domingo, 31 de março de 2013

Os Ramalhos (e os primeiros Amarais)

Escrever sobre uma família se torna uma tarefa árdua, quando se pensa apenas nas longas e antigas linhagens (e entediantes, porque não? :P) que iniciam com alguém que fundou a família.
Então como poderei começar esse parágrafo sem ser assim? (Sendo que possivelmente posso não descender desta? Mas se for, seria uma honra e tanto)
Antes de começar a redigir, gostaria de deixar claro que descreverei 'vagamente' esta família para então 'fundamentar' minhas teorias.
Em pesquisas pela internet, achei um artigo de Djamira Sá Almeida no site WebArtigos (http://bit.ly/1CZPSc3), um artigo no site da Unesp de autoria de Pablo Nogueira (http://bit.ly/aVUarK) e também o site de biografias Vidas Lusófonas (http://bit.ly/1H1BhDz).  Estas fontes descrevem as origens desta família como que sendo um tanto enigmáticas aqui em nossas terras.
Um breve resumo sobre o fundador desta antiga família brasileira: o português João Ramalho (1493-1580), era filho de João Velho Maldonado e Catarina Afonso de Balbode. João já fora casado com Catarina Fernandes das Vacas (isso em 1510), chegou no Brasil, antes de 1513. Fundou a povoação do que viria ser a Vila de Santo André da Borda do Campo em 1553
Figura histórica, descrito por escritores, cronistas, inclusive em cartas de jesuítas. O que poucos sabem (ou ignoram) é que muitos de seus descendentes se casaram com parte da futura nobreza paulistana que fez parte das bandeiras. 
Para começar, ninguém sabe ao certo como ele veio parar aqui nas terras descritas pelo renomado escritor brasileiro Antônio Gonçalves Dias (1823-1864) na poesia Canção do Exílio. 
Voltando ao assunto, o Rei D. João III de Portugal estimava tanto o nobre D. Martim Afonso de Sousa, que o enviou para as distantes terras do Brasil para que lá se fizesse implantar o bem-sucedido sistema de capitanias hereditárias
D. Martim navegou ao longo de todo o litoral brasileiro até a foz do rio da Prata, onde sobreviveu a um naufrágio, como desdobramento de sua missão, retornou à região do que viria a ser a Capitania de São Vicente aos Vinte e Um de Janeiro de 1532, quando teve uma surpresa! Ao desembarcar imaginara encontrar indígenas ariscos, mas avistou um homem branco vivendo no meio deles de forma pacífica, era João Ramalho, que posteriormente recebeu do nobre, o título de Alcaide-Mór e Guarda-Mór de Santo André da Borda do Campo de Piratininga.
Apesar do português ter explicado pro nobre lusitano as circunstâncias que o trouxeram aqui, estas infelizmente não foram registradas pela história, então os historiadores sugerem duas plausíveis teorias:
  1. Ou o navio em que ele estava naufragou; 
  2. Ou ele foi degredado;
Bem, há quem defenda que o náufrago português era marrano (nome dado aos judeus convertidos ao Cristianismo que viviam em Portugal), isso é o que prova o escritor Henrique Veltman, autor da obra Os Hebraicos da Amazônia (http://bit.ly/2x9Di0L), na qual relata que Horácio de Carvalho, jornalista e diretor do Diário Oficial do Estado de São Paulo, sempre dizia isso a respeito de João Ramalho: “sim, é judeu”. O sinal encontrado na assinatura do velho paulista nada mais seria do que um káf, letra do alfabeto hebraico. O geógrafo Teodoro Sampaio concorda com a tese. Isso sustenta as teorias 1 e 2. 
Sendo ele degredado, ou seja, aprontou algo, portanto receberia como punição o desterro num lugar considerado inóspito (o Brasil Pré-Colonial que ainda era 'inabitado', desconhecido e misterioso pelo Velho Mundo). Vamos imaginar um pouco? E se o motivo fosse o fato de ser judeu? No período em que viveu em Portugal, os marranos eram vistos com maus olhos...
Ou como Pablo sugere: talvez ele não tivesse aprontado nada e fosse apenas um judeu pobre tentando sobreviver numa sociedade que detestava judeus, até mesmo aqueles que renegavam o judaísmo. Num gesto de desespero ou de astúcia, ele saiu da Europa em busca de um lugar melhor.
O oceano Atlântico é conhecido desde a Idade Média como o Mar Tenebroso já que suas águas são as mais agitadas se comparadas com os outros conhecidos naquela época. (Pense nisso!)
Retomando, João Ramalho aqui chegando deve ter chamado a atenção por ser tão diferente, e quem sabe ter sido considerado um deus. Sendo assim, o cacique Tibiriçá, chefe da tribo dos Guaianases na colina Inhapuambuçu para agradar o 'deus', ofereceu sua filha Potira (cujo nome significa flor), conhecida como Bartira pelos portugueses. Os dois tiveram o casamento realizado pelo Padre Manuel da Nóbrega (1517-1570), e a bela jovem foi (re)batizada como Isabel Dias. Do matrimônio nasceram oito filhos de acordo com o testamento do próprio João Ramalho, comentado na versão online de "Genealogia Paulistana" de Luiz Gonzaga da Silva Leme (http://bit.ly/1BtluY5) + (http://bit.ly/15FJmw5): 
  1. André Ramalho, o mais velho;
  2. Joanna Ramalho, foi casada com o português Jorge Ferreira, Cavaleiro Fidalgo da Casa Real, que em terras brasileiras ganhou o título de Capitão-Mór da Capitania de Santo Amaro (depois Capitão-Mór e Ouvidor da Capitania de São Vicente em 1566) (com descendência).
  3. Margarida Ramalho;
  4. Victorio Ramalho (ás vezes grafado como Victorino), foi assassinado pelos índios;
  5. Antônio de Macedo;
  6. Marcos Ramalho;
  7. João Ramalho (ás vezes grafado como Jordão);
  8. Antônia Quaresma;  ____________________________________________________________________
  9. Catharina Ramalho, foi casada com o português Bartholomeu Camacho (com descendência);
  10. Beatriz Ramalho, foi casada com o português Lopo Dias, de quem foi a primeira mulher (com descendência);
Catharina e Beatriz podem ter sido frutos da união de João com alguma irmã de Potira, de qualquer forma devido a escassez de documentos é impreciso afirmar algo.
Intrigante são os sobrenomes diferentes dos seus filhos Antônio e Antônia, que em nada lembram o de seu progenitor.
Gilberto Freyre, autor de Casa Grande e Senzala explica que, o homem português (dos tempos antigos) é um apreciador nato da pele morena, e a seguinte citação reafirma isso: "As índias nuas do Brasil lembravam  aos portuguêses a figura da moura encantada, tipo delicioso de mulher morena de olhos pretos que lhes ficou no subconsciente do longo contato que êles tiveram com os mouros". E isso faz sentido, pois o povo mouro ocupou a península ibérica por muitos séculos.
E aqueles que pertenceram as antigas nações indígenas, devido a sua inocência (se comparadas com outros povos) andavam despidos ou seminus e isso era facilitado (me refiro ao relacionamento sexual entre europeus e povos nativos do Brasil), já que "os índios não se agastavam com o fato de sua companheira tomar outro homem" (Gilberto Freyre). 
Percebendo os costumes dos nativos e não havendo resistência, teve muito provavelmente vários filhos ilegítimos já que queria agradar aos demais caciques e estabelecer vínculos, ao receber (coabitar com) suas filhas. Muitos de seus filhos talvez sejam desconhecidos para a história brasileira, já que não havia o controle sobre os registros históricos no que viria a ser um dia uma grande nação.
O pirata Ulrich Schimedel em 1553, ao passar por Santo André, conta que achou João Ramalho no sertão, escravizando índios. Se você parar pra pensar, o tráfico de escravos foi por ele inaugurado, e foi ele quem fez a Vila de São Vicente ser conhecida como um Porto dos Escravos, e fez de São Paulo, uma das cidades mais importantes do sul do Brasil. 
O Padre Manuel Nóbrega em suas cartas escrevia que a vida de Ramalho era uma verdadeira "petra scandali", pois tem muitas mulheres, e tanto ele como os seus filhos andam com as irmãs (de suas esposas) e tem filhos delas. Vão à guerra com os índios e seus gestos são de índios e assim vivem, andando nus como os mesmos índios. Posteriormente, o Padre Nóbrega mudou de opinião, pois seguiu o ditado latino "Si fueris Romae, Romano vivito more" (Em Roma, sê romano).
Para não alongar muito o texto, esta é apenas uma parte da história desta família.

P.S.: Há uma curiosidade que merece ser destacada: o sobrenome de João é Maldonado, por causa de seu pai. Mas, devido a barba espessa e longa que possuía, João ganhou a alcunha de Ramalho,que se tornou o seu sobrenome e o de sua prole.
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Suposições

Estas hipóteses são baseadas apenas na minha intuição e no meu faro genealógico, são algumas peças soltas na minha árvore genealógica;

1. Clara de Arão Amaral Molete (aprox. 1604-?), casada com o português Prudêncio Ramalho (?-1653), filho de João Vaz Ramalho e Apolônia Alves, com descendência:
1.1. João Ramalho (1619-?).
1.2. Francisco Ramalho (1620-?).
1.3. Baltazar Ramalho (1622-1653).
1.4. Prudêncio Ramalho (1624-1660).
1.5. Bartolomeu Ramalho (1628-?).
1.6. João Ramalho (1630-?).
1.7. Marta Ramalho (1634- ?).

O que me intriga é o fato de Prudêncio (de ascendência portuguesa) ter vindo para a mesma região onde os Ramalhos já eram uma poderosa família. Seria um encontro de família? Lembre-se que a origem de João Ramalho é um tanto misteriosa e que ele era português.

2. Maria do Amaral Gurgel (1607-1671), foi casada em primeiras núpcias com Antônio Ramalho (1591-1631), filho de Francisco Ramalho e Maria Mendes, com descendência (já citada).

Nenhum historiador/genealogista cita as origens do primeiro marido de Maria, portanto ele pode ser um provável descendente de João Ramalho. E famílias poderosas não firmavam casamentos e sim alianças (políticas) por meio dos matrimônios. Cito esse famoso dito germânico: Bella gerant alii; tu, felix Austria, nube ["que outros guerreiem (enquanto) tu, feliz Áustria, concluis casamentos"]. A propósito essa filha de Domingas (espero que isso fique claro) é constantemente confundida como que sendo matriarca da descendência de uma de suas primas, a Clara (citada acima), quando na verdade não é.

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João Ramalho por Jayme Leão (1952)

sábado, 30 de março de 2013

Desabafo genealógico

São poucos os que gostam de aspirar o pó de livros velhos e empoeirados ou ficar na internet por horas a fio pesquisando sobre quem já nem vivo estar, com o intuito de desvendar suas origens genealógicas. E quando ocorre tal interesse, é impressionante o quanto, os muitos de um número já bem reduzido de afeiçoados pelo assunto, apenas se contentam em traçar linhagens para quem sabe esbarrar em figuras históricas ou nobres.
Se esquecendo, que corre também em suas veias o sangue de gente simples. 
Há ainda os que se preocupam apenas em descobrir seus ascendentes diretos, ignorando os seus ''co-parentes'' (os irmãos de seus avos e os descendentes destes, por exemplo). Quão tolos são! Perdem a chance de desenterrar partes da sua história. 
Não seria surpreendente descobrir por exemplo que Chica da Silva (1732-1796), foi filha de uma das irmãs de uma ancestral seis gerações antes de você?
Ou que o chefe dos Tubinanbás, Taparica foi o pai da cunhada de algum antepassado direto?
Ou quem sabe, descobrir que o primo do seu tatatatataravô pertence a família que fundou o município onde você mora?
Ou sem querer perceber que sua 25ª avó pertence a um ramo pouco conhecido de alguma casa real?
Se eu pudesse e se tivesse bastante recursos traçaria uma linhagem longínqua até os meus ancestrais mais remotos. Mas tenho de me conformar com as minhas limitações. Não é uma cultura de todos os povos registrar a vida dos mais humildes (escrevo sobre os tempos passados, por favor não me interpretem de forma errada). E lá se vai a biografia de alguém que viveu muito antes de você, se perder com a memória dos mais velhos.
O interesse em genealógica deve ser como essa conversa (foi só um pouco modificada) que tive recentemente com a prima Maria Amaral Godoy no Facebook:
Ela: A parte interessante para mim, não é somente a genealogia, mas a nossa raiz cultural, nosso comportamento de anos atrás, do que decorre o que somos.
Eu: o/
Ela: Não somos um, somos muitos!
Eu: Detesto esses comentários: "pra que tu quer saber quem foi o teu tatatatataravo?" e coisas do tipo.
Ela: Nem me perguntam mais. Mas me perguntaram estes dias.... de que adianta saber que você é a 22ª neta de Inês de Castro? Eu (ela) respondi >>>> a diferença é que eu sei e os outros não sabem.
Eu: \o/
Termino esse texto com o seguinte pensamento (abaixo):
"Lendas deixam de ser contadas. Tradições e costumes caem em desuso. Receitas deliciosas de família somem."

Os clãs brasileiros

A família era tudo, nada menos. Seguindo a tradição da época em que os portugueses se instalaram no Brasil, a família não se compunha apenas apenas de marido, mulher e filhos. Era um verdadeiro clã, incluindo esposa, eventuais (e disfarçadas) concubinas, filhos, parentes, padrinhos, afilhados, amigos, dependentes e ex-escravos. Uma imensa legião de agregados submetidos à autoridade indiscutível que emanava da temida e venerada figura do patriarca. Temida, porque possuía o direito de controlar a vida e as propriedades de sua mulher e filhos; venerada, porque o patriarca encarnava, no coração e na mente de seus comandados, todas as virtudes e qualidade possíveis a um ser humano.
[...] E quem era esse patriarca orgulhoso, a quem se submetiam tudo e todos? Era o grande senhor rural, proprietário de terras incomensuráveis, onde se plantavam as bases da economia brasileira: café, cacau, cana-de-açúcar e outras grandes lavouras. Era ele que desde os tempos coloniais e imperiais presidia a única ordem perfeita e íntegra da sociedade brasileira: a organização familiar. Não havia comunidades sólidas, sindicatos, clubes ou outros órgãos que congregassem pessoas de interesses similares (com exceção, das igrejas/paróquias e as câmaras políticas); A família, a grande família patriarcal, ocupava todos esses espaços. E o que não fosse provido por ela representava um corpo estranho e indesejável. O próprio Estado, que enquanto ordem pública deveria estar acima das questões familiares, esbarrava nestas quando necessitava intervir. Mas os governantes sabiam que essa família exclusivista, dobrada sobre si mesma e solidamente organizada, era, por sua vez o sustentáculo do Estado, pois impedia que a população, tão escassa e quase nômade, se pulverizasse neste imenso país.
(...). A unidade da família devia ser preservada a todo custo, e, por isso, eram comuns os casamentos entre parentes. A fortuna do clã e suas propriedades se mantinham assim indivisíveis sob a chefia do patriarca.
[...] Até mesmo as linhas de parentesco, tão caras à sociedade patriarcal, só se tornavam "efetivas" quando provinham do homem. Desse modo, a mulher perdia a consanguinidade de sua própria família de origem, para adotar a do esposo. Isso quando a família da mulher não era mais importante e tradicional. Ás vezes ocorriam sucessivos casamentos entre membros de diferentes famílias, o que acabava por fundi-las. Mas com a chegada da República, o mundo da casa-grande e da senzala iria esboroar-se, tempos esses em que o progresso tirava o longo sono colonial. (...) Acompanhando o crescimento das cidades e a chegada da nova era, uma parte das velhas famílias patriarcais abandonam a vida do campo e migram para as grandes cidades.
(...) Pouco a pouco, o patriarca é obrigado a se relacionar com os outrora indesejáveis elementos "de fora". Os filhos serão matriculados em escolas para que no futuro não se furtem do título de ser 'doutor'. Um dia, torna-se mais conveniente que o primogênito se case, não mais com aquela obscura priminha remediada, mas com a filha de um riquíssimo banqueiro da capital. Essas chamadas razões do coração respondiam bem aos interesses da família. Tanto a aristocracia da terra como as novas elites emergentes procuravam circunscrever os casamentos de seus filhos e filhas nos estreitos limites de sua própria camada social.
Eles próprios são forçados a ampliar seus negócios nos centros urbanos, para que o patrimônio não sucumba à nova maré do progresso. Eles passam a aplicar dinheiro em outras atividades, além da fazenda.

Trechos retirados do livro, Nosso Século 1900/10, Volume 1 da Editora Abril.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Sangue luso-teuto-franco-brasileiro

Relato aqui a descendência do casal tronco Toussaint-Domingas, até a geração de seus netos. Talvez esteja faltando um ou outro descendente (ou não), talvez tenha alguma data errada (ou não). Há algumas especulações pessoais, sendo que essas baseados em pesquisas, em livros de genealogia e em alguns sites que tratam de genealogia.
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1. Maria do Amaral Gurgel (1607-1671), foi casada primeiramente em 1621 com Antônio Ramalho (1591-1631), filho de Francisco Ramalho e Maria Mendes. Ficando viúva, foi casada em segundas núpcias em 1634 com o Capitão Diogo da Fonseca (1604-1686), filho de Francisco Alves da Fonseca e Paula Rodrigues. 

1.1. Maria Gurgel Ramalho (1623-1648), foi casada em 1645 com Manoel Aranha.
1.2. João Gurgel Ramalho (1625-?).
1.3. Domingas Gurgel Ramalho (1626-?).
1.4. Simão Gurgel Ramalho (1628-?).
1.5. Prudência Gurgel Ramalho (1630-?).

1.6. Padre Francisco Álvares da Fonseca (1634-1703). 
1.7. Ana do Amaral Gurgel Fonseca (1636-1703), foi casada em 1662 com o Capitão Diogo Cardoso de Mesquita.
1.8. Padre Manoel dos Anjos Fonseca Nóbrega (1638-?).
1.9. Paula Gurgel Fonseca (1642-?).
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2. Padre Francisco do Amaral Gurgel (1610-1692). Figura histórica. Ele celebrou o casamento de todas suas irmãs (e também as direcionou para homens de boas famílias). Devido ter sido clérigo, não houve descendentes e/ou se houve, não são conhecidos devido o contexto religioso da época. Pertenceu a ordem de São Pedro.
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3. Isabel do Amaral Gurgel (1613-1654), foi casada em 1634 com o francês Claude Antoine Besançon (1604-1677), filho de Antoine Besançon e Jeanne de Sollier. Ficando viúvo, Claude Antoine, se casou posteriormente com Maria Carvalho (1650-1702).
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4. Ângela do Amaral Gurgel (1616-1695), foi casada em 1635 com o português Capitão João Batista Jordão (1605-1689), filho de Antônio Nunes da Silva e Maria Jordão. O irmão do Capitão João se casou com uma das irmãs de Ângela.

4.1. José Gurgel do Amaral (1640-?).

4.2. Maria Gurgel Jordão (1641-?), foi casada em 1655 com o Tenente João Dias da Costa, filho de Francisco Dias Frade e Theodozia da Costa.

4.2. João Batista Gurgel Jordão (1643-1729), se casou em 1673 com Mônica de Oliveira, pais de uma filha falecida solteira (e com identidade desconhecida por mim).

4.3. Manoel Gurgel do Amaral (1646-?).

4.4. Isabel Gurgel Jordão (1650-?), foi casada em 1665 com o português João Campos de Matos (1642-?), filho de Manoel de Matos Rodrigues e Maria Rodrigues.
4.4.1. Cláudio Gurgel do Amaral, Procurador em Lisboa e Fidalgo da Casa Real, se casou com a portuguesa Brites Teresa de Melo.
4.4.2. José Correia Gurgel do Amaral, Juiz de Fora em Valença do Minho e Juiz dos Órfãos do termo de Lisboa e Ouvidor da Comarca de Sergipe de El-Rei. Se casou com Micaela Caetana de Almeida, filha do Capitão-Mór Miguel Monteiro de Sá e Maria Lobo de Souza, irmã de Manuel Lobo de Souza. Seu filho foi quem requisitou o brasão de armas, alegando ser de família de sangue puro, livre das nações infectas.

4.5. Ângela Gurgel Jordão (1651-?), foi casada em 1674 com o português Francisco Correia Leitão (1644-?), filho de Braz Correia Leitão e Maria de Matos.
4.5.1. Sebastião Gurgel do Amaral (1698-1746), se casou com uma prima distante, Isabel Viana do Amaral (1703-1773), filha do Tenente-Coronel Salvador Viana da Rocha e Antônia Correia do Amaral (com descendência).

4.6. Dr. Cláudio Gurgel do Amaral (1654-1716), figura história, se casou em 1684 com Ana Barbosa da Silva (1664-1695), filha de Thomé da Silva e Antônia de Oliveira.
4.6.1. Manoel Gurgel do Amaral (1685-?). Faleceu ainda menino.
4.6.2. Alferes José Gurgel do Amaral (1688-1722). Figura histórica, foi enforcado em Salvador, Bahia depois de fugir por ter assassinado João Manoel de Melo, devido a rixa de sua família (isso inclui o seu pai) com o Governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, Francisco Xavier da Távora.
4.6.3. Teresa Barbosa Gurgel do Amaral (1691-?).
4.6.4. Maria Gurgel do Amaral (1694-?), foi casada com David Lopes de Barros (1681-?). Esse casal é considerado o tronco do ramo nordestino da família Gurgel do Amaral ou Amaral Gurgel.
4.6.5. Francisco Gurgel do Amaral, citado nas entrelinhas de uma nota da página 77 do livro "Uma Família Carioca do Século XVI". A página 66 também faz referência ao mesmo Francisco (filho de Cláudio).
"(...) Tão pouco poderia ser ser o nosso biografado filho de Cláudio Gurgel do Amaral, que têve um varão com êsse mesmo nome, porque já em 1665 se tinha a primeira notícia sobre Francisco. (...)"
* Essa nota se refere ao Coronel Francisco Gurgel do Amaral (1665-1721).
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5. Méssia do Amaral Gurgel (1617-1687), foi casada em 1640 com o José Nunes da Silva (1611-1698), nascido no Brasil. É irmão de João Batista do Jordão.

5.1. Antônia de Jesus Amaral e Silva, foi casada com Simão Correia Cabral (?-1710).
5.1.1. José Correia do Amaral (único filho do casamento).

5.2. Domingas do Amaral da Silva (1640-?), foi casada com em 1663 o português Coronel Manuel Martins Quaresma (1633-1690). Esta senhora é frequentemente confundida como que sendo uma filha do casal tronco (Toussaint-Domingas), quando na verdade é neta destes. Seu marido foi um senhor de engenho no Rio de Janeiro.
5.2.3. Francisco Nunes do Amaral (1669-?), se casou em 1697 com Romana Paes Ferreira (1677-?), filha de Antônio Macedo de Almeida e Maria Paes Ferreira.
5.2.5. Helena da Conceição Nunes do Amaral (1683-?), foi casada com o Capitão Baltazar da Fonseca Homem (1673-?), filho de Baltazar Pires Chaves e Maria da Fonseca.

5.3. Capitão-Mór Bento do Amaral Gurgel (1647-1719), se casou em 1690 com Escholástica de Godoy (1670-1725, filha de Antônio de Godoy Moreira e Anna de Lima e Moraes.
5.3.1 Ana Maria Godoy do Amara Gurgel (1703-1779), casada em 1719 com o Capitão Inácio Dias da Silva (?-1722), filho do Brigadeiro Domingos Dias da Silva e Leonor de Siqueira
5.3.2 José Godoy do Amaral Gurgel (1704-?), se casou em 1730 com Escolástica de Arruda Ferraz.
5.3.3 Francisco Godoy do Amaral Gurgel (?-1760).
5.3.4 Guilherme Godoy do Amaral Gurgel, se casou em 1732 com Escolástica da Silva Missel (1698-1737), filha de Antônio Pacheco Missel e Maria Blanca da Silva. Escolástica era viúva de Álvaro Bicudo Neto.
5.3.5 Bento Godoy do Amaral Gurgel.
5.3.6 Méssia Godoy do Amaral Gurgel, casada com o Dr. Manuel Bezerra Cavalcanti (?-1784), filho de Miguel Bezerra de Vasconcelos e Brígida de Figueirôa.
5.3.7 Isidora Godoy do Amaral Gurgel (?-1749), casada com José dos Reis Ribeiro, filho de Antônio Gonçalves Ribeiro e Maria Leme da Silva.
5.3.8 Inácia Godoy do Amaral Gurgel, casada com o Mestre de Campo Antônio Leme da Silva (?-1746), filho de Manoel Delgado da Silva e Úrsula da Cunha Pinto. Antônio casou em primeiras núpcias com Isabel Pereira de Faro, e em terceiras núpcias com Maria Pedroso da Silva, filha de Antônio Rodovalho e Felipa de Barros Freire. Maria era viúva de Manoel da Silva Leme.
5.3.9 Antônio Serafim Godoy do Amaral Gurgel.
5.3.10 João Godoy do Amaral Gurgel (?-1727).
5.3.11 Escolástica Godoy do Amaral Gurgel, casada com Paulo Carlos da França.

5.4 Coronel Francisco do Amaral Gurgel (1665-1721), figura histórica, segundo o autor de Uma família carioca do século XVI, um historiador o confundiu com Bento do Amaral Coutinho, o real responsável pelo Capão da Traição contra os paulistas. Apesar do Coronel Francisco não ter tomado partido neste episódio, ao longo de sua trajetória se tornou temido pelos portugueses.
5.2.4. Joana Quaresma do Amaral, foi casada em 1698 com o Capitão André de Souza Cunha (1675-1730), filho de Pedro Martins e Maria da Cunha.
5.5 Frei Antônio de Santa Clara (do Amaral), religioso franciscano.5.6 Freira Izidora do Amaral (era confessa no Convento de Santa Clara de Lisboa, Portugal).
5.7 Freira Marta do Amaral (era confessa no Convento de Santa Clara de Lisboa, Portugal).
5.8 Freira Maria Josefa do Amaral (era confessa no Convento de Santa Clara de Lisboa, Portugal).
5.9. Frei Luiz de Santa Rosa (do Amaral), provincial dos franciscanos.
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6. Bárbara do Amaral Gurgel (1619-?).
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7. Antônia do Amaral Gurgel (1622-1671), foi casada em 1646 com o português Dr. Antônio de Azevedo Roxas (1616-1675), filho de Afonso João Roxas e Antônia Azevedo. Com geração:

7.1. Padre Francisco do Amaral Roxas (1647-1679).

7.2. Maria do Amaral Gurgel Roxas (1649-1682), foi casada em 1673 com o português Tenente-Coronel Félix Correia de Castro Pinto de Bragança (1643-1702), filho de Antônio Correia Pinto de Bragança e Joana de Freitas. Esse militar também se casou anteriormente com Isabel Borges, freira do Convento de Odilevas (esse primeiro matrimônio, o levou ao Santo Ofício por bigamia e logo foi resolvido em Lisboa, Portugal) e se casou pela terceira vez com Isabel Correia da Silva, filha de André Mendes da Silva (que por sua vez é avô paterno de Antônio José da Silva, O Judeu).
7.2.1. Antônia Correia do Amaral (1677-1752), foi casada em 1702 com o português Tenente-Coronel Salvador Viana da Rocha (1664-1729), que era filho do Capitão Domingos Gonçalves da Rocha e Francisca Antônia de Souza e também meio-irmão paterno de Roque Gonçalves da Rocha. Salvador era viúvo de Catarina Nunes.
7.2.3. Helena de Jesus Correia do Amaral (1678-?), foi casada em 1707 com um viúvo, marido de uma de suas primas, o Capitão Felipe Soares Louzada.
7.2.2. Maria Antônia Correia do Amaral (1682-?), foi casada em 1707 com o Capitão André de Souza Cunha (1688-1730). Ele também se casou com Joana Quaresma do Amaral.

7.3. Antônia do Amaral (1651-1708), foi casada em primeiras núpcias em 1673 com Gonçalo de Castro Peixoto (1643-1676). Enviuvando, foi casada em 1676 com o português Capitão Antônio Rodrigues Tourinho (1646-1687), filho de Domingos Rodrigues e Antônia Tourinho. Enviuvando novamente foi casada em terceiras núpcias em 1688 com o Capitão Francisco Gomes Ribeiro.
7.3.1. Frei João do Rosário Peixoto (1674-?).

7.3.2. Dr. Antônio Rodrigues Tourinho (1678-1708).
7.3.3. Padre Francisco Gurgel de Araújo Tourinho (1680-1731).
7.3.4. Inácio Gurgel Tourinho (1681-1699).
7.3.5. Gracia Gurgel Tourinho (1683-1705), foi casada em 1703 com o Capitão Felipe Soares Louzada (1676-1746), filho de Nicolau Soares Louzada e Joana Vieira. Ficando viúvo, ele se casou em 1707 com Helena de Jesus Correia do Amaral (1678-?).
7.3.6. José Gurgel Tourinho (1686-?).

7.4 João do Amaral Roxas (1652-?).
7.5 Sebastião do Amaral Roxas (1660-?).

terça-feira, 12 de março de 2013

Gourgues x Gurgel

Uma análise do brasão de armas da família Gurgel remete (devido a semelhança) ao de uma antiga família de navegadores franceses, os Gourgues. Se baseando nessa teoria, os historiadores/genealogistas acreditam que Toussaint Grügel tenha sido um possível irmão mais novo do nobre francês, Dominique de Gourgues.
Dominique entrou para história, por ter sido o capitão do exército que em 1568 massacrou espanhóis no norte da antiga Florida. Três anos antes, o Rei D. Felipe II de España por ser católico fervoroso, e em nome da sua fé (e também motivado pela política), queria proteger suas províncias dos hereges. Por causa disso, o monarca espanhol promoveu uma série de matanças nas proximidades do Fuerte Carolina, Florida, pois lá viviam huguenotes (franceses protestantes) que refugiavam-se no Novo Mundo por causa das perseguições na Europa. Com sede de vingança, e a serviço do Roi Charles IX de France, vendeu parte dos seus pertences e com mais algum dinheiro emprestado do seu irmão, Antoine de Gourgues, contratou uma tripulação e três barcos. Navegou até Cuba nas Antillas Españolas com duzentos homens, chegando lá, comunicou a tripulação o objetivo da sua viagem, que logo concordou. Então partiram para o vilarejo espanhol e logo se aliaram ao chefe tribal Saturiwa, da tribo Timucua (antigos moradores dessa região). Feito isso, renderam o Fuerte Carolina e massacraram todos os prisioneiros, tudo não passou de uma 'resposta ao passado' (venganza/vengeance). Logo depois, Dominique retornou a França. (http://bit.ly/1thNnlE). Pouco se sabe sobre a vida de Dominique (antes ou depois desse ato histórico), apenas que:
  • Nasceu em 1537 na cidade de Mont-de-Marsan, Gascogne, France e faleceu em 1593, na cidade Tours, Touraine, France. 
  • Era o terceiro filho do casal, Jean de Gourgues, seigneur de Gaube e Montlezun e Isabelle du Tau. 
  • Foi pai de Claude de Gourgues.
  • Servia ao Roi Charles IX de France e também ao 3º Duc de Guise, Henri I.
  • Aprendeu a lutar quando ainda era um menino.
  • Era um viajante nato, serviu a Coroa Francesa na Escócia, África, América do Sul (inclusive no Brasil) e também na Itália. Sendo que na cidade italiana, Sienne, Toscane foi capturado em 1557 por espanhóis e enviado para uma galé (um antigo tipo de barco movido a remo). Posteriormente foi capturado por turcos. Foi liberto por malteses. Dizem que se tornou um membro da l'ordre de Saint-Jean-de-Jérusalem.
  • Outras versões, afirmam que ao ser capturado pelos espanhóis, fugiu. E que antes da fuga era forçado a cozinhar como um escravo, sempre sendo rudemente tratado.
Considerando a história, Toussaint tinha motivos suficientes para mentir o seu real sobrenome. Já que os portugueses eram aliados dos espanhóis, vale lembrar dos sucessivos casamentos entre os monarcas ibéricos, sem contar com a fracasso da França Antártica.
O sobrenome francês Gourgues é bem "similar" ao alemão Gürgel. Os portugueses grafaram o nome de Toussaint como Tocem, (...) então porque não ouviram o sobrenome de outra forma?
Estas e outras questões, talvez um dia se confirmem ou não. Respostas estas enterradas no túmulo do patriarca dos Gurgel do Amaral.
Algo intrigante (para pensar): Toussaint foi o único detido na Vila de Cabo Frio que teve o direito de permanecer no Rio de Janeiro, Brasil e desposou a mão de uma jovem de boa linhagem. Vale também ressaltar que Toussaint estudou, somente os nobres tinham acesso a educação na chamada Era Moderna.
Um de seus descendentes, requereu o brasão de armas justificando que a família não tinha o sangue de nenhuma nação infecta, o Amaral (por Domingas) e o Gurgel (por Toussaint) que se parece com as armas dos Gourgues. Coincidência demais, não? 

P.S.: Se algum dia (isso se) souberem onde ele e Dominique estão enterrados, seria possível fazer testes de DNA e encontrar soluções/respostas;

Texto baseado numa das muitas conversas genealógicas do Ancestry Rootsweb (http://bit.ly/12pgfKL) e na enciclopédia colaborativa online Wikipédia.
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Stephen A. Schwarzman Building / Print Collection, Miriam and Ira D. Wallach Division of Art, Prints and Photographs

A (DES)conhecida família de Domingas

Gurgel do Amaral ou Amaral Gurgel que se preze (rs), sabe de cor e salteado que os pais da matriarca de Domingas, são de origem portuguesa, D. Antônio Diogo do Amaral (1550-?) se casou em 1576 com Michaella de Jesus Arão (1555-?), natural da região do Alentejo. O que poucos sabem (ou desconhecem) é que tiveram outras filhas, sendo:

1. Isabel de Arão Amaral (1578-1640), foi casada em 1599 com Sebastião Lopes (1570-1622):
1.1. Bárbara do Arão Amaral (1600-?) foi casada em 1615 com João Nogueira (?-1651). Pais de:
1.1.1. Antônio Amaral Nogueira (1616-?).
1.1.2. Salvador Amaral Nogueira (1618-?).
1.1.3. Beatriz de Arão Amaral Nogueira (1621-?), foi casada em primeiras núpcias em 1640 com Gaspar Correia de Souza (?-1653), filho de Nicolau Nunes e Ana de Souza., e em segundas núpcias em 1653 com o Capitão Manuel Ribeiro Caldeira (com descendência nos dois matrimônios).
1.1.4. João do Amaral (1624-1629).
1.1.5. João Nogueira (1629-?) se casou com Catarina de Espinha.
1.1.6. Bartolomeu Calistro Amaral Nogueira (1635-1689) se casou em 1679 com Maria Martins, filha de Domingos Martins e Maria Rodrigues.
1.1.6.1. Maria do Amaral (1685-?).
1.1.7. Ana de Arão Nogueira (1638-?).

1.2. Catarina do Amaral Lopes (1602-?) casada em 1622 com Jerônimo Ferreira, filho de Gaspar Gonçalo Fernandes e Catarina Dias.

2. Maria de Arão Amaral (1580-1618), que foi casada com o francês Jacques Mollet (?-1613). São pais de:
2. 1. Clara de Arão Amaral Molete (1604-?), foi casada em 1618 com português Prudêncio Ramalho (?-1653), filho de João Vaz Ramalho e Apolônia Alves (com descendência).
2. 2. Úrsula de Arão Amaral Molete (1606-1684), foi casada em 1626 com o português Bartolomeu Figueira da Silva (1590 - 1682), filho de Geraldo Figueira da Silva e Ana Bravo Coutinho (com descendência).
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Suposições
Estas hipóteses são baseadas em artigos da Ancestry Rootsweb (http://bit.ly/1eD4VQR) + (http://bit.ly/1leqhEr), leituras em livros e na minha intuição.

3. Em muitas pesquisas, há a menção de uma irmã chamada Bárbara de Arão, suspeito que esta tenha sido a esposa do flamengo, Johan Brest que é mencionado como que sendo genro de D. Antônio Diogo de Amaral. Considerando a lógica, Bárbara é mãe de:
3. 1. Joana Brest, nascida em 1611, já que fora batizada em 28/08 do mesmo ano, sendo Sebastião Lopes, o seu padrinho e Antônia dos Reis, a sua madrinha.

4. João de Arão (1590-1616), provável irmão de Domingas, que se casou com Maria de Azevedo.
4.1. Joana de Azevedo Arão (1616-?).

Talvez tenha havido mais irmãos. Mas, tudo não passam de suposições pessoais que espero responder quando, tiver acesso ao livro Na trilha do Passado - Genealogia da Família Gurgel, de Aldysio Gurgel do Amaral ou os Tomos I e II de Primeiras Famílias do Rio de Janeiro - Séculos XVI e XVII de Carlos Grandmasson Rheingantz.

P.S.: Esse texto foi alterado num momento futuro para atualizar e corrigir informações.  

segunda-feira, 11 de março de 2013

Brasão de Armas da Família Amaral Gurgel


Non fuimos, non sumus, at que nunquam obliti erimus.
(Não fomos, não somos e nunca seremos esquecidos.)



Escudo d'Armas: partido: primeiro de oiro, com seis crescentes invertidos de azul, postos 2, 2 e 2 - que hé de Amaral segundo de vermelho, com hum leopardo de oiro encimado por hua flor de liz do mesmo - hé dos Gurgéis e, por diferença, hua brica de vermelho, com hua banda de prata. Timbre: o dos Amaraes: um leão sainte de oiro, tendo nas mãos hua maça d'armas de prata com haste azul; o dos Gurgéis, o leopardo de oiro encimado com a flor de liz do mesmo. 
REGISTRADAS NO CARTÓRIO DA NOBREZA, LIVRO I, ÀS FLS. 99 V E 100 V.

domingo, 10 de março de 2013

Domingas de Arão Amaral

Depois de muitas promessas e penitências feitas por sua mãe para Nossa Senhora das Graças e para Santo Antônio de Lisboa, nascia no Domingo de Ramos de 1584, aquela que viria a ser a matriarca de umas das mais antigas famílias brasileiras (com ramificações na Europa e na África), os Gurgel do Amaral ou Amaral Gurgel. Filha de portugueses residentes no Brasil, afilhada do Coronel Botafogo. A donzela casou um pouco tarde para os padrões da época com um cavalheiro francês (despertando a inveja das moças da cidade).
Mas Domingas (que se chamaria Conceição por causa de uma promessa materna, a Nossa Senhora das Conceição), não precisava fazer muito esforço para chamar a atenção. Era morena como a mãe, de grandes olhos verdes, era baixa, tinha um nariz bem feito, uma boca servida por lábios aveludados, rubros e úmidos, encobrindo dentes fortes e bem alvos (sem contar com os traços que ainda carregava de sua remota ascendência fenícia). Contrariando costumes da época: aprendeu a ler, a contar e a escrever com o Padre Agostinho, um jesuíta.
Aos dezesseis anos, olhava inocentemente a janela de sua casa e percebia que, volta e meia, aquele francês que fora preso na Vila de Cabo Frio por seu padrinho, passava pela sua casa sempre encarando-a. Mas foi durante um leilão que o interesse do estrangeiro pela moça ficou bem evidente. Por ironia do destino, seu pai D. Antônio Diogo do Amaral se interessou por uma quartinha de bom barro, pintada pela mão de índios e queria muito comprá-la. Porém, Toussaint também se interessou por tal peça. Começava então uma disputa por quem daria o lance mais alto.
Percebendo o acontecimento, o Coronel João Botafogo fez uma intervenção na situação ao apresentar o seu protegido forasteiro para a família do seu compadre. Conversas surgem e num momento de distração, Toussaint beliscou o braço da jovem carioca, demonstrando assim suas intenções por meio desta prova de amor (tão na moda naquela centúria). Se antes haviam dúvidas, depois de tal feito, desapareceram.
Meses depois, Domingas subia a Ladeira da Misericórdia carregada numa cadeirinha de cortinas damasco azul claro para então, ser arriada no chão por dois vigorosos angolanos e por fim entrar vestida de noiva na Igreja dos Jesuítas lá no Morro do Castelo (esses lugares não existem mais por culpa da mentalidade carioca de outros tempos) onde se realizaria o seu casamento.
Após o casamento, houve uma noite festiva até a alta madrugada, quando cansaram, os noivos pediram licença dos convidados para se refugiarem na alcova nupcial ao som das palmas e vivas, conforme o costume antigo.
O casal tronco gerou, sete filhos, sendo seis filhas e um varão (organizados por ordem de nascimento):
  1. Maria do Amaral Gurgel (1607-1671);
  2. Francisco do Amaral Gurgel (1610-1654);
  3. Isabel do Amaral Gurgel (1613-1654);
  4. Ângela do Amaral Gurgel (1616-1695);
  5. Méssia do Amaral Gurgel (1617-1687);
  6. Bárbara do Amaral Gurgel (1619-?);
  7. Antônia do Amaral Gurgel (1622-1671);
D. Domingas do Arão Amaral, septuagenária, veio a falecer em 1654 na cidade em que nasceu.

Baseado em pesquisas e na obra de Heitor Gurgel, autor de Uma Família Carioca do Século XVI.

Pensamentos

*confusos

Toussaint G(r)ügel

Aquele que é considerado o pai de uma das mais antigas famílias brasileiras (com ramificações em outros países), veio outra vez para a "Terra dos Papagaios" no ano de 1565, capitaneando duas naus que saíram de Saint Malo, Bretagne, France com destino a Vila de Cabo Frio, Rio de Janeiro, Brasil.
Duas motivações para realização de tal viagem são conhecidas, segundo esse artigo do portal Info Escola (http://bit.ly/1CUTqz0), sendo:
  1. O contrabando de madeira de lei, principalmente o pau-brasil (Caesalpinia echinata), uma árvore que nos dias de hoje, está quase extinta já que durante o Brasil Colonial era caçada de forma predatória, devido a extração de uma resina do seu tronco de cor escarlate para tingir tecidos. Sem contar que, os móveis esculpidos desta madeira eram considerados um artigo de luxo na época (devido a coloração vermelha e a durabilidade). 
  2. Apoio militar para a (re)fundação da França Antártica (1555-1560), um sonho fracassado de Nicolas Duran de Villegaignon, Jean Calvin, Gaspard de Coligny, Guillaume Le Testu e do Roi Henri II de France.
No entanto, ao aportar em Cabo Frio, encontrou a vila em pé de guerra. Forças enviadas sob o comando do Coronel João Pereira de Souza Botafogo a mando do então Governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, D. Salvador Correia de Sá, guerreavam com os franceses remanescentes e seus aliados, os tamoios (uma nação tupi). Estas tropas tinham o intuito de desalojar de vez os resquícios do que fugiu da extinta e destruída Henriville. A missão fluminense foi bem sucedida, já que os rebeldes foram detidos e aprisionados.
Dentre eles, o corsário Toussaint Grügel, que declarou em cárcere após entregar a sua espada:
  • Ser natural de Le Havre de Grâce, Haute-Normandie, France. 
  • Ser filho de mãe francesa da Alsace, France e pai alemão da Bayern, Deutschland.
  • Ter estudado no Liceu de Strasbourg, Alsase, France.
  • Ter cursado Hidrografia e Ciências Náuticas na cidade Saint Malo, pertencente ao departamento Ille-et-Vilaine, situado na Bretagne, France.
Por ter lutado com bravura, mesmo com um número bem inferior de homens e armas, esse valente aventureiro francês acabou conquistando a admiração e simpatia do Coronel Botafogo, que logo se afeiçoou por ele "por ser pessoa de trato e cabedal" e "cabo de tôda a armada inimiga"  (Códice LXXVIII, Vol. 12 - Arquivo Nacional). O que lhe rendeu a permanência na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro (ele não esqueceu dos seus, todos os seus companheiros de batalha foram libertos, porém não puderam permanecer em solo tupiniquim).
Vale mencionar que este coronel desfrutava de grande consideração perante o Governador Salvador Correia de Sá.
Tendo caído nas graças do seu captor e da sociedade local, Toussaint enriqueceu com a dedicação à pesca da baleia "frequentes na Guanabara,  maximé nos meses frios" (Aparência do Rio de Janeiro de Gastão Cruls) e do seu aproveitamento industrial (o azeite, as barbatanas e a gordura eram exportados para o Reino de Portugal por um bom preço), porque tinha um contrato assinado com o governo da Capitania Real do Rio de Janeiro.
Era já um homem com cerca de 27 anos quando chegou a capital fluminense (antigo gentílico de carioca). Sendo alto, esguio, alourado, tendo olhos azuis, inteligente, bom causeur, "verdadeiro fidalgo no trato e no espírito" (Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro de José Vieira Fazenda, disponível em http://bit.ly/2xPP11A). Trajava-se com apuro, não dispensando de portar cruzada nas costas, a espada de lâmina afiada com os copos no lado direito e a ponta transparecendo na extremidade da capa, elegantemente dobrada ao ombro esquerdo.
Em pouco tempo, o nobre francês desposou a mão de Domingas de Arão Amaral, afilhada do Coronel Botafogo, filha de um casal lusitano de boa linhagem.
Em Janeiro de 1598, o casamento entre uma jovem fluminense e um 'viajante' francês originou uma das mais importantes famílias que povoaram o que viria a ser o atual estado do Rio de Janeiro, conforme consta da publicação de “O Globo”, de 6 a 27 de julho de 1965, de autoria do brilhante genealogista brasileiro Carlos Grandmasson Rheingantz. 
Desta união, nasce e posteriormente através de seus descendentes, a família Gurgel do Amaral ou Amaral Gurgel.  O casal teve sete filhos, sendo seis filhas e um varão, todos nascidos e registrados entre 1607 e 1622, na antiga Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga (que desabou em 1761 devido ao estado precário da estrutura).
Grügel, acostumado a vida agitada dos mares e de sua pátria, por mais que se dedicasse à pesca, não se conformava em ficar sempre na mesmice da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro da primeira metade do século XVI. Inquietado, passou a cultivar outra paixão, a caça. Tanto é que viajava para o interior na companhia de amigos, escravos e índios mansos e por lá ficava por semanas seguidas, deixando aflitos os seus familiares. Mas foi com a sua morte que tais razões foram decifradas. Uma prova disso, são os seus 41 filhos ilegítimos com traços tamoios tidos em suas aventuras de além da Lagoa de Santo Antônio que derramavam lágrimas por ele no ano 1631.

P.S.: Esse texto foi alterado num momento futuro para correção de informações.  



Baseado em pesquisas e na obra de Heitor Gurgel, autor de Uma Família Carioca do Século XVI.

sábado, 9 de março de 2013

Trajetória genealógica

Essa é a minha primeira publicação (e também um relato).
Acho que sempre gostei das ciências ligadas as coisas antigas, tais como: história, genealogia, heráldica, numismática, cartografia e outras
Lembro bem de quando ainda era um menino peralta, e lia a Bíblia com a ambição de fazer uma linhagem completa de Adão e Eva até Jesus Cristo (considerando todas pessoas da Palavra de Deus). Fiz isso diversas vezes sem sucesso. Acho que por ser um garoto (na época), não conseguia interpretar as Escrituras Sagradas da forma correta devido a falta de experiência.
Acho que foi assim, que inconscientemente nasceu o interesse de fazer o mesmo com a minha família. 
Enquanto menino, sempre fiz muitas perguntas desde, ''Porque o céu é azul?'' até ''Como foi que eu nasci?
Um dos muitos comerciais da Futura (canal fechado da Rede Globo), sempre cita o slogan: as perguntas movem o mundo, e não as respostas!
Perdi uma das minha avós (a paterna) quando ainda não era nem nascido e a minha outra (a materna) quando tinha apenas 05 anos.
O fato de não ter conhecido uma e lembrar da outra de forma vaga, me fez querer conhecê-las por meio dos 'interrogatórios' que fazia aos membros das duas famílias. Quase sempre não tinha sucesso nas 'entrevistas' realizadas. Considero-as como umas das minhas primeiras frustrações.
Como sempre gostei de ter respostas, passei a investigar por conta própria. 
Como bom detetive mirim, passei a xeretar documentos da família (os primeiros nomes até então desconhecidos apareciam).
Pesquisava bastante nos livros que possuía e nos que conseguia ter acesso, porém nada achava (eu ainda não tinha internet nessa época).
Tempos depois, veio a internet discada, criei um perfil no saudoso Orkut (a tendência da época).
Foi assim que me aventurei na dimensão virtual, e nela encontrei muitas comunidades e blogs do assunto. Logo percebi que sobre algumas famílias você acha conteúdo de forma bem fácil, e sobre outras nem tanto. Aprendi que se alguém tem o seu sobrenome, esse alguém não é necessariamente seu parente.
Numa das minhas pesquisas (http://bit.ly/1cVwfWx), achei um trecho intrigante que até hoje não esqueço:
"De acordo com o primo Agnor, a família Gurgel é única, ou seja, aonde houver um GURGEL, pode ter certeza que é sangue da mesma origem. Ele também me disse que encontrou no Museu de Ouro Preto - MG, informações sobre um Gurgel que foi companheiro de Tiradentes na luta pela independência do Brasil e, por isso, foi desterrado na época, para a África."
Quis tirar a prova disso, passei então a pesquisar mais sobre o assunto, fiquei feliz quando soube que além de mim, haviam outras pessoas que pesquisavam sobre essa família. Comecei meus primeiros contatos pelos fóruns da internet. e quando me deparava com artigos genealógicos costumava (e ainda costumo) comentar os de meu interesse.
Num desses contatos, conheci aquele que (já) chamava de primo, sem ainda ter certeza que de fato era meu primo, Agnor Gurgel Júnior. (mencionado acima), e também o célebre genealogista Ormuz Barbalho Simonetti (http://bit.ly/11ylHbA).
Recordo que numa troca de emails com o genealogista Ormuz, recebi deste, alguns arquivos com informações sobre uma das família do meu interesse, os Gurgel do Amaral. Foi assim que consegui com muita persistência avançar uma geração (a dos meus trisavos, os bisavos consegui na espionagem mirim risos).
Sempre quis ter acesso a algum livro sobre família, o primo Agnor percebendo meu interesse, me enviou pelos Correios uma cópia do livro, Uma família carioca do século XVI, escrito por Heitor Gurgel, editora S. José (edição limitada).
Até hoje guardo o envelope, a carta e claro, o livro (já o li e o reli diversas vezes). :D 
Ao longo desse tempo já tinha coletado bastante informações da minha família e incluído tudo num site, o MeusParentes.com, posteriormente comprado pelo MyHeritage.com.br. Isso foi benéfico, pois pude adicionar pessoas na minha árvore genealógica de forma ilimitada, sem contar com as outras facilidades que essa fusão possibilitou.
Comecei então uma difícil trajetória, tentar ligar minha família até algum ancestral (bem longínquo) e consegui! \o/ 
Encontrei muitas respostas para meus questionamentos.
No dia de ontem (08/03/2013), cheguei a algumas conclusões.
Se sou publicitário e pretendo ser redator na área de comunicação, precisarei melhorar minha redação, logo preciso praticá-la.
Sempre gostei de escrever, penso em lançar (quem sabe num futuro não tão distante) um livro.
E esse é um dos motivos de criar este blog, sei que por enquanto não há quase nada escrito. 
Tratarei principalmente destes sobrenomes: Garcia, Gurgel, Miranda e Silva = sobrenomes dos meus pais); Fora os dos meus avos, bisavos e tantos outros graus de parentesco.
Minha outra motivação se chama a gratidão. Se achei respostas na internet, por que também não posso ser uma fonte de respostas?
Porque não materializar esse conhecimento em forma de textos? Acredito que ajudará outras pessoas (vai que algum parente 'perdido' se encontra?)
E é assim que termino de redigir meu primeiro texto nesse blog.