

Abaixo a lista de sobrenomes presentes em tal obra:

terça-feira, 14 de maio de 2013

Detalhes do casamento de Domingas de Arão do Amaral

O casamento é a união entre um homem e uma mulher pela lei dos homens (civil) e/ou pela lei de Deus. Muitos matrimônios terminam em festas, que por sua vez foram planejadas durante semanas e meses a fio. Se baseando em costumes da época e pesquisas, o autor Heitor Gurgel de Uma Família Carioca do Século XVI, descreveu o casamento da mãe dos Gurgel do Amaral ou Amaral Gurgel, filha do casal luso Antônio Diogo & Michaella.

Domingas, cercada de mucamas e amigas, deixava-se levar pela costureira que lhe experimentava no corpo, para os últimos retoques, o sonhado vestido de noiva. Dentro da casa, a azáfama era grande. Na cozinha, larga e espaçosa, pôsto que de terra batida e telha vã, negras escravas preparavam o jantar festivo. Já estavam prontos, em pratos de barro cozido, os pombos de salsa negra, os patos de piverada, frangões fritos, pernas de porco estofadas em vinho branco, peitos de vitela recheiados com linguiça, leitão assado, galinha à Fernão de Souza, feita com pedaços de carneiro, de toucinho, gemas de ovos e chouriços, um dos mais apreciados pratos da cozinha portuguêsa da época. Além das trutas preparadas a lisbonense, tão do agrado dos gourmets de então e da apreciadíssima muqueca de peixe, dos enormes guaiamús cozidos no próprio casco, como só os índios sabiam preparar, dos salpicões e dos perus de salsa real, havia ainda, em pratarrazes enormes, assados de carne de baleia, de vaca em manguito e à alemoa, tudo regado com bastante môlho de marfim ou do remolado. Um ou outro legume, mas em compensação sobravam as mandiocas, as farinhas d'água, da macaxeira e os beijús de mandioca puba. No aparador, soberba peça de madeira de lei vinda da Bahia, estavam os doces e as frutas. O delicioso pudim real, os fôfos sonhos, os esfarinhentos pães de ló, as compotas caseiras e as frutas da terra, entre as quais, os doces cajús e as pitangas tão apreciadas, e mais as peras e maçãs chegadas do Reino na véspera. Três ou quatro qualidades de queijo, além do afamado queijo da Serra da Estrêla. Entre as bebidas, os vinhos vindos de Lisboa e a rescendente cachaça que fazia ao verdasco séria concorrência. Para a indiada, e mesmo para alguns brancos e curibócas, havia o pertubador cauim.
[...] A noite foi festiva. No amplo terreno que servia de quintal, todo enfeitado com bandeirolas de papel de sêda e tendo o chão atapetado com fôlhas de mangueira, os escravos da casa e os que haviam vindo com os convidados dançavam o lundum acompanhados pelos atabaques, cazás, e agôgôs. Mais adiante, depois da senzala, afastados de todos, os índios da casa se reuniram e festejaram também a seu modo o grande dia, dançando e cantando ao som de seus estranhos instrumentos de percussão, os quelieques e herenchediocas acompanhados das flautas de bambú. Nos dois salões, após a suculenta janta, os pares rodopiavam, animados por um conjunto de violões, guitarras e sanfonas, até a alta madrugada. (...) Se alguém chegasse perto daquela casa onde reinava a alegria e tivesse ouvido para a música, poderia distinguir entre os sons de violões, guitarras e sanfonas, uma melodia nostálgica, dolente, triste como um lamento e, uns outros sons, estrídulos, quase onomatopaicos, destituidos de beleza melódica para ouvidos civilizados. As três raças formadoras do brasileiro, o branco, o prêto e o índio tocavam e dançavam... (páginas 42 e 43).

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Breve histórico da Ladeira da Misericórdia

Em 1567, era (re)fundada a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro no Morro do Descanso, referenciando o merecido local de sossego após a vitória definitiva dos portugueses e a reconquista da terra da mão de invasores franceses.
Foi nesse mesmo ano que surgiu o mais antigo logradouro deste município brasileiro: a Ladeira do Descanso, que ficou eternamente conhecida pelo nome atual, quando surgiram as edificações que viriam a compor o chamado Largo da Misericórdia.
A Ladeira da Misericórdia nasceu no topo do Morro do Descanso, posteriormente conhecido como Morro São Januário e por fim (e quem diria que teria um triste fim): Morro do Castelo, pois em seu topo existia a Fortaleza de São Sebastião que parecia um castelo.
Aos poucos o Morro do Castelo ficava sem espaço, porque era uma verdadeira cidadela medieval pelo fato de ser murado. A cidade precisava crescer para além dos limites desses muros devido o aumento populacional.
Foi por causa da necessidade de expansão, que a ladeira tocou a várzea pela primeira vez, dando início a Rua da Misericórdia (antes conhecida como Caminho de Manuel de Brito, porque se estendia até a sesmaria pertencente a este cidadão, numa península que ficou conhecida pelo nome de Praia de Nossa Senhora, depois Prainha).
Em 1617, tanto a rua quanto a ladeira ganharam arruamento em pé-de-moleque (também nome de um doce), antiga técnica para calçar vias públicas. Infelizmente, desde 1922, só restam 40 metros de calçamento, feito com muito suor, sangue e lágrimas de escravos africanos, que andavam descalços, o que tornava ainda mais penoso o labor, coadjuvados por mulas.
Tudo indica que o que restou da Ladeira da Misericórdia, só foi poupado para sustentar as paredes da sua antiga vizinha, a Santa Casa de Misericórdia que forma um conjunto arquitetônico com a Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso (a princípio conhecida como Igreja da Misericórdia).
Muitos pensam que o que sobrou não leva a lugar algum (pelo fato de ter se tornado um trecho sem saída), o que não é verdade, se levado em consideração que ela leva a um passeio daqueles tempos em que por ela subiam e desciam os moradores do Morro do Castelo, em que "o íngreme, desigual, o mal calçado da ladeira mortificavam os pés às duas pobres donas" da obra Esaú e Jacó, lançada em 1904 pelo escritor Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908).
Nos dias de hoje, a ladeira pede misericórdia, pois está abandonada a própria sorte: pois algumas de suas pedras estão soltas, o mato cresce em tamanho ofuscando sua beleza, o lixo nela se acumula, e a noite é frequentada por moradores de ruas que a transformam em banheiro. Mesmo com os muitos protestos em seu nome, as autoridades cariosas pouco parecem se importar com a melancólica e nostálgica ladeira que resistiu ao arrasamento do monte.
Foi por esse aclive/declive que os convidados do casamento de Domingas-Toussaint se puseram a andar, não sem antes passar pela praia mal cheirosa, pisando em poças d'água pútrida para então enfrentar a escorregadia Ladeira da Misericórdia.

Ladeira da Misericórdia, Rio de Janeiro em 1844, pintura de Eduard Hildebrandt.

Baseado em pesquisas em fontes diversas: site do Marcílio (http://bit.ly/1wFkC4r) + matéria do Jornal O Globo (http://glo.bo/1chXoHn) + artigo do site Rio & Cultura (http://bit.ly/1vWlu3W).

terça-feira, 7 de maio de 2013

Ruas de São Sebastião do Rio de Janeiro

"Quantum mutatus ab illo." Aeneis de Publio Virgilio Marone.

Gerson Brasil em História das Ruas do Rio de Janeiro (http://bit.ly/1Dds6ta), conta que em 1590, já existiam as Ruas da Misericórdia (o traçado da rua atual, não é o daquele tempo), da Ajuda (que ia até onde hoje está a Biblioteca Nacional) e do Cotovelo (foi destruída) que terminava na atual Rua de São José, quase em frente à Rua do Carmo. Para facilitar as construções, Salvador de Sá permitiu que os "moradores e funcionários do govêrno, auxiliados por índios mansos, levantassem habitações onde bem lhes conviessem, surgindo aqui e ali, ao gôsto de cada um, casas de taipa, cobertas de telhas ou tijupares tendo por teto fôlhas de palmeiras." Naquela época não havia planejamento urbano no país, então as construções eram livres.
O perímetro urbano de São Sebastião do Rio Janeiro era além da Praia de Piaçaba, já ia pela Praia de Nossa Senhora do Ó até o lugar que teve sucessivamente, os nomes de Lugar do Terreiro da Polé, Praça do Carmo, Terreiro do Paço, Largo do Paço, Praça Pedro II e, por fim Praça 15 de Novembro.
A Rua Direita (atual Rua Primeiro de Março) tem esse nome por conta das construções que surgiram em seu entorno quase que em linha reta. Por conta da expansão para o interior da mata, surgiu uma abertura que por falta de nome foi nomeada Desvio do Mar.
"... a rua do Ouvidor, tão sorbeba e vaidosa que é, teve sua origem de um desvio..." Memórias da Rua do Ouvidor de Joaquim Manuel de Macedo.
A chamada Rua Desvio do Mar, manteve este nome até o começo da última década do século XVI, quando então passou a ser Rua Aleixo Manuel, pelo fato de nela residirem um português e a sua mulher que construíram a Capela de Nossa Senhora da Conceição no Morro de São Bento, posteriormente entregue aos frades beneditinos, proprietários da sesmaria que ia até à Prainha (atual Praça Mauá).
Vieira Fazenda menciona que entre os Morros de São Bento e do Castelo "cordeou-se, na década de 1600-1610, o Caminho da Praia de Manuel Brito". Os contornos da cidade não iam além do Campo do Rosário, na Rua de São Pedro, hoje desaparecida, uma vez que foi absorvida pela Avenida Presidente Vargas.
Vivaldo Coaracy em O Rio de Janeiro no Século XVII (http://bit.ly/1BwX9OG, e quem diria, está a venda na Saraiva & Siciliano. Ôba!), conta o que talvez tenha sido o começo da urbanização da cidade, isso quando em 1610 a Câmara determinou que "tôda e qualquer pessoa que tivesse casa na frente de rua, a fizesse calçar a sua testada, dentro de seis meses, com quinze palmos de largo, sob pena de multa de 6$000 réis".
O povo daqueles tempos achava ruim ter que morar no morro, uma vez que já não havia mais o perigo de os índios os atacarem. Gastão Cruls expressou em sua obra, o sentimento de inconformação daquela povoação de outrora quando se deparava com o morro "sem ter pela frente a escarpa íngreme e escorradia, nem sempre se encontrava qualquer cousa que se quizesse comprar, das muitas podiam ser adquiridas. Um pouco de farinha, uma peneira ou um abano feito pelos índios. Tudo teria que se procurar na praia, onde já se fazia pequeno comércio com as canoas vindas dos engenhos e das roças visinhas". E foi por conta disso ocorria a mudança para a várzea (a Praia da Piaçaba foi aterrada alguns séculos depois).
São Sebastião do Rio de Janeiro era em 1620 "um grande charco e havia lagoas e brejos por todos os lados" (que já não existem devido 'o pensamento progressista' dos cariocas que não respeitam os traçados da natureza, SIM, isso foi uma crítica). Por causa de todo esse contexto, os habitantes da cidade estavam confinados a "um pequeno quadrilátero irregular cujos vértices eram os Morros do Castelo (foi arrasado), S. Bento, Santo Antônio (boa parte foi desmontada) e Conceição e que era a zona sêca".
Heitor Gurgel conta que haviam duas lagoas, a "do Boqueirão (entre os Morros de Santo Antônio e Santa Tereza, aquêle, hoje, derrubado)" e a Grande, depois denominada de Santo Antônio, a maior de tôdas, eram como que um prolongamento de charcos e alagadiços que iam se pôr em contato com o mar na Rua da Prainha. A Lagoa do Boqueirão foi aterrada com o desmonte do Morro das Mangueiras e se tornou o primeiro parque do país e das Américas, o Passeio Público. Para mais informações acesse o site Rio de Janeiro Aqui (http://bit.ly/1vT8mN0). Quanto ao desmonte do Morro de Santo Antônio, serviu para criar o Parque Brigadeiro Eduardo Gomes (http://bit.ly/1LfVHJX).
A respeito da Lagoa de Santo Antônio, Gastão Cruls explica que por ser muito profunda e extensa "era a preferida pelos índios que nela se banhavam e corriam com suas leves ubás". 
Heitor comenta que "para secar êsses alagadiços e lagoas que se construiu muito mais tarde, uma extensa vala ligando diretamente a Lagoa de Santo Antônio ao mar, na altura da Prainha, como depois, anos mais tarde, construiu-se um cano de pedra, com três palmos de fundo por quatro de largura, ligando a mesma lagoa ao mar, na Praça 15, por não ser suficiente a vala que ia dar na Prainha. Essa vala corria mais ou menos onde hoje é o traçado da Rua Uruguaiana e o cano de pedra deu origem a uma rua chamada do Cano e que é a atual Rua 7 de Setembro.
Termino esse texto, deixando abaixo algumas curiosidades relacionadas a minha família:
  • Foi numa casa da Praia de Manuel Brito, construída de pedra e argamassa feita com cal do Reino e azeite de baleia, bem vistosa e uma das melhores da época que viveram os pais de Domingas de Arão Amaral, e onde ela e seus irmãos nasceram. 
  • E foi na antiquíssima Rua Desvio do Mar que foram morar depois de casados Toussaint Grügel e Domingas, e onde também nasceram seus sete filhos. 
P.S.: O Rio de Janeiro é o quinto dos infernos (me refiro ao clima) que é hoje, muito provavelmente em decorrência das inúmeras mudanças feitas nos últimos séculos pela mentalidade do que foi/é tido como 'civilizado' para os cariocas. Já não existem mais lagoas, pântanos, mangues, charcos, morros e florestas como naquele tempo...

"Planta da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro com suas
fortificaçoens" de Jean Massé, 1713.

Baseado em pesquisas e na obra de Heitor Gurgel, autor de Uma Família Carioca do Século XVI.

sábado, 4 de maio de 2013

Retificação

Estava lendo minhas publicações anteriores quando percebi algo!
Quando tratei da família de Domingas (pais e irmãos) mencionei a obra de Aldysio Gurgel do Amaral, Na Trilha do Passado que poderia me fornecer mais informações.
Já há algum tempo tenho esse livro em mãos, ainda não explorado aqui no blog, quando chegar o momento de citá-lo, o farei.
Enquanto isso não ocorre, continuarei 'viajando no tempo' e a escrever sobre as minhas raízes.
Sem mais delongas, não encontrei tantas novidades nesse livro sobre esse assunto (as origens), uma vez que já possuía tais informações. Só pra contar, isso não significa que achei a obra desinteressante, muito pelo contrário, a achei riquíssima, tendo em vista que é mais focada no ramo nordestino.
Espero ter mais sorte quando tiver acesso a obra de Miguel Santiago Gurgel do Amaral, Porteiras e Currais.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Primórdios de São Sebastião do Rio de Janeiro

Foi durante o reinado de Henri II de France que nasceu a idéia da França Antártica (...), o chefe do Partido Calvinista, o 1º Comte de Coligny, Gaspard II pretendia dar um lar para o seus correligionários, para que esses pudessem prosperar e viver em paz, longe das perseguições que sofriam no país.
O conde sugeriu ao rei que Nicolas Duran de Villegaignon, Cavaleiro de Malta e Vice-Almirante da Bretagne fundasse uma colônia em terras brasileiras, na Baía de Guanabara. Vale ressaltar que na época, os portugueses pouco pareciam se importar com o recém-descoberto Brazil.
O Rei D. João III de Portugal, ficou sabendo de tais pretensões, para proteger este pedaço de seu império, pediu que o 1º Governador-Geral do Brasil, D. Duarte da Costa que tratasse desse assunto, porém este não dispunha de recursos para expulsar os franceses.
O monarca português pouco tempo depois morria, deixando apenas um herdeiro, seu neto D. Sebastião I de Portugal que possuía apenas três anos, quatro meses, e vinte e dois dias de idade. Sua avó, Dª. Catarina d'Aústria ficou na regência, até que o infante pudesse governar. E assim ficava o Brasil esquecido durante algum tempo.
Anos depois, Dª. Katharina von Habsburg era pressionada pelo Governador-Geral do Brasil da época, Mem de Sá e pelo Conselho Ultramarino a tratar de tais acontecimentos em terras longínquas. Somente assim, Dª. Catarina enviou uma armada para que se combatesse os invasores e "castigasse os índios de tal maneira que servisse de exemplo a outros, cujos intentos se dirigissem a levantar contra os portuguêses", os índios desta passagem são aliados dos franceses: os tamoios que não eram escravizados e nem obrigados a trabalhar, de acordo com História do Brasil de Pombo Rocha (http://bit.ly/1BAS62d).
Somente em 1560, três anos depois, saía da Bahia uma armada de oito a nove navios que se juntou com outros enviados da Vila de Porto dos Santos com destino a Baía de Guanabara, chegando em 21 de Janeiro do mesmo ano para combater o invasor. Lá chegando encontraram pouca resistência (Villegaignon estava na Europa em busca de gente, víveres e de apetrechos de guerra e de lavoura), apesar de não conseguirem desalojar os calvinistas instalados e nem por fim "as guerras contínuas dos índios do continente que impediam que se povoasse o lugar", conforme Aparência do Rio de Janeiro de Gastão Cruls (não encontrei a obra, mais uma vez espero que tenham mais sorte do que eu).
Em 1564, Mem de Sá, considerando as circunstâncias solicitou à rainha mais homens, naus e armas para vencer o inimigo de uma vez por todas (os franceses voltaram). No fim do mesmo ano, as forças solicitadas da Coroa Portuguesa chegavam, sobre o comando de Estácio de Sá, sobrinho do 3º Governador-Geral do Brasil (Mem de Sá).
No dia 1º de Março de 1565, Estácio de Sá fundava a cidade que viria a ser a segunda mais populosa do país: São Sebastião do Rio de Janeiro. Estácio ergueu uma paliçada defensiva no istmo do Morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar, que posteriormente virou a Fortaleza de São João (que felizmente existe até os dias de hoje, vale ressaltar que boa parte do passado colonial dessa cidade foi "apagado" para todo o sempre).
Gastão Crulz conta que no fim do século XVI, a sede da cidade mudou de lugar. Tal mudança ocorreu a mando de Men de Sá, logo após a vitória sobre os franceses e tamoios na Ilha dos Maracajás (outrora tendo sido chamada de Ilha Paranauã pelos índios Termiminós) . Aos poucos a Vila Velha (como ficou conhecida a primeira sede) foi abandonada, uma vez que todos se mudavam lá para as bandas do Morro do Descanso, posteriormente chamado de Morro do Castelo, pois era mais amplo e de lombada quase plana do quê o Morro Cara de Cão, além de ser o pouso mais procurado pelas naus por possuir o pontal que veio a se chamar Calabouço [não existe mais, uma vez que virou o futuro Aeroporto Santos Dumont (SDU) com os restos do desmonte do Morro do Castelo].
Pouco tempo depois da morte do fundador da cidade, "começaram a surgir baluartes e fortes bem artilhados, a igreja dos padres da Companhia de Jesus, a Casa do Conselho de Vereança, já assobradada, cadeia, armazém da Fazenda Real e as primeiras casas de moradia" (tais construções já não existem, foram destruídas no ano de 1921, em nome do que chamam de 'progresso').
Men de Sá deu esse nome a cidade (São Sebastião do Rio de Janeiro) por três motivos:
  1. Homenagem ao rei de Portugal;
  2. Vitória final sobre os franceses que ocorreu na tarde do dia 20 de Janeiro de 1567, dia do santo;
  3. Estava "cumprindo o voto feito pelo Capitão-Mór Estácio de Sá" (Monsenhor Pizzarro);
O Governador-Geral Mem de Sá voltava para Salvador da Bahia de Todos os Santos (capital do Brasil naqueles tempos), deixando em 1569, o governo da nova cidade com outro sobrinho, Salvador Corrêa de Sá e de nomear gente de confiança para ocupar cargos diversos da administração da cidade.

Baseado em pesquisas na enciclopédia colaborativa online Wikipédia e na obra de Heitor Gurgel, autor de Uma Família do Século XVI.