sábado, 14 de dezembro de 2013

Os Souza Miranda (do Amazonas)

Dando continuidade ao compartilhamento de informações sobre famílias "recentes" que descendo.
Estou cada vez mais me aproximando dos dias atuais, porém optarei por não colocar certas informações por questão de segurança (geração dos meus pais, tios, primos).
Francisco Alves de Miranda (1906-1947) se casou com Francisca Freitas Souza (1914-1947), devido ao matrimônio Francisca passou a assinar Francisca de Souza Miranda. O casal Francisco-Francisca gerou a seguinte prole:

1. Euquias de Souza Miranda (1930-?). Era conhecido como "Tio Miranda";

2. Professora Abiail de Souza Miranda (1931-2012) foi casada com Raimundo de Oliveira Santos (1942-2014). Devido ao matrimônio passou a assinar como Abiail Miranda dos Santos. Era conhecida como "Bibi" por familiares;

3. Lia de Souza Miranda (1932-1997) foi casada com Jonas Veras da Silva (1940-2013). Devido ao matrimônio passou a assinar como Lia Miranda da Silva. O casal Jonas-Lia são meus avos maternos;

4. Betty de Souza Miranda (1934-?) foi casada com Tiago;

5. Professora Milca de Souza Miranda (1937-) foi casada com Pedro Carneiro Lopes (1935-?). Devido ao matrimônio passou a assinar como Milca Miranda Lopes;

6. Abigail de Souza Miranda (1938-2014) foi casada em primeiras núpcias com Raimundo Pereira Gomes (possui descendência apenas desse matrimônio), em segundas núpcias com Normando e em terceiras núpcias com Antônio. Conhecia como "Bigá" por familiares. Devido aos três matrimônios, desconheço qual foi o último nome de casada de Abigail;

Segundo informações da família, todos os filhos do casal Francisco-Francisca são naturais do município amazonense Manaquiri. Apenas a família da Professora Abiail fixou residência no município amazonense Nova Olinda do Norte, todos os demais constituíram família na capital do estado, Manaus.

Observação: O marido da Professora Milca, Pedro Carneiro Lopes (1935-?) era irmão de Hermes Carneiro Lopes (1936-2009), que era marido de Ednelza Veras da Silva (1945-), que por sua vez é irmã do seu cunhado Jonas Veras da Silva (1940-2014).
Pedro e Hermes são filhos de José Carneiro da Rocha (filho de Rodolfo Carneiro da Rocha e Maria Alves de Melo) e de Judith Lopes Tavares (filha de Feliciano Lopes Tavares e Maria Soares de Souza).

sábado, 7 de dezembro de 2013

Os Veras da Silva (do Amazonas)

Dando continuidade ao compartilhamento de informações sobre famílias "recentes" que descendo.
Estou cada vez mais me aproximando dos dias atuais, porém optarei por não colocar certas informações por questão de segurança.
Francisco Nascimento da Silva (1914-1960) se casou com Moacir de Araújo Veras (1921-2012), devido ao matrimônio Moacir passou a assinar Moacir Veras da Silva. O casal Francisco-Moacir (meus bisavos) gerou a seguinte prole:

1. Jonas Veras da Silva (1940-2013) se casou com Lia de Souza Miranda (1932-1997). São meus avos maternos.
2. Ednelza Veras da Silva (1945-) foi casada com Hermes Carneiro Lopes (1936-2009). Devido ao matrimônio passou a assinar como Ednelza da Silva Lopes;
3. Juvaldir Veras da Silva (1949-) se casou com Francisca Alencar de Souza (1953-), devido ao matrimônio passou a assinar Francisca Souza da Silva;
4. Josemar Veras da Silva (1952-1975);
5. Elcir Veras da Silva (1953-). Conhecida como "Nega" por familiares;
6. Josenias Veras da Silva (1955-) se casou com Zênia Maria Paiva da Silva, natural do Ceará. Conhecido como "Lolado" por familiares;
7. Joaquim Veras da Silva se casou com Amélia. Não sei se ainda estão vivos;

Segundo informações da família, todos os filhos do casal Francisco-Moacir são naturais do município amazonense Manaquiri e migraram para a capital do estado, Manaus entre a década de 1950 e 1960.
Se houver alguém que queria compartilhar informações, sinta-se a vontade para comentar.

P.S.: Esse texto foi alterado num momento futuro para atualizar informações.

sábado, 30 de novembro de 2013

Os Freitas Souza (do Amazonas)

Dando continuidade ao compartilhamento de informações sobre famílias "recentes" que descendo.
José Rufino de Souza se casou com Albertina de Freitas.
Segundo informações da família, José era cearense e Albertina era natural do município amazonense Manaquiri e tinha um irmão chamado Felipe de Freitas.
O casal José-Albertina (meus trisavos) gerou a seguinte prole:

1. Francisca Freitas Souza (1914-1947) que foi casada com Francisco Alves de Miranda (1906-1947). Devido ao casamento passou assinar como Francisca de Souza Miranda;
2. Genésio Freitas Souza, migrou para Roraima e se casou com a amazonense Joana;
3. Joel Freitas Souza, migrou para Roraima e se casou com Maria Nazaré;
4. Regina Freitas Souza;
5. Úrsula Freitas Souza;
6. Jaci Freitas Souza;
7. Edite Freitas Souza;

José faleceu em Mucajaí, Roraima, foi enterrado perto de uma mangueira, muito provavelmente no que viria a ser o Antigo Cemitério Municipal de Mucajaí. Enquanto que a sua esposa veio a falecer anos depois na capital do estado roraimense.
Talvez o cearense José Rufino de Souza tenha vindo para a Amazônia durante o Ciclo da Borracha.
José, a esposa e os dois filhos solteiros migraram para outro estado devido a possibilidade de ter melhores oportunidades de vida.
José possui uma via com o seu nome no bairro Centro de Mucajaí - RR.
Se houver alguém que queria compartilhar informações, sinta-se a vontade para comentar. 

P.S.: Esse texto foi alterado num momento futuro para atualizar informações. 

domingo, 17 de novembro de 2013

Os Araújo Veras (do Amazonas)

Dando continuidade ao compartilhamento de informações sobre famílias "recentes" que descendo.
Vicente de Araújo Veras se casou com Maria Mercedes.
Segundo informações da família, Vicente era cearense. Muito provavelmente veio para o Amazonas devido ao Ciclo da Borracha.
Maria Mercedes, segundo informações da família era piauense filha de um pernambucano, Alípio (Fortes) Castelo Branco. Ainda tenho dúvidas sobre esse meu tetravô Alípio.
O casal Vicente-Maria Mercedes (meus trisavos) gerou os seguintes filhos:

1. Raimundo de Araújo Veras;
2. Francisco de Araújo Veras;
3. Salvador de Araújo Veras;
4. Hélio de Araújo Veras;
5. Antônio de Araújo Veras;
6. Geraldo de Araújo Veras;
7. Zenaide de Araújo Veras;
8. Moacir de Araújo Veras (1921-2012) foi casada com Francisco Nascimento da Silva (1914-1960). Moacir nasceu na Comunidade Ribeirinha do Lago Janauacá em Manacapuru - AM. Uns dos meus bisavos.

Confesso que até hoje acho um pouco confusa e curiosa a combinação de sobrenomes desse meu tetravô pernambucano, Alípio Fortes Castelo Branco.
Talvez Moacir tenha tido mais irmãos (ou não).
Se houver alguém que queria compartilhar informações, sinta-se a vontade para comentar. 

sábado, 9 de novembro de 2013

Os Alves de Miranda (do Amazonas)

Dando continuidade ao compartilhamento de informações sobre famílias "recentes" que descendo.
Manuel Martins de Miranda se casou com Maria Alves.
Segundo informações, os dois eram naturais do município amazonense Juruá.
O casal Manuel -Maria (meus trisavos) gerou os seguintes filhos (por mim conhecidos até então):

1. Francisca Alves de Miranda;
2. Francisco Alves de Miranda (1906-1947) se casou com Francisca Freitas Souza (1914-1947). Francisco era natural do município amazonense Manaquiri, e muito provavelmente a sua irmã também.

Não há muito o que escrever sobre esse ramo, tendo em vista que sei pouquíssimo. Tudo que sei é que os pais de Francisco faleceram quando este ainda era menino, e que fora criado por um casal amigo de seus pais (talvez tenham sido seus padrinhos): Antônio Souto (espanhol) e Antônia Vieira (brasileira).

Se houver alguém que queria compartilhar informações, sinta-se a vontade para comentar. 

domingo, 27 de outubro de 2013

Os Batista Garcia (do Rio Grande do Norte)

Dando continuidade ao compartilhamento de informações sobre famílias "recentes" que descendo. Irei descrever a prole de um dos meus bisavos.
João Salustiano Garcia de Medeiros (?-1923) se casou com Joaquina Batista de Andrade (?-1936). O casal gerou os seguintes filhos:

1. Francisca Batista Garcia (1910-1957) foi casada com Raimundo Germiniano de Almeida (1903-1975). Francisca passou a assinar depois de casada: Francisca Batista de Almeida. O casal migrou para o estado de Roraima. Raimundo é considerado o fundador de Mucajaí. Raimundo possui uma via com o seu nome no bairro Centro de Mucajaí - RR. Raimundo recebeu a comenda "Orgulho de Roraima" em 26/05/2009 conforme consta no Diário do Estado de Roraima (http://bit.ly/2xglYFc)

2. Miguel Batista Garcia (1911-1978) se casou em primeira núpcias com Francisca Alves, e em segundas núpcias em 1956 com Rita Dantas (1935-), filha de Erotildes Dantas de Araújo Queirós e Maria Bernadina de Araújo.

3. Maria Sérgia Batista Garcia (1913-1996) foi casada com José Máximo de Almeida (1907-2005); Maria Sérgia passou a assinar depois de casada: Maria Sérgia Batista de Almeida. José Máximo era conhecido como "José Delmiro", e possui uma via com essa denominação no bairro Distrito Industrial Governador Aquilino Mota de Boa Vista - RR. O casal também migrou para o estado de Roraima.

4. Antônia Batista Garcia (1915-?). Segundo informações da família, faleceu solteira.

5. Neco Batista Garcia (1917-?), desconheço o nome da sua esposa.

6. Joaquina Batista Garcia (1918-2009) foi casada com Miguel de Almeida. Joaquina era conhecida como "Quininha".

7. José Batista Garcia (1920-2015) se casou em Francisca dos Santos Gurgel (1925-1989), filha de Eugênio Gurgel do Amaral e Maria dos Santos. Neta paterna de Vicente Oliveira Gurgel do Amaral (1858-?) e de Joana Francisca Romana de Oliveira (1854-?), e neta materna de João Francisco dos Santos. Francisca passou a assinar depois de casada: Francisca Gurgel Garcia. Francisca possui uma via com o seu nome no bairro Sagrada Família em Mucajaí - RR. José também foi agraciado com a comenda "Orgulho de Roraima" em 26/05/2009 conforme consta no Diário do Estado de Roraima (acima citado). O casal também migrou para o estado de Roraima e são meus avos paternos.

8. Josefa Batista Garcia (1922-2012) foi casada com Francisco Antonino de Almeida (irmão de Miguel). Josefa era conhecida como "Zefinha".

Obs.: Segundo informações da família, José Máximo de Almeida era parente dos irmãos Francisco Antonino de Almeida e Miguel de Almeida. Muito provavelmente Raimundo Germiniano de Almeida possui parentesco com eles.

Se houver alguém que queria compartilhar informações, sinta-se a vontade para comentar. 

P.S.: Esse texto foi alterado num momento futuro para atualizar informações.

sábado, 19 de outubro de 2013

A perseguição política dos Amarais

O Dr. Cláudio Gurgel do Amaral também levava jeito para o comércio, tanto é que sempre negociava com o seu primo, o Coronel Francisco do Amaral Gurgel.
A respeito do Coronel Francisco: mesmo perdendo o Monopólio da Carne Verde, e tendo se tornando uma autoridade, ele não abandonou o comércio. Prova disso é que estendeu seu negócio até a Bahia, onde adquiriu várias propriedades (entre elas duas fazendas).
O Governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho dele não gostava, por isso nomeou nomeou Felix Correia do Amaral para o substituir no cargo de Capitão-Mór de Paraty.
"Nunes Viana e o Coronel Francisco do Amaral Gurgel resolveram entregar-se à prisão, em outubro de 1716" (S. Suannes).
Vale enfatizar, que Manuel Nunes Viana era sócio do Coronel Francisco... E que isso ocorreu (prisão) por causa da perseguição dos seus inimigos. Francisco foi enviado para Lisboa, Portugal... E por lá ficou durante três anos a espera do julgamento, que saiu em 1719, quando retornou para o Brasil após ter sido absolvido. Francisco faleceu muito provavelmente por volta de 1721, após uma de suas viagens à Bahia.
Talvez tenha pesado o seguinte histórico de absolvições no seu julgamento:
  • E isso ocorreu já que o o Conselho concluiu que "se não izenta de gravíssima culpa (ao Governador Antônio Albuquerque) que lhe resulta de não expulsar os franceses, deixando-os estar pacificamente nelas mais de vinte dias, depois de haver chegado àquelas vizinhanças trazendo 6.000 infantes bem armados  e um bom regimento de cavalaria" sob o pretexto de já estar a cidade capitulada, "porque êle (Governador Antônio Albuquerque) não estava obrigado a guardar o pacto que êle não havia feito", e o Conselho havia aconselhado o Rei D. João V de Portugal a "premiar Francisco do Amaral Gurgel por sua valentia e lealdade e a considerar valorosa e heróica a morte de Bento do Amaral Coutinho" (Volume 23 do Arquivo do Conselho Ultramarino). E foi por meio desse reconhecimento que Bento foi redimido pelo triste episódio da Guerra dos Emboabas, o Capão da Traição.
  • Devido a prática de "homicídios, castrações de varões e furtos de escravos", Francisco foi citado pelo Conselho Ultramarino em 1714 para ser preso. No entanto, foi absolvido. Francisco obteve do Rei D. João V de Portugal, a ordem real para que "lhe fôssem devolvidos os bens sequestrados pelo Governador Francisco Távora" que por sua vez, desprezava tanto Francisco que mandou dizer ao Rei que "se êste homem (Francisco) fôsse perdoado novamente, que lhe fôsse mandado (a êle, Governador) sucessor, porque tinha por quase impossível que estando êle (Francisco) naquelas partes (Minas Gerais e Rio de Janeiro) possa alguém governar como Deus e Vossa Majestade mandam" (Códice LXXVII, Vol. 24 - Arquivo Nacional)
  • "(...) eram as tropas que traziam serra abaixo, até ao pôrto, os quintos reais, transporte que concorreu para o bom nome do Coronel Francisco do Amaral Gurgel" E Heitor Gurgel especula que "com tanto dinheiro vindo do Brasil, D. João V da colônia só queria saber e ter boas notícias. - Os quintos aumentaram êste mês.  - Ótimo. - E êsses tão invejados e temidos Gurgéis roubam o erário? - Não. - Então porque castigá-los?..."
Devido a essa proximidade, certa vez, um bispo aconselhou Cláudio a fugir do Rio de Janeiro. O Governador Francisco Xavier de Távora certa vez, escreveu em uma carta para o Rei D. João V de Portugal que tinha aversão por tudo que "cheirasse a Amaral" pois, "só em falar nessa gente (os Gurgéis) o ar fica empestiado" (Códice LXXVIII, Vol. 21, fls., 18 - Arquivo Nacional).
O Governador Francisco Távora detestava tanto a família que chegou ao ponto de aconselhar o Rei "a deportação ou a extinção de Cláudio" (Códice LXXVIII, Vol. 21, fls., 82v - Arquivo Nacional).
Devido a tantas queixas, o Dr. Cláudio foi proibido por ordem real de entrar no Rio de Janeiro, todavia, isso não adiantou, já que vez ou outra estava na sua chácara da Glória (que nos dias de hoje estaria situada se ainda existisse nas proximidades da atual Rua Taylor no Centro do Rio de Janeiro).
Numa das visitas clandestinas de Cláudio, aconteceu algo!
Vieira Fazenda nos conta que "no domingo de Ramos, em abril de 1716, acompanhado de 20 a 30 capangas brancos e negros escravos, invadiu igreja de Campo Grande, onde se achava João Manuel Melo, homem principal do lugar que também estava cercado dos seus satélites e que dias antes tivera uma violenta discussão com José que, no momento, estava desacompanhado, ao passo que João Melo viera cercado de seus facinorosos companheiros. Com a inopinada entrada de José Gurgel na igreja,  trava-se a luta e nela caiu José de Melo banhado em sangue. O celebrante deixa o altar e vem confessar o moribundo, ocasião em que é também atacado e morto a bala. A viúva de João Melo vem à cidade trazendo o cadáver da vítima a fim de reclamar justiça. O Governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, Francisco Xavier de Távora declarou réus de morte a José Gurgel do Amaral e a um tal de Pacheco, lugar tenente de Gurgel e publica um bando prometendo grandes recompensas a quem os trouxesse vivos ou mortos."
Ao que tudo indica o filho do Padre Cláudio já tinha um histórico ruim se considerada essa passagem "(...) e dos excessos de seu filho José (...)" (Códice LXXVIII, Vol. 21, fls., 86 - Arquivo Nacional)
Não contente, Távora "mandou arrazar a casa do padre Cláudio onde julgava estarem acoitados os mandatários do horroroso e sacrílego atentado."
José foi preso dois anos depois em Vila Rica por requisição do Santo Ofício. Isso aconteceu quando a Capitania de São Paulo e Minas do Ouro era governada pelo 3º Conde de Assumar (D. Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos). De lá foi levado para o Rio de Janeiro, para em seguida ser transferido para a Bahia, onde foi julgado e considerado culpado, tendo sido degolado num cadafalso em 1722.
José não escaparia de sua sentença, ainda que tenha sido membro de rica e influente família, já que o crime foi cometido em uma igreja.

sábado, 12 de outubro de 2013

Os Nascimento da Silva (do Acre)

Dando continuidade ao compartilhamento de informações sobre famílias "recentes" que descendo.
Vos apresento um ramo dos Nascimento da Silva do Acre.
Joaquim Antônio da Silva se casou com Otília do Nascimento. Segundo as informações que tenho sobre as origens da minha família. Joaquim era cearense, muito provavelmente veio para a Região Amazônica para tentar uma vida melhor na "Terra da Fartura", suspeito que ele veio para cá interessado pela oferta de trabalho nos seringais durante o Primeiro Ciclo da Borracha (1879-1912).
Não sei muito a respeito de Otília, tudo que sei é que seu pai era português e sua mãe nasceu no interior do Amazonas nas proximidades do Acre.
Suponho que, o pai de Otília também tenha sido atraído pelo mesmo motivo que o seu futuro genro.
O casal Joaquim Antônio-Otília (uns dos trisavos maternos) geraram os seguintes filhos (por mim conhecidos):

1. Francisco Nascimento da Silva (1914-1960). Francisco nasceu na Comunidade Ribeirinha Igarapé Redenção, Rio Branco - AC;
2. João Nascimento da Silva;

A região nordestina é castigada há décadas pela seca. O Quinze, romance da escritora Rachel de Queiróz relata bem o quão complicada era a vida naqueles tempos.
Muitos nordestinos foram estimulados a migrar para trabalhar na extração de látex da seringueira (Hevea brasiliensis), atraídos pela falsa promessa de enriquecimento rápido gerada por falsos boatos com o intuito de atrair mão de obra para a região. Portanto, os nordestinos desse período foram "forçados" por esse contexto a vir tentar uma vida diferente no "Inferno Verde", nome de uma obra do escritor brasileiro Alberto Rangel, que representa literariamente a Amazônia do início do século XX.
Os estrangeiros também vieram para cá (Amazônia) seduzidos pelo boom da borracha.
Confesso que não sei de que regiões específicas são esses meus ancestrais, tudo o que sei foi relatado nessas linhas.
Se houver alguém que queria compartilhar informações, sinta-se a vontade para comentar.

sábado, 21 de setembro de 2013

Brasão de Armas e a Origem da Família Nunes / Nunez

A história dessa família é também incerta, tendo em vista que o sobrenome possui origem patronímica.
Nunes é a forma portuguesa do sobrenome espanhol Nunez. Os linguistas/genealogistas/historiadores acreditam que a origem seja espanhola, porque no século XIII, o nome Nuno era grafado como Nunho na língua portuguesa, uma tentativa de grafar a versão espanhola, Nuño.
Nunes/Nunez deriva de Nuno. Portanto, os que possuem tal sobrenome são descendentes de alguém que se chamava Nuno ou viviam próximos de alguém com tal nome, logo, os que possuem esse sobrenome não possuem nenhuma relação genealógica com outros que o possuem.
Há quem afirme que Nunes/Nunes possui origem hebraica = Nun (דגים significa peixe em aramaico) + o sufixo espanhol -ez (utilizado para se referir a filiação: "filho de").
No entanto, considerando a linguística, é mais provável que a origem do referido sobrenome seja latina, derivando de nonum cujo significado literal é o numeral ordinal correspondente ao nove (nono, 9ª). Considerando tal origem, ainda é possível especular que a primeira pessoa a usar tal nome foi o nono filho de um casal.
Ou ainda nonnus, que significa tanto a forma infantil de chamar o progenitor (papai) quanto aio (forma masculina de aia), criado responsável pela educação de crianças pertencentes a famílias nobres.

Texto baseado no site Dicionário de Nomes Próprios (http://bit.ly/2wBObVc) + site Origem do Sobrenome (http://bit.ly/2zaCAOw) e no blog Coisas Judaicas (http://bit.ly/2xtOTrD).

Há dois brasões, optei por divulgar apenas o mais popular, que aparenta ser o original.
Uma observação sobre tal brasão: é representado erroneamente com frequência sem as merletas. A merleta é uma ave mítica da heráldica, semelhante a andorinha, o que as difere são os tufos de penas no lugar das patas.


Escudo d'Armas dos Nunes: partido, o primeiro de prata, com uma barra de azul; o segundo de vermelho, com um leão de ouro, acompanhado de quatro merletas do mesmo, acantonadas. Timbre: o leão do escudo.

Fonte: Armorial Lusitano, pág. 399.

sábado, 7 de setembro de 2013

Le Havre de Grâce no tempo dos piratas

Toussaint Grugel saiu do porto de Le Havre de Grace em 19/11/1556, quando embarcou no navio Grand Roberge (tinha apenas 13 anos), sob o comando do Capitão Santa Maria. Enquanto, que o Vice-Almirante Bois Le Comte, manobrava o navio Petit Roberge (José Guilherme Correa).
E foi nessa cidade que Toussaint nasceu em 1543 e viveu os primeiros anos de sua vida.
Le Havre de Grâce está situada no estuário do Rive Seine. A cidade foi fundada pelo Roi François I de France em oito de outubro de 1517, devido a situação cada vez mais crítica dos portos históricos de Harfleur e Honfleur.
Ficou conhecida após a sua fundação (por um tempo) como Franciscopolis, tendo sido renomeada para Le Havre de Grâce (que significa "O Porto de Graça"), devido a Cathédrale Notre-Dame-de-Grâce, que por sua vez já existia bem antes da fundação oficial da cidade. O termo havre significava em tempos antigos, porto.
A Reforma Protestante surtiu bastante efeito na antiga província Nourmandie, porque John Venable, distribuidor de livros da cidade francesa Dieppe ajudou a espalhar pelas regiões de Pays de Caux e Basse-Normandie, a ideologia de Martin Luther e Jean Calvin.
Na época de Toussaint Grugel, a cidade vivenciou os efeitos da Guerra das Religiões... Não é a tôa que ele de lá saiu ainda menino....
Foi do porto dessa cidade que Nicolas Durand de Villegagnon, partiu em 14 de agosto de 1555 para fundar La France Antarctique...
No últimos anos do século XVI chegavam aos montes produtos americanos no porto da cidade: tabaco, açúcar e couro.
Resumindo a história dessa cidade: séculos depois a cidade foi destruída durante a I e II Guerra Mundial, principalmente na última, tendo sido reconstruída posteriormente com uma identidade arquitetônica que se fosse expressada numa personalidade deveria ser: moderna e forte. 
Nos dias de hoje, a cidade é simplesmente conhecida como Le Havre e inspirado no nome antigo, há uma cidade estaduniense chamada Havre de Grace, Harford County no estado de Maryland.


Planta da Vila de Le Havre de Grâce em 1530.
Baseado em pesquisas na enciclopédia colaborativa online Wikipédia.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Um pouco mais sobre o corsário Toussaint Grugel

Ao que tudo indica, Toussaint veio para o Brasil pela primeira vez, após três meses no mar, segundo o primeiro capítulo de Unflashy, Matter-of-Fact Flash Fiction de José Guilherme Correa (http://bit.ly/2x5iMPk).
E ficou assombrado com os costumes da tribo dos Tupinambás, que andavam nus e pintados com tinta preta. Observou que os nativos quase não possuem pêlos no corpo (nem mesmo os homens). Comparou os cocares que os homens usam na cabeça aos chapéus dos frades da ordem de São Francisco. Os cabelos compridos dos nativos mais pareciam perucas. O que mais impressionava eram os lábios com pedras verdes largas e bem polidas incrustadas na boca (muitos nativos usavam apenas no lábio inferior).
E até mesmo o assustador encontro com a tribo dos Goitacazes, que eram canibais. Esse antigo povo ameríndio ao sacrificar: abatia um prisioneiro como se fosse um animal, o cortando em pedaços, para então os cozinhar na frente das demais vítimas para as amedrontar mais ainda. Roíam os ossos até não sobrar carne nenhuma, a única parte que não consumiam era o cérebro. Faziam colares com os dentes. Guardavam os crânios em algo parecido com as lápides de cemitério nos dias de hoje. Fatiavam alguém proporcionalmente a bravura em combate (quanto mais um guerreiro matasse, mais cortes o corpo humano a ser digerido teria para demonstrar o valor do nativo que o fatiaria) e de forma que cada membro da tribo tivesse pelo menos uma fatia para degustar. Eles não eram movidos pela glutonaria e sim pela vingança.
Felizmente, ele (Toussaint) que tinha sido poupado do massacre de la Saint-Barthélemy, escapou também de mais essa situação. Ainda mais ele que muito provavelmente teve uma vida regida pela aventura, ostentando feitos heroicos bem ousados, fazendo esquemas, sempre com o perigo entrelaçado a sua existência.
Até que em 1570 (já tinha 27 anos), vive mais um contratempo ao ter sido capturado pelo Coronel João Pereira de Souza Botafogo (assunto anteriormente comentado), porém caiu nas graças de seu captor, tanto é que anos depois se casa com a afilhada dele (Domingas do Arão Amaral). Ele noivou aos 63 e ela aos 20 anos. Apesar de ter existido uma grande diferença de idade entre o casal, tiveram 7 filhos (incluindo um varão). Vale mencionar que ela se casou tarde para os padrões daquela época (as moçoilas se casavam BEM cedo)... (The passage of time, obra do mesmo autor acima citado, http://bit.ly/2eyTdex). Ou ainda que conforme comentado em momentos passados, Toussaint teve 41 filhos ilegítimos com índias...
Devido ter enriquecido com a pesca de baleias (que naqueles tempos era uma tarefa fácil, por causa da abundância delas pelo litoral brasileiro). Correa sugere que Toussaint pode ter "comprado" todos. Porém, também não descarta que simplesmente sua honestidade, carisma e integridade devem ter o tornado notável naquela época.
Quem sabe essa citação sobre o corsário (pirata) Grugel reforce essa segunda teoria? "(...) por ser pessoa de trato e de cabedal" (Códice LXXVII, Vol. 12 - Arquivo Nacional).
E pela visão de Marcelo Meira Amaral Bogaciovas em A Família Amaral Gurgel (revisão crítica e constribuições genealógicas) (http://bit.ly/2eFapCB), a linhagem de Toussaint (Tuçân pela pronúncia aproximada do seu nome em português antigo) está um pouco fantasiosa na obra de Heitor Gurgel, tendo em vista que o jornalista escreveu um romance histórico, e isso é verdade, o próprio escritor enfatiza isso no prefácio de seu livro que preza por contar os fatos de forma mais suave devido a aridez do assunto (genealogia)... Eu por exemplo, já constatei divergências em sua obra, algumas já compartilhadas por aqui, porém isso não tira o mérito do seu trabalho.

sábado, 31 de agosto de 2013

O triste episódio do Capão da Traição (e os Amarais)

Os planaltinos (paulistas) chamavam de emboabas, quase todos os forasteiros, sejam eles fluminenses, baianos, portugueses ou os próprios moradores de regiões vizinhas às Gerais. Eles abriam algumas exceções para: os reinóis e espanhóis casados com mulheres paulistas e os que, empregados de paulistas, nacionais ou estrangeiros, tivessem passado um tempo na Paulicéia ou pertencido a alguma bandeira.
Devido a ambição dos que iam para os Cataguás em busca de ouro, os conflitos passaram a ser resolvidos da forma mais cruel possível: M-O-R-T-E!!!
André João Antonil inclusive se refere aos planaltinos daquele tempo como "gente rústica, desconfiada, muito sensível e acostumada à guerra, faziam pouco escrúpulo de tirar a vida a qualquer qualidade de pessoas, não só a mando de seus amos, mas também por leves agravos e alguns só presumidos."
Houve momentos de tal contexto histórico, em que os paulistas chegaram a não mais entrar em capela onde oficiasse sacerdote reinol, ou ainda, que paulistas passaram a dar o mesmo tratamento de desprezo dispensado aos escravos e candangos para os lusos.
Diogo Vasconcelos comenta que a guerra começou pelo seguinte fútil e ridículo motivo: "- Um paulista havia emprestado uma escopeta a um português muito pobre. Tendo-se perdido ou extraviado a arma, o plebeu procurou o piratiningano sem mais delongas, ofertando-lhe sete oitavas de ouro pela espingarda, que, aliás, era o que havia custado. O filho do Planalto, alegando não ser negociante, exigiu a imediata devolução da escopeta."
Tudo indica que o luso emboaba se sentiu em apuros, e por esse motivo "buscou remédio para seu mal na valiosa proteção de Nunes Viana, então no fastígio" e o mesmo ocorreu com o paulista que "foi à casa do potentado Jerônimo Pedroso de Barros que, como bom paulista que se prezava de ser, não ia à missa dos lusitanos e, desde logo, se pôs à disposição do conterrâneo. Querendo remediar a situação, Nunes Viana procurou o dono da espingarda que se encontrava com amigos no adro da capela do Caeté e pediu-lhe que aceitasse as sete oitavas de ouro pela escopeta perdida. O piratiningano recusou a propositura. Viana, então, pediu-lhe que fôsse à casa dêle e lá entre as 80 espingardas que possuia, escolhesse a que aprouvesse" (S. Suannes).
O portal Mega Curioso comenta algumas expressões latinas, entre elas há uma que se encaixa perfeitamente nessa situação, a qual irei transcrever para cá (se você estiver curioso com as demais, basta acessar em > http://bit.ly/2jtpSTF): Eis um provérbio que era bastante popular na Roma Antiga. A expressão 'auribus teneo lupum' era usada quando a situação era insustentável, e particularmente quando fazer nada ou fazer alguma coisa para resolver um problema era igualmente arriscado. Bizarro, né? Ao pé da letra, (...) significa 'segurando um lobo pelas orelhas'.
Retomando a linha de raciocínio, a Guerra dos Emboabas era uma tragédia anunciada. Muito provavelmente, os dois líderes: Jerônimo Pedroso de Barros (dos paulistas) e Manuel Nunes Viana (dos emboabas), começaram uma sessão de argumentos de defesa e acusação como se estivessem em um comício ou tribunal, até chegarem ao ponto de os nervos chegarem a flor da pele e trocarem desaforos pessoais.
E Heitor Gurgel comenta com riqueza de detalhes o surgimento de tal guerra na seguinte passagem:
"Surgiram então os disse-me-disse, os fuxicos, os boatos e, em pouco, paulistas e emboabas estavam em pé de guerra. E foi à-toa que Borba Gato foi ao Caeté para apaziguar os animos. Dias depois, os paulistas mataram dois escravos de Nunes Viana e depredaram propriedades dos mesmos. Em represália, Nunes Viana e sua gente tiraram a forra, pondo fogo em plantações e nas catas dos paulistas. Era a guerra."
E dessa guerra, o episódio mais sangrento foi o Capão da Traição, que possui tal denominação devido a forma do relevo, cuja aparência é de uma região mais baixa com outras mais altas ao redor, assim bem explicou um dos usuários do site de perguntas Brainly (http://bit.ly/2jnPUdk).
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Depois de toda essa explicação para contextualizar quem lê, por fim serão feitos comentários da relação desse conflito com os Gurgéis e os Amarais.
Heitor Gurgel relata que apesar de haver uma figura de autoridade local, isso era insuficiente. Vale mencionar que foi criado o cargo de Capitão-Mór Regente das Minas Gerais de Ouro Preto, para o qual foi designado o Coronel Francisco do Amaral Gurgel. E isso foi justificado devido ao cenário de conflito de interesses por causa: da cobiça pelo ouro, da fome e da dificuldade de se obter gêneros alimentícios.
André João Antonil inclusive reforça isso na seguinte passagem: "os que iam às Minas tirar ouro dos ribeiros ou por meio de expedientes vários, usavam de tradições lamentáveis e de mortes as mais cruéis, ficando não raro, essas mortes impunes, porquanto nas Minas, a justiça humana não teve ainda tribunal, nem respeito." (...) "nas minas apenas se guardam algumas leis, que pertencem às datas e às repartições dos ribeiros. No mais, não há Ministros, nem Justiças que tratem ou possam tratar dos castigos dos crimes que não são poucos, principalmente dos homicídios e furtos."
O Capão da Traição é um triste episódio dessa guerra. Em poucas palavras, está relacionado ao  Capitão-Mór Bento do Amaral Coutinho (1683-1711) que traiu 300 paulistas (a grande maioria eram índios), após os enganar, encurralar e matar.
 (¡jajaja! > isso é uma risada em espanhol pra quem não sabe)... Apenas quebrando o gelo por escrito pessoa, devido a seriedade do assunto, porque pensei não ser mais necessário os situar no tempo e no espaço, porém julgo ser necessário fazer isso mais uma vez .

Bento fez isso motivado por motivos pessoais:
1. Queria impressionar Francisco Nunes Viana;
2. Queria se "vingar" de Pascoal da Silva;
Recapitulando, quando surgiu a Guerra dos Emboabas, o Coronel Francisco do Amaral Gurgel, foi o único que se opôs ao movimento. Tanto é que reprovou a conduta de autoridades locais como: os Sargentos-Mores Felix Gusmão e Pascoal da Silva que imediatamente aderiram ao embate. Devido Pascoal ter vestido a camisa do confronto, Nunes Viana (chefe dos emboabas) o nomeou num primeiro momento como Governador Militar de todo a região gerando certo atrito com o então Capitão-Mór Regente (Francisco)... 1x0.
Num outro momento, Nunes Viana nomeou Bento (primo em segundo grau de Francisco) como um "simples" Sargento-Mór. Vale mencionar que, esse cargo é inferior ao de Mestre de Campo (nova promoção militar de Pascoal da Silva)... 2x0
Essa citação de Heitor Gurgel descreve bem o que talvez tenham sido traços de personalidade de Coutinho, sendo "corajoso, arrogante e sanguinário" considerando o que o fez entrar na história, faz sentido, não?
S. Suannes se refere a Bento e a esse acontecimento quando conta isso "numa campina belíssima havia, ao centro, ao centro dela, uma capão de mato onde estavam acoitadas algumas fôrças planaltinas, resolveu dar combate às mesmas. E o fêz de maneira terrível, com requintes de pervesidade, atraiçoando a confiança que os paulistas nêle e suas promessas depositaram." 2x0∞ (elevado ao infinito).
Após estar ciente da horripilante matança do Capão da Traição, o Coronel Francisco optou por se exonerar do cargo, já que havia conflito de interesses: reconhecia ser legítimo o movimento da guerra (pelo direito dos emboabas também minerarem nas Gerais, já que os planaltinos se opunham isso) e cumprir o seu dever de Capitão-Mór (ressalto que se tivesse continuado no cargo, teria de prender seu amigo e sócio Nunes Viana, envolvido na luta armada). E parando pra pensar, o seu primo Bento não estava com a imagem boa perante a opinião pública daqueles tempos na sociedade local.
Transcrevo aqui uma nota de Heitor Gurgel em sua obra:
"Nota IV - Um historiador apressado, cujo nome não vem à baila, confundiu Francisco do Amaral Gurgel com Bento do Amaral Coutinho e, por isso, deu a Francisco a autoria do sangrento episódio do Capão da Traição. (...) O Coronel Francisco do Amaral Gurgel não tomou parte na chamada Guerra dos Emboabas."

sábado, 17 de agosto de 2013

A sangrenta Guerra dos Emboabas (e os Amarais)

Os paulistas ficaram conhecidos por ter desbravado as terras brasileiras nas chamadas bandeiras. Numa dessas bandeiras foram descobertas as jazidas de ouro na antiga Capitania de São Vicente, e devido a tal acontecimento, a população da região cresceu bastante por causa da chamada corrida do ouro.
Tudo começou quando uma tropa descia a serra ouro-pretana de Tripui e parou para descansar a beira de um riacho, e um dos integrantes subordinados do tropeiro querendo matar a sede colocou "uma gamela numa ribanceira e sem querer roçou-a pela margem do rio, vendo depois que nela havia uns granitos da côr do aço. Nem êle e nem seus companheiros, aos quais mostrou o achado, souberam conhecer que metal seria aquêle. Descansada, a tropa seguiu seu destino e ao chegar a Taubaté, o mulato vendeu a um comerciante alguns daqueles granitos, sem saber o comprador o que comprava e o vendedor o que vendia. Só mais tarde, é que chegandos os granitos às mãos do Governador Artur de Sá é que se veio a saber que êles era ouro finíssimo". (André João Antonil).
Heitor Gurgel conta que: "Levas e levas contínuas de gente de tôdas as classes e condições, prêtos, índios, mamelucos, curibócas, portuguêses, baianos, fluminenses, mineiros e paulistas deixavam suas terras e, por caminhos ásperos iam caminhando de sol a sol, não raro pelas noites a dentro, movidos pela ambição, com destino às minas gerais dos Cataguás. A essas levas se juntavam religiosos, seculares e clérigos, homens nobres e mulheres de sangue, ricos e pobres. Ante gente de todos os estôfos morais, era de esperar-se o que aconteceu."
Tal descoberta desencadeou uma soma de fatores que por fim resultaram no conflito bélico:
  • O aumento da população em um curto espaço de tempo. A região dos Cataguás, por exemplo, chegou a ter mais de 50 mil habitantes em apenas 10 anos (!), após a descoberta da primeira mina em 1695, que foi o primeiro ano do governo de Artur de Sá Menezes na Capitania Real do Rio de Janeiro;
  • As escavações eram feitas de qualquer jeito (sem técnica), então, os leitos dos rios e ribeiras das região ficavam cheios de detritos, ocasionando focos de mosquitos, que por sua vez aumentavam surtos de doenças tropicais na população da região;
  • A escassez de gêneros alimentícios na região devido o aumento populacional e os preços altos (superfaturados) praticados em tais alimentos. A logística do abastecimento da época (distâncias), a falta de utensílios de mineração, animais de carga e até mesmo mão de obra;
  • E o principal de todos: a rixa que se criou entre paulistas e forasteiros, devido os primeiros se julgarem 'donos da terra' por conta da descoberta que fizeram, portanto, não viam com bons olhos a exploração de quem não era oriundo da região;
  • Não esquecendo a visão da Coroa Portuguesa, que percebia a descoberta das jazidas como um meio de enriquecer e reverter a crise que havia em terras lusas devido as dívidas.
O desprezo para com os estrangeiros era tanto, que estes passaram a ser denominados pelo termo 'emboabas'. Para você que não sabe (nem eu sabia), o vocábulo 'emboaba' vem do tupi-guarani mboab, e significa 'pássaro com pena emplumada'. Os indígenas chamavam os europeus dessa forma, por estes trazerem calças. Logo, emboaba passou a significar também calçudos, pernas vestidas. E os paulistas utilizavam tal termo como uma ironia, devido os 'gringos' e 'turistas (de outros estados)' usarem botas nas pernas, enquanto que eles (filhos da terra) em sua grande maioria andavam descalços.
Vale mencionar que nesse tempo, a maior parte da população paulista era formada por índios e mamelucos, e que estes falavam mais a língua tupi-guarani do quê o português lusitano daquele tempo.
João Ameal comenta que: "de Portugal partia cada vez mais gente o que levou a Côrte a instituir o passaporte obrigatório para as pessoas que se destinavam ao Brasil. Mesmo assim, em 1709, partia de Lisboa uma frota de 97 navios, a maior de todos os tempos". Isso foi um mecanismo para tentar desestimular e/ou barrar a emigração, considerando a história, isso não surtiu efeito, visto que a imigração continuava a todo vapor para as terras de além do Oceano Atlântico (o Brasil).
Gurgel ainda descreve que: "Para os trabalhos de escavação eram preferidos os negros escravos que, quando fortes, valentes e ladinos custavam 300 oitavas de ouro, ao passo que uma negra, boa cozinheira, alcançava 350 oitavas, preço também de um barrilote de vinho verde. Assim, pelos poucos escravos negros que apareciam nas Gerais, levados por seus senhores recém-chegados no Rio de Janeiro ou de Portugal, eram logo oferecidas verdadeiras fortunas, chegando um escravo angolês espadaudo e môço, de propriedade de um mascate a ser comprado por 800 oitavas de ouro. Êsse mesmo mascate deu, no mesmo dia, por uma espiga de milho, para matar a fome, 2 oitavas de ouro e vendeu facas, alviões, foices e pás que trazia por muito mais do que carecia para ter um lucro superior a mil por cento. Acima, porém, do preço pago pelo braço escravo, imprescindível ao trabalho das minas, superiores mesmo ao custo de uma boa enxada ou picareta de ferro e aço sueco o mineiro pagava (e com que satisfação!...) pelo amor, dando por uma 'uma mulata de boas partes' (Os Emboabas de S. Suannes) 800 e mais oitavas de ouro. Mas, o feijão, a carne e o sal, às vezes valiam muito mais... Por ocasião da falta de gêneros alimentícios, êsses artigos de primeira necessidade alcançavam preços inacreditáveis, pois o ouro era o que, então, menos valia..."
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Quanto a família Amaral Gurgel ou Gurgel do Amaral, envolvida com esse fato histórico, segue o primeiro membro que está ligado a esse evento.
Para colocar ordem no local, foi criado o cargo de Capitão-Mór Regente, para o qual foi escolhido o Coronel Francisco do Amaral Gurgel (1665-1721). Diogo se refere a ele como "um dos primeiros moradores do lugar e um dos mais abastados dentre êles".
Vale transcrever para cá um trecho já escrito anteriormente em outra publicação para melhor compreensão:
"Em 6/07/1706, Francisco após buscar D. Fernando Martins Mascarenhas de Lencastre, foi nomeado por ele como o mais novo Capitão-Mór Regente das Minas Gerais de Ouro Preto. Se não fosse tão rixento e cultivasse tantos inimigos (alguns bem poderosos), o Capitão-Mór teria conseguido pacificar toda a região que lhe coube dirigir, administrar e policiar. Ficou nesse posto até o ano de 1709." E vale mencionar que D. Fernando, foi governador da Capitania Real do Rio de Janeiro entre 1705-1709.
O Coronel Francisco "pacificou o distrito, cobrou religiosamente os quintos de Sua Majestade, administrou o cível e no crime, pôs na cadeia criminosos e ladrões que infestavam a região e organizou o Corpo de Milícias. Não fôssem as rivalidades existentes entre planaltinos e forasteiros, que terminaram na sangrenta Guerra dos Emboabas, o Capitão-Mór Francisco do Amaral Gurgel teria pacificado inteiramente o distrito que lhe coube dirigir, administrar e policiar."

Baseado em pesquisas e na obra de Heitor Gurgel, autor de Uma Família Carioca do Século XVI.

sábado, 10 de agosto de 2013

Origem do sobrenome Jordão (e um pouco de genealogia)

Jordão é o nome de um rio que faz a fronteira natural entre dois países do Oriente Médio: Israel (יִשְׂרָאֵל) e a Jordânia (الأردن). Esse rio é muitíssimo importante no meio religioso. Além de ser um sobrenome serfadita!
Jordão nada mais é que a tradução portuguesa do nome hebraico Yarden, que deriva da palavra "yarad", que significa: descer, correr, fluir (Dicionário de Nomes Próprios, http://bit.ly/2ybNCSS).
De acordo com o blog Coisas Judaicas (http://bit.ly/1Wlvz2z), sefardita é denominação para todos os judeus provenientes da Península Ibérica.
Como os judeus foram parar na Europa? Isso aconteceu devido a diáspora (διασπορά, cujo signficado no grego clássico é 'dispersão") no passado.
Uma das diásporas judaicas ocorre quando o então General Titus Flavius Vespasianus Augustus (filho do Imperador Titus Flavius Vespasianus) destruiu o Templo de Jerusalém (בית המקדש) em 70 d.C, esse ato foi o ápice da Primeira Guerra Judaico-Romana. Tal acontecimento fez com que os judeus se espalhassem pelo mundo. O Norte da África foi uma das regiões para onde os judeus migraram em massa, os que se deslocaram para essa região passaram a ser conhecidos como sefardins. Posteriormente migraram para a Península Ibérica, onde passaram a ser conhecidos como sefarditas. Esse conflito resultou em:
  • Aproximadamente 1.100.000 mortos (considerando os militantes e a população civil);
Outra diáspora ocorreu durante o governo do Imperador Publius Aelius Trajanus Hadrianus, quando este viajou entre 130 e 131 d.C pelo Oriente. O monarca pretendia restaurar Jerusalém conforme os moldes da cultura helenística. O estopim do confronto foi o plano de construir um templo dedicado ao deus pagão romano Júpiter (Iuppiter) no lugar das ruínas do Templo de Jerusalém. O conflito resultou:
  • Na reconstrução da cidade conforme o plano do soberano romano, passando a se chamar Colonia Aelia Capitolina;
  • Na mudança de nome da província romana Judeia (Iudeia) para Síria Palestina (Syria Palaestina);
  • Em 580 mil judeus mortos (população civil) e 985 vilas arrasadas, segundo o historiador romano Lucius Claudius Cassius Dio;
  • Além do fato de os judeus terem sido proibidos por édito imperial de praticar sua religião e costumes e também de entrarem na cidade;
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Aproveitarei para relatar um pouco mais de genealogia, todavia, focarei no filho do casal João-Maria que se casou duas vezes, já mencionado anteriormente.
O Sargento-Mór Manoel Jordão da Silva (?-1703) se casou em primeiras núpcias com Cipriana Martins (1621-?), filha de Antônio Ferreira e Juliana Martins. Tendo ela falecido, se casou em segundas núpcias com Margarida de Lima (1677-?), filha do Capitão Manoel Correa Cabral e Thomazia de Lima. Gerando os seguintes filhos dos dois casamentos:
1. Antônio Jordão da Silva (1644-?);
2. João Jordão da Silva (1647-?);
3. Isabel da Silva Jordão (1655-?) foi casada com Ezequiel Pinheiro da Silva, filho do Capitão Luiz Pinheiro Montarroyo e de Maria Vicosa. Neto paterno de Bartholomeu Pinheiro e neto materno de Antônio Vaz Vicosa e Beatriz da Silva;
4. Maria Martins Jordão (1656-?) foi casada com Antônio da Costa Moreira;

5. Cipriana Martins Jordão (1658-?) foi casada em 1680 com o português Francisco Moreira da Costa, filho de Francisco Moreira da Costa e Ignez Madeira;

6. Onofre Jordão da Silva (1658-?), irmão gêmeo de Cipriana;
7. Leandro Jordão da Silva (1661-?);
8. Bernardo Jordão da Silva (1666-?) se casou em primeiras núpcias em 1693 com Maria de Oliveira, filha de Amaro de Aguiar e Francisca de Almeida. Se casou em segundas núpcias em 1727 com Guiomar da Fonseca, filha de Balthazar Pires Chaves e Maria da Fonseca. Guiomar era viúva de Sebastião Carreiro.
9. Capitão Manoel Jordão da Silva se casou em 1676 com Phelipa de Oliveira Santiago, filha do Capitão Luiz Montarroyo e Catharina Machado;

10. Francisco Jordão da Silva se casou em 1676 com a portuguesa Francisca Valente da Cunha, filha do Capitão Simão Correa e Mariana Pereira de Abreu;
11. Ascença Martins Jordão (1680-?) foi casada com o português Francisco Garcia, filho de Antônio Garcia e Maria Catella;
12. Pedro Martins Jordão se casou em 1699 com Leonor da Costa da Cunha, filha do Capitão Manoel Correa Cabral e Thomazia de Lima;

13. Beatriz Jordão da Silva foi casada em 1680 em primeiras núpcias com Pedro da Silva Vieira (?-1695), irmão de Ezequiel de Pinheiro da Silva. E em 1697 em segundas núpcias com Manoel Vieira de Barros, filho de Domingos Coutinho e Isabel Vieira. Manoel era viúvo de Beatriz de Lemos Vieira.

Filhos do segundo casamento do Sargento-Mór Manoel:

14. Manoel Jordão da Silva se casou com Joana Barreto Pizarro, filha de José Barreto Pizarro e Margarida da Cunha Sampaio.
14.1. Catharina Maria Rosa Jordão da Silva foi casada com o português Lourenço Gonçalves de Sá Falperra, filho de Custódio Gonçalves de Sá e Felícia de Sá;
14.1.1. Maria Angélica Gonçalves de Sá (1750-1808) foi casada em 1772 com seu primo (15.1.6.) Manoel da Silva Nazaré.
14.2. Margarida Gonçaves de Sá;

15. Maria de Assumção de Lima (1701-?) foi casada em 1717 com José de Menezes, filho de Bartholomeu Cabral de Menezes e Jacinta Dias Garcia;
15.1. Josefa de Jesus de Mezeses (1719-?) foi casada em 1734 com o português Francisco da Silva Nazaré (1703-?), filho de Antônio da Silva e Maria Delgado. Neto paterno de Antônio da Silva e Isabel Madeira e neto materno de Antônio Amado e Maria Delgado;
15.1.1. Maria Inácia de Jesus da Silva Nazaré;
15.1.2. Francisco da Silva Nazaré;
15.1.3. Antônio da Silva Nazaré;
15.1.4. José da Silva Nazaré;
15.1.5. Inácio da Silva Nascimento;
15.1.6. Manoel da Silva Nazaré se casou com a sua prima (14.1.1) Maria Angélica em 1772;
15.1.6.1. Joaquim Mariano da Silva (1774-?) se casou em 1793 com Joaquina Maria Rosa da Silva, filha de Vicente Ferreira da Silva e Maria Joaquina da Silva;
15.1.6.1.1. Francisco Manoel da Silva (1795-?) se casou em Mônica Rosa do Sacramento (1799-1833);
15.1.6.1.1.1. Maria Amália da Silva (1831-1910) foi casada em 1853 com Balduíno Muniz Freire (1822-1871), filho de José Feliciano Muniz e Maria Epifânia da Ressureição;
15.1.6.1.1.1.1. Luiz Muniz Freire (1865-1929) se casou em 1891 com Etelvina Soares do Lago (1874-1964), filha de João Maria Lemos do Lago e Ursulina Maria Soares;   

Maurício Prado em Laços de Família Brasil (http://bit.ly/2f8NFrr), acredita que Manoel Jordão da Silva casado com Inácia de Jesus, tenha sido neto do Sargento-Mór Manoel Jordão da Silva (?-1703), devido o nome e os sobrenomes. Para mais detalhes acesse esse link.
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Suposições
Agora que estão bem situados no contexto histórico, irei retomar o assunto de cunho genealógico.
Seria Maria Jordão (1590-?) casada com Antônio Nunes da Silva (1585-?), uma judia descendente dos judeus expulsos ?
Provavelmente sim, isso explica as mudanças constantes de cidades... Vale ressaltar que seus filhos nasceram em locais diferentes e que na época em que ela viveu já ocorria a Inquisição Portuguesa.
Naqueles tempos viúvos deveriam apenas se casar com viúvos?
Teria sido Antônio da Costa Moreira parente de Francisco Moreira da Costa?
Teria sido Phelipa de Oliveira Santiago meia-irmã de Ezequiel Pinheiro da Silva e Pedro da Silva Vieira?
Teria sido o Capitão Simão Correa parente do Capitão Manoel Correa Cabral?
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Os deixo admirando essa fotografia do Rio Jordão (http://bit.ly/2jJw6TJ).
© Milton  G. Moody

sábado, 3 de agosto de 2013

Antiga Igreja dos Jesuítas e o antigo Morro do Castello

O grande relógio da sala de jantar bateu quatro horas da tarde, lá na casa dos pais de Domingas. Desde então sua família e convidados partiam para a (extinta) Igreja dos Padres de Jhesus (ou do Bom Jesus dos Perdões). A tradição pede que a noiva seja a última a chegar, assim o fez a donzela.
O Morro do Castelo foi o berço de São Sebastião do Rio de Janeiro, e foi em suas bases que a cidade floresceu. Esse local foi escolhido para reerguer o que viria a ser o embrião de uma futura metrópole, devido os seguintes motivos:
  • Ficar de frente com a Ilha de Seregipe;
  • Possuir uma boa visibilidade de toda a extensão da Baía de Guanabara; 
  • O movimento de entrada e saída de embarcações na entrada da barra; 
  • O local era fresco e havia uma nascente de água potável;
  • Era cercado por lagoas e manguezais, regiões que dificultariam o seu acesso;
A intenção era a de criar uma boa defesa para o caso de uma nova invasão e estar preparado com antecedência para o ataque, se fossem avistados navios de inimigos.
Não havendo mais para onde crescer e não existindo mais perigo, a cidade se expandiu para além do morro entre as planícies dos outros morros (de São Bento, de Santo Antônio e da Conceição).
Existiam histórias pitorescas e muitas especulações sobre a existência de grande quantidade de ouro pertencente aos jesuítas, que estaria escondida em túneis subterrâneos. Talvez este seja um dos motivos que levou indivíduos gananciosos a proporem a demolição do morro.
Desde o reinado de D. João VI de Portugal, já se pensava em demolir o morro por causa da má circulação dos ventos e do impedimento do livre escoamentos das águas, não esquecendo que era uma região habitada por pessoas carentes em plena área central.
Muitos anos se passaram desde quando tal ideia foi concebida na corte real (...) até que em 1921, o Morro do Castelo foi devastado sob ordem do então prefeito do Distrito Federal da época, Carlos Sampaio. A região ficou conhecida como 'Esplanada do Castelo' e lá se foram 184 mil m² de terra para diversas regiões, entre elas, o Aeroporto Santos Dumont.
O morro que já teve os nomes de 'Descanço', Alto da Sé, Alto de São Sebastião, São Januário e depois Morro do Castelo. No seu cume haviam duas igrejas (atualmente demolidas), uma delas tinha na sua porta: a inscrição '1567' (ano de sua construção e da mudança Cara de Cão-Descanço).
Não foi o primeiro desmonte de morro no que chamam 'Cidade Maravilhosa' (...), não é esse o foco desse texto (quem estiver interessado há bastante conteúdo disponível nos mares virtuais).
O que essa gestão passada fez com o antigo Morro do Castello é imperdoável, visto que, uma cidadela quinhentista com ar medieval em pleno Brasil já não existe mais. As autoridades daquela época trataram o berço de uma das primeiras cidades do país como algo descartável, tudo em prol da mentalidade progressista daqueles tempos, um verdadeiro absurdo para os dias atuais. Semanticamente escrevendo foi uma apunhalada ao patrimônio histórico, artístico e cultural da nação brasileira.

Baseado em pesquisas, principalmente: site Diário do Rio (http://bit.ly/2jbw2uf) + o blog Curiosidades Cariocas (http://bit.ly/2iLa2n2) + o blog Viagens ao Rio antigo (http://bit.ly/2jnAP9H) + o blog Histórias e Monumentos (http://bit.ly/2jIoUqg).

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Antiga Igreja dos Padres de Jhesus por volta de 1918. Registro de Augusto Malta.
Caro leitor, o deixo apreciando esse registro fotográfico quase centenário de um pedaço de Rio que não existe mais, e que é possível apenas conhecer pesquisando sobre tal assunto.
Foi nessa igreja que se iniciou a numerosa e antiga família dos Gurgel do Amaral ou Amaral Gurgel (como preferir denominar).

sábado, 27 de julho de 2013

Brasão de Armas e a Origem da Família Medeiros

A história dessa família é também incerta, devido o sobrenome ser de origem toponímica. Mas esse sobrenome, possui certa peculiaridade (que irei comentar depois). Os que o utilizam:
  • Muito provavelmente moravam perto de algum estábulo (medeiro), que nada mais é que um lugar onde há medas (animais), montes de feixes de trigo, palha. Portanto, os primeiros Medeiros ou moravam próximo ou trabalhavam cuidando de pastos para animais. Pois 'medeiros' é um derivado de 'meda', que por sua vez significa objetos/alimentos empilhados.
  • Há localidades nos dois países da Península Ibérica que se chamam Medeiros. Portanto, os que viviam em tais localidades adotaram a denominação como sobrenome.
O Armorial Lusitano conta que: Martim Sanches de Medas, um cavaleiro do tempo do Rei D. Afonso III de Portugal, levou o pendão do Conde D. Martim Gil de Soverosa, grande senhor daquele tempo, que guerreava contra D. Rodrigo Sanches (filho bastardo do Rei D. Sancho I de Portugal), que foi vencido e morto nesse combate do Porto em 1245.
Martim Sanches de Medas casou com Dª. Dórdia Nunes de Aguiar, filha de Nuno Martins de Aguiar, descendente de D. Arnaldo, senhor de Baião, e também de D. Gonçalo Mendes de Sousa. Desse matrimônio (Martim-Dórdia) surgiram vários filhos que utilizaram o sobrenome Medas.
Apesar de não ser muito aceita, alguns genealogistas consideram que Medas foi uma forma primitiva de grafar o sobrenome Medeiros, pois há similaridade apesar de não haver comprovação de um elo entre Medas-Medeiros.
A pessoa mais antiga com esse sobrenome que se tem registro é Rui Gonçalves de Medeiros, que tomou partido do Mestre de Avis, o futuro Rei D. João I de Portugal contra o Rey D. Juan I de Castilla.
É de Rui Gonçalves de Medeiros que descendem os que possuem tal sobrenome. Um ramo dessa família se fixou na região dos Algarves, e um outro ramo na ilha de São Miguel, Açores, ambos oriundos da Vila de Ponte de Lima, Portugal, os dois durante o século XV.
O povo de Évora, Portugal, pôs o alcaide do castelo, Álvaro Mendes de Oliveira no poder. Rui defendeu o partido da Rainha Dª. Brites (a proprietária) e expulsou Álvaro de lá. Como recompensa, a rainha entregou-lhes o castelo.
No Brasil, os Medeiros descendem de bandeirantes e sertanistas que partiram de São Paulo, de Minas, da Bahia, do Ceará, do Rio Grande do Norte e da Paraíba, onde dedicaram-se à criação de gado e à abertura de roças e caminhos para buscar índios no sertão e pegar negros fugidos.

Informações retiradas do artigo de Djanira Sá Almeida no Webartigos (http://bit.ly/2jED8UO) + o site Origem do Sobrenome (http://bit.ly/2jf8BAG).


Escudo d'Armas dos Medeiros: de vermelho, com cinco cabeças de águias de oiro, postas em sautor. Timbre: uma água estendida, sainte, de vermelho, armada de oiro.

Fonte: Armorial Lusitano, pág. 352.

domingo, 21 de julho de 2013

Os Batista de Andrade (do Rio Grande do Norte)

Dando continuidade ao compartilhamento de informações sobre famílias "recentes" que descendo.
Vos apresento um ramo dos Batista de Andrade do Rio Grande do Norte.
Manoel João Batista se casou com Maria Rosa Andrade (uns dos meus trisavos). O casal gerou os seguintes filhos:
1. Joaquina Batista de Andrade (?-1936).
2. Anísio Batista de Andrade.
3. José Batista de Andrade.

Desconheço se houveram mais filhos desse casal. E de acordo com relatos do meu avô paterno (cresci ouvindo sempre a mesma versão):
  • Maria Rosa viveu mais 100 anos de idade;
  • Os dois irmãos de Joaquina não se casaram. Isso já é minha intuição: suponho que devido terem morrido jovens ou serem doentes. E se constituíram, tal fato me é desconhecido;
Joaquina Batista de Andrade foi casada com João Salustiano Garcia de Medeiros (?-1923) e foi mãe de vários filhos que serão abordados em um outro momento mais detalhadamente, a prole do casal (que tenho conhecimento) nasceu entre 1910 e 1922
No que se refere a Joaquina, esta faleceu quando meu avô tinha por volta de 12 ou 13 anos, portanto aproximadamente em 1936. E o seu esposo (pai do meu avô) em 1923, quando meu avô ainda tinha 3 anos de idade.
Quanto a minha ascendência mais recente (eu até meus trisavos) até então conhecida, esse é o ramo que menos possuo informações, meu falecido avô sempre dizia que a família de sua mãe era "veio da serra" (seria o nome de algum município?)
Se houver alguém que queria compartilhar informações, sinta-se a vontade para comentar.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Brasão de Armas e a Origem da Família Garcia

A história dessa família é incerta, visto que é um sobrenome de origem patronímica. Vale relatar uma breve explicação segundo a enciclopédia colaborativa online Wikipédia. Esse tipo de denominação, nada mais é que um sobrenome que descreve a origem em um ascendente masculino um clã, seja ela o pai de alguém, o avô, o tio (cada caso é um caso). Portanto lembre-se que:
  1. Se um sobrenome é proveniente do nome de uma pessoa, logo muitos outros casos ocorreram, então, um não está relacionado com o outro em termos de genética. Em síntese: nem todas as famílias com este sobrenome pertencem a mesma linhagem com uma única origem comum.
  2. Esteja ciente também que se uma pessoa tem o mesmo sobrenome, ela não é obrigatoriamente descendente do mesmo ramo que você.
Garcia foi um nome masculino de origem basca (atualmente em desuso), que possui os seguintes significados: kartze-a (o urso) ou gartzea (o jovem), que se assemelham bastante ao atual adjetivo basco gazte(a). A conversão de nome em sobrenome ocorreu durante a Idade Média. A origem desse termo basco surgiu, precisamente no antigo Reino de Navarra / Regnum Navarrae / Nafarroako Erresuma.
Entre as famílias mais antigas citadas pelo Armorial Lusitano, há a de Gonçalo Garcia de Gondim, bisavô por varonia de Gaspar Rodrigues de Gondim, natural de Viana do Castelo, a quem o Rei D. João III de Portugal, em 26-1-1543, deu Carta de brasão de armas por descender de Gonçalo.
O referido brasão é utilizado por várias pessoas que possuem tal sobrenome, ainda que não possuam grau de parentesco com tal linhagem. 

 

Escudo d'Armas dos Garcias: de prata, com três leopardos de vermelho, armados e lampassados de azul, um sobre o outro. Timbre: o leopardo do escudo.

Fonte: Armorial Lusitano, pág. 244.

Os Garcia de Medeiros (do Rio Grande do Norte)

Até então, já abordei bastante sobre a família que mais tenho informações e da qual descendo. Todavia, essa será uma publicação diferente, visto que irei abordar um família mais "recente" em relação as demais já descritas por aqui, vos apresento um ramo dos Garcia de Medeiros do Rio Grande do Norte.
José Tibúrcio Garcia de Medeiros se casou com Salustiana da Silva (uns dos meus trisavos). O casal gerou os seguintes filhos:
1. João Salustiano Garcia de Medeiros (?-1923).
2. Isabel Garcia de Medeiros.

Segundo os relatos do meu avô (cresci ouvindo sempre a mesma versão):
  • Salustiana viveu mais de 100 anos de idade;
  • Isabel se casou com um proprietário de terras (talvez um fazendeiro ou dono de sítio), e com o passar do tempo perdeu o contato com a família;
  • João faleceu em 1923 no que é a atual microrregião do Cariri, pertencente ao estado brasileiro do Ceará em uma de suas muitas viagens (era comerciante) próximo da ou na divisa com o estado do Pernambuco;
No que se refere a relatos (orais), estes são verídicos, ainda que com o passar do tempo a real versão da história se perca, fique confusa, imprecisa e até mesmo fantasiosa. Se não fosse algo confiável, a metodologia (μεθοδολογία) ignoraria tudo o que é proveniente da oralidade. O foco desta publicação não é debater sobre metodologia, e sim genealogia (relacionada as minhas origens), portanto tal assunto será retomado.
João Garcia de Medeiros se casou com Joaquina Batista de Andrade (?-1936) e foi pai de vários filhos que serão abordados em um outro momento mais detalhadamente, a prole do casal (que tenho conhecimento) nasceu entre 1910 e 1922.
No que se refere a João, este faleceu quando meu avô ainda tinha 3 anos, portanto aproximadamente em 1923 e a sua esposa (mãe do meu avô) em 1936, quando este tinha por volta de 12 ou 13 anos.

Quanto a João Tibúrcio Garcia (meu trisavô), talvez ele tenha sido um (provável e suposto) descendente de João Garcia de Araújo (1796-?) casado com Maria Francisca de Medeiros (1788-1814), filha de José Inácio de Matos e Quitéria Maria da Conceição, que por sua vez estão citados no blog Mitoblogos (http://bit.ly/2iMivGk).
De acordo com os relatos, o ramo do qual descendo, possui parentes em maior ou menor grau de parentesco nos seguintes municípios rio-grandenses do norte (potiguares):
  • Caicó;
  • Campo Grande;
  • Caraúbas;
  • Jardim de Piranhas;
  • Mossoró;
E outros não mencionados (devido imprecisão de dados e/ou desconhecimento).
João Garcia de Medeiros e Salustiana da Silva foram descobertos numa cópia da certidão de nascimento do meu avô paterno, portanto tais informações são verídicas.
Vale ainda ressaltar que através das duas gerações descritas acima, o sobrenome Garcia de Medeiros se manteve inalterado de pai para filhos. Talvez isso seja um indício da importância dessa família na região.
E considerando o costume daquela época, talvez Isabel e João, filhos de João Tibúrcio tenham tido outros irmãos e irmãs (porém desconheço informações).
Se houver alguém que queria compartilhar informações, sinta-se a vontade para comentar.

P.S.: Esse texto foi alterado num momento futuro para atualizar informações. 

sábado, 22 de junho de 2013

Rio Almonda, uma árvore, um vilarejo e a minha família

A maioria das cidades de antigamente surgiram próximas a alguma fonte de água potável, tais como lagos, rios, riachos, córregos e até mesmo do mar, no caso desse último, por conta da facilidade de transportar qualquer tipo de carga de uma região a outra. Isso quando não surgiam em serras de difícil acesso, já que as guerras eram comuns naqueles tempos (e ainda são), portanto a proteção também era um fator a ser considerado para o surgimento de uma cidade. Há ainda o caso das cidades que surgiram no meio de estradas, por conta de alguma rota comercial.
O Rio Almonda nasce numa gruta da encosta sudoeste da Serra de Aire (679 m), percorre aproximadamente 20 quilômetros até se encontrar com o maior rio da Península Ibérica, o Rio Tejo.
Se a toponímia for levada em consideração após divisão do nome desse pequeno rio (Almoda = Al + Monda) em dois termos, surgirão: a palavra árabe 'al' que nada mais é que o artigo definido o/a, e a palavra 'monda' que parece derivar de palavras de origem latina como por exemplo, 'mundus' que significa limpo. Logo, Almonda possui significado aproximado de 'o purificador', conforme o pensamento do arqueólogo Carlos Leitão Carreira no blog Recuemos... (http://bit.ly/1J91VLf).
As águas desse rio correm próximas a diversas localidades até chegar na foz, entre elas, a Freguesia de Azinhaga, por onde passa por último até desaguar na margem direita do Tejo.
  • Freguesia de Azinhaga, que integra o conselho de Golegã, que pertence ao distrito de Samtarém, situado na sub-região Lezíria do Tejo, que faz parte da região Alentejo de Portugal.
Essa localidade é considerada como a aldeia mais portuguesa do Ribatejo, de acordo com a Enciclopédia Temática Knôôw (http://bit.ly/243Pk4p).
Mais esse título não é a tôa, uma vez que já existia antes da fundação do país, no tempo em que boa parte do seu território era dominado por árabes, tanto é que, o termo 'Azinhaga', muito provavelmente deriva de 'azenha', que em árabe significa: apertar ou estreitar; ou ainda  'zenagga', que quer dizer em árabe, "muitas azinheiras juntas", segundo o site Concelho da Golegã (http://bit.ly/1XrSgDq).
Azinheira (Quercus ilex ) para quem não sabe, (nem eu sabia até pouco tempo atrás) é uma espécie de árvore que pode medir até 10 metros de altura e que existe em abundância em Portugal.
Sua madeira é dura e resistente à putrefação, sendo largamente utilizada, desde a antiguidade até os dias atuais, na construção de habitações (vigas e pilares), embarcações, barris para envelhecimento de vinhos e na fabricação de ferramentas. Ainda hoje, a sua madeira é utilizada como lenha e na fabricação de carvão, que continua sendo uma importante fonte de combustível doméstico em muitas regiões ibéricas.

Foi nesse vilarejo na beira do rio, próximo de muitas árvores que nasceram, o Mestre Antônio Nunes da Silva (1585-?) que se casou com Maria Jordão (1590-?). Foram pais do:
1. Capitão João Batista Jordão (1605-1689), nascido em Alvorninha. Se casou com Ângela do Amaral Gurgel (1616-1695) com descendência (já citada).
  • Freguesia de Alvorninha, que integra o conselho de Caldas da Rainha, que pertence ao distrito de Leiria, situado na sub-região Oeste, que faz parte da região Centro de Portugal.
2. Padre Estevão Nunes, foi clérigo de São Pedro.
3. José Nunes da Silva (1611-1698), nascido no Rio Janeiro - RJ, Brasil. Se casou em 1640 com Méssia do Amaral Gurgel (1611-1687) com descendência (já citada). Sua esposa é irmã de Ângela do Amaral Gurgel.
4. Sargento-Mór Manoel Jordão da Silva (?-1703) se casou em primeiras núpcias com Cipriana Martins (1621-?), filha de Antônio Ferreira e Juliana Martins. Tendo ela falecido, se casou em segundas núpcias com Margarida de Lima (1677-?), filha do Capitão Manoel Correa Cabral e Thomazia de Lima.
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Suposições

O casal teve 4 filhos, no entanto é conhecido o local de nascimento de apenas dois. Chama a atenção o fato de o mais velho ter nascido numa aldeia longe da terra natal de seus pais. O que os motivou a deixar a aldeia há mais de 400 anos atrás?
Há uma via em Ituverava - SP, Brasil que se chama Rua Coronel José Nunes da Silva (http://bit.ly/1U1xafj). Teria sido essa a forma que algum possível descendente desse militar conseguiu para o homenagear?
Porque todos os filhos do casal tem combinações de sobrenomes diferentes? Seria uma antiga forma de hierarquia relacionada a ordem de nascimento?
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Caro leitor, o deixo admirando esse charmoso vilarejo português que espero um dia conhecer, fotografado por José Manuel Melrinho no alto da torre da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, foto cedida por Ana Peralta Gonçalves Melrinho para o blog Azinhaga. Confira mais fotos em http://bit.ly/1R38eBf. :)

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Uma Família Carioca do Século XVI

Os leitores e leitoras do blog Meu Sangue Brasileiro já devem ter notado que cito bastante o livro de Heitor Gurgel, hoje resolvi contar a história de como o ganhei.
Dia 23 de Junho de 2009 (terça-feira) tive uma conversa por e-mail com o primo Agnor Nunes Gurgel Júnior, em que relatei o pouco que sabia sobre a família da minha avó paterna.
Comovido com a história e percebendo que eu era um genealogista nato, me solicitou como resposta o meu endereço para que me enviasse um livro. Foi um gesto muito nobre.
Dia 06 de Julho de 2009 (segunda-feira), saía da Agência Alencarina  em Fortaleza - CE com destino a distante cidade de Manaus - AM, o misterioso livro.
Dia 09 de Julho de 2009 (quinta-feira), cheguei em casa, depois de voltar da escola (eu estava no terceiro ano do Ensino Médio). Quando cheguei, minha irmã me deu a notícia que eu havia recebido uma correspondência.
Ao ver o envelope, primeiro analisei as duas carimbadas que revelavam a origem da correspondência que veio lá da terra das jangadas. Não posso esquecer dos dois selos:
  • O da direita é a "Manicure" do artista plástico brasileiro Hector Consani (1973-), que faz parte do catálogo de selos postais dos Correios desde 06/11/2006;
  • O da esquerda é "Marcel Gontrau', obra desaparecida do pintor brasileiro Cândido Portinari (1903-1962), que faz parte do catálogo de selos postais dos Correios desde 08/12/2003;
(Costumava colecionar selos quando menino, por algum motivo parei, possa ser que com o tempo volte a cultivar esse hobby como antes, a ponto de me interessar novamente pela filatelia, o estudo de selos postais);
Ao abrir o envelope, encontrei a fotocópia de um livro muito procurado, que já e reli diversas vezes.
Por se tratar de um livro em edição limitada, me sinto na missão de compartilhar as informações nele contidas aqui no meu blog.
Considerei e considero o livro como um presente de aniversário atrasado



P.S.: Se quiserem me enviar livros, os aceitarei de bom grado. :P

domingo, 2 de junho de 2013

Possíveis ramos extintos da família Gurgel do Amaral

Relato aqui um pouco mais da descendência do casal tronco Toussaint-Domingas, meu foco será apenas as suas filhas Méssia e Antônia, no entanto escreverei apenas sobre alguns de seus descendentes, os que são considerados fins de linhagem, considerando que não há descendência deles conhecida. Os demais serão comentados num outro momento.
Talvez esteja faltando um ou outro descendente (ou não), talvez aqui tenha uma data errada ou outra. Há algumas especulações pessoais, sendo que essas baseados em pesquisas em livros de genealogia e em alguns sites que tratam de genealogia (e também na minha intuição e faro genealógico).

4.5.1. Sebastião Gurgel do Amaral (1698-1764), se casou com uma prima distante, Isabel Viana do Amaral (1703-1773), filha do Tenente-Coronel Salvador Viana da Rocha e Antônia Correia do Amaral .
4.5.1.1. Antônio Viana do Amaral (1730-1746).
4.5.1.2. Capitão José Viana Amaral Gurgel (1731-?).
4.5.1.3. Sóror (Freira) Antônia do Salvador Amaral (1733-?).
4.5.1.4. Sóror (Freira) Francisca Joaquina de São José Amaral (1735-?).
4.5.1.5. Félix Correia Amaral Gurgel (1738-?).

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Francisco Gurgel do Amaral = Militar temido = Negociante bem-sucedido = Bad-boy

Muitos séculos já se passaram, e a obscuridade ainda estar a rondar a sepultura deste vulto histórico. Segundo o autor de uma Família Carioca do Século XVI, não foi possível encontrar registros de nascimento, óbito, batismo ou mesmo matrimônio. E sem estes documentos, as imprecisões reinam.
O que diferencia mais esta 'lenda' das lendas, são as muitas menções em documentos da centúria, Códices do Arquivo Nacional, do Conselho Ultramarino e nos Anais da Biblioteca Nacional e da Estadual, sem contar com as menções em obras já consagradas sobre a história do Brasil.

Que rujam os tambores! Senhoras e senhores vos apresento um dos primos do Dr. Cláudio, o Coronel Francisco Gurgel do Amaral (1665-1721). De acordo com a Nobiliarquia Paulistana, Francisco é tido como irmão inteiro de Bento do Amaral da Silva (ás vezes seu irmão assinava assim), marido de Escholástica de Godoy, o que fundou a família na Paulicéia e que é frequentemente confundido com o seu primo Bento do Amaral Coutinho. Acho que acabei desfocando por um instante a filiação de Francisco. Prosseguindo, Pedro Tasques (autor do livro acima citado) ainda menciona que Francisco era irmão do Frei Antônio de Santa Clara, e também das freiras Izidora do Amaral, Maria Josefa do Amaral e Marta do Amaral (professas no Convento de Santa Clara de Lisboa, Portugal) e também do Frei Luiz de Santa Rosa (http://bit.ly/1uzi94E).

Após essa leitura (aos que acompanham meu blog ou que conhecem bem a história desta família), o que se deduz é que Francisco era filho de Domingas do Amaral da Silva, filha de Méssia, portanto bisneto de Toussaint Grugel.
Assim como no caso de seu primo, pouco se sabe sobre a juventude de Francisco, a não ser é claro o que foi registrado nesta fase da sua vida: as suas muitas 'travessuras' na companhia de irmãos, primos e amigos, e que lhe deram má fama. (Parando pra pensar, para os padrões de hoje, Francisco podia ser considerado enquanto moço, um verdadeiro bad boy). Esses atos infratores acabaram por lhe agregar a autoria de alguns delitos, mas a imagem que fazem dele é demasiadamente exagerada.

A crônica policial lista dois importantes momentos de sua trajetória:
•  Em 1685 é incriminado como provável cúmplice no assassinato do Provedor do Erário Real, Pedro de Souza Pereira, o Môço. Mesmo não tendo participação no caso, achou prudente fugir para Inhomerim, na Baixada Fluminense, onde encontrou seu primo, o Dr. Cláudio e amigos deste (Vieira Fazenda). Tempos depois, quando questionado pela saída da cidade, Francisco disse um provérbio árabe: "nas tempestades de areia todos os camelos são iguais" (Anais da Biblioteca Nacional, vol. 13). Pois o crime foi praticado por um de seus consanguíneos, Bento do Amaral da Silva (seu irmão) e outros mais, segundo Vieira Fazenda.
•     Em 1692, ele, seu irmão Bento, o fluminense Luiz Corrêa e "30 índios assaltaram as fazendas de alguns moradores, levando-lhes seus escravos." O Rei D. Pedro II de Portugal mandou prendê-los (Carta Régia 24-11-1692), mas o Governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, Luiz César de Meneses não pode, já que foram pra São Paulo (Vieira Fazenda).

Após um período de liberdade de puro Carpe diem (frase de um poema de Quintus Horatius Flaccus), Francisco passa a ter a sua existência atrelada as funções públicas, que coincidem com os momentos que o colocam definitivamente na história do Brasil:

1.    Pelo que parece, em 1700, Francisco já era um minerador e tanto em Ouro Preto, se levada em consideração a passagem: "de vários ribeiros e da negociação com roças, negros e mantimentos, fêz Francisco do Amaral Gurgel mais de cinqüenta arrôbas" conforme Cultura e Opulência do Brasil, André João Antonil (http://bit.ly/15prFf2).

2.    Graças a sua riqueza, chegou a deter o Monopólio da Carne Verde entre o período 1701/06. Perdeu o posto para os paulistas chefiados pelo famoso e não menos invejoso (rs) Anhanguera II, Bartolomeu Bueno da Silva. Apesar de muito insistir nessa "queda de braço", o monopólio foi parar nas mãos do Frei Francisco de Menezes (também conhecido como o Frade Satânico) e de Pascoal da Silva (possível parente de Francisco). Percebendo que perdeu, se refugiou em uma de suas muitas fazendas, a do Bananal, perto de Vila Rica (atual Ouro Preto).

3.    Em 6/07/1706, Francisco após buscar D. Fernando Martins Mascarenhas de Lencastre, foi nomeado por ele como o mais novo Capitão-Mór Regente das Minas Gerais de Ouro Preto. Se não fosse tão rixento e cultivasse tantos inimigos (alguns bem poderosos), o Capitão-Mór teria conseguido pacificar toda a região que lhe coube dirigir, administrar e policiar. Ficou nesse posto até o ano de 1709 (os detalhes desse episódio serão descritos de forma mais detalhada em algum momento futuro).

4.    Mas isso foi por pouco tempo, logo mais era nomeado Capitão-Mór de São Vicente, em substituição do Capitão-Mór José de Goes Morais. Apesar do ambiente agressivo (os paulistas queriam derrubá-lo), se manteve indiferente até sua exoneração em Maio de 1710, não por conta da oposição e sim em virtude da extinção desta donataria. Consequentemente é tido como o último Capitão-Mór, dos loco-tenentes representantes das donatarias de São Vicente (Os Capitães-Mores Vicentinos, obra de Francisco de Assis Carvalho Franco). Não encontrei uma versão online, apenas uma ficha catalográfica da Biblioteca Nacional de Portugal (http://bit.ly/12UdAEN), espero que vocês tenham mais sorte.

5.    Um mês foi o tempo que ficou sem função pública, pois em 16/06/1710 era nomeado como Capitão-Mór da Vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty. Penso que foi o mais benéfico dos seus cargos, pois desde 1702 já possuía fazendas e um importante empório comercial, com muitas tropas e tropeiros que faziam viagens até as Minas Gerais, através da Serra do Facão, levando víveres e trazendo quintos reais. O que lhe rendeu elogios do Rei D. João V de Portugal. Apesar de afastado da região, Francisco ainda explorava uns lavradios auríferos em sua Fazenda do Bananal, o que o fez acumular fortunas sobre fortunas, fornecendo gêneros alimentícios, escravos, fumo, aguardente, pás, picaretas e enxadas aos mineiros, graças ás suas tropas e tropeiros.

6.    Francisco assim como parentes, não era de levar desaforo pra casa, querendo vingar-se das afrontas que sofrera em São Paulo, propôs ao Rei D. João V de Portugal a compra da Capitania de São Vicente por $ 40.000 cruzados, proposta essa que inclusive chegou a ser discutida no Conselho Ultramarino, é o que cita Afonso d'Escragnole Taunay, em História Geral das Bandeiras Paulistas (http://bit.ly/10EXkJD).

7.    Em Setembro de 1710, quando o corsário francês Jean-François Duclerc (?-1711), antes de invadir o Rio de Janeiro, quis desembarcar em Angra dos Reis ou Paraty, Francisco, valente que era se pôs a defender a cidade, trazendo de seus domínios rurais: homens armados, o que lhe valeu em 12 de Dezembro o seguinte elogio tornado público para conhecimento e gratidão do povo pelo Governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, Francisco de Castro Morais: "Tendo respeito ao honrado procedimento com que sempre se houve Francisco do Amaral Gurgel, no serviço de Sua Majestade havendo servido nos postos de Sargento-Mór de Ordenanças de São Paulo, Capitão-Mór e Superitendente das Minas Gerais e Provedor dos Defuntos e Ausentes em várias vêzes mandou conduzir por seus escravos os reais quintos de Sua Majestade e em cujas ocupações se houve sempre com muito zêlo e despendeu de sua fazenda e, pela sua pessoa e qualidades se faz digno de maiores emprêgos; e, na ocasião em que esquadra francesa invadiu essa cidade, no dia 19 de Setembro último, o sobredito Francisco do Amaral Gurgel vindo de Paraty, de sua fazenda com 120 escravos armados para defender a cidade de Paraty, ameaçada com o possível desembarque do inimigo, fazendo trincheiras e pondo nelas três peças de artilharia tudo a sua custa, e animando o povo paratiense ante a invasão que parecia iminente e por êle um sujeito capaz e benemérito HEI por bem prover e nomear por especial mercê a Francisco do Amaral Gurgel para o cargo de Coronel com exercício de Capitão-Mór de Paraty, com tôdas as honras, e privilégios comuns a tão alto cargo" (Códice LXXVII, Vol. 21 - Arquivo Nacional).

8.    Um ano depois (1711), Francisco realiza um novo feito. Saia ele de Paraty "com 580 homens armados a sua custa e veiu defender o Rio de Janeiro, já então em poder das aguerridas tropas de Duguay Trouin. Ao chegar, porém, Francisco encontrou a cidade pràticamente tomada pelos franceses e o Governador tão apavorado que, depois de enterrar caixões contendo baixelas e utensílios de ouro e prata, o chamou confiando-lhe os restos da infantaria para com ela proteger a retirada dos que ainda estavam na praça". Tendo conhecimento desse comando, "Duguay Trouin se dirigiu a Francisco perguntando se êle queria tomar a sua conta o ajuste da capitulação da cidade já que o primeiro intermediário, o Vereador Manuel de Souza Coutinho falhara na missão". Tudo isso de acordo com Memórias Históricas do Rio de Janeiro, de Monsenhor Pizarro (http://bit.ly/17SKNHz).

9.    Pra não passar por cima de autoridade, "Francisco mandou perguntar ao Governador, que continuava em Iguaçu, se êle poderia receber tal comissão. Francisco de Morais respondeu dando-lhe permissão para ajustar os têrmos finais da capitulação o que escandalizou de sorte o Mestre de Campo, João de Paiva, que logo começou a queixar, que não era justo que um homem de Paraty, viesse concluir um negócio  que êle havia principiado". Percebendo um conflito de interesses, o Coronel "recusou-se conversar sôbre o ajuste com o inimigo, logo na manhã seguinte porque, mandou êle arrogantemente dizer ao chefe francês: semelhantes ajustes não se costumam fazer debaixo de armas, mas que para isso não faltaria ocasião". Até que o D-Day chegou, já que recebera nova autorização do Governador que lhe mandou dizer que "não duvidava em lhe fazer a vontade em tudo, sem contradição alguma". Prestigiado, ele virou as costas para os adversários para concluir a capitulação da cidade, "enquanto não se entregava o dinheiro foram dados como reféns, o citado Mestre de Campo, João de Paiva e o Juiz de Fora, Luiz Fortes Bustamante de Sá" (Monsenhor Pizarro).

10.    Nos conta Monsenhor Pizarro, que chegando no Rio, Francisco se envolveu em outras batalhas contra os franceses. Na que travou na Rua Direita, a combateu com um punhado de homens, uma guarda avançada do inimigo vencendo-a e fazendo prisioneiros. (Penso eu que foi pra vingar e honrar sua família). Pois dias antes de tal feito, a alguns passos dali "os franceses festejaram ruidosamente com luminárias e outras demonstrações públicas, a morte de Bento do Amaral Coutinho que expirou de armas em punho, combatendo destemerosamente as hostes de Duguay Troin (Vieira Fazenda).

11.    E por mais uma vez, esta família (os Amarais) foram honrados. O Conselho Ultramarino e o próprio Rei de Portugal reconheceram "que um e outro poderiam obrar muito mais se não fosse a inércia do Governador". Francisco recebeu tempos depois , em meados de 1712, uma carta do Conselho Ultramarino em nome de D. João V de Portugal, "agradecendo-lhe a fidelidade, zêlo e valentia que mostrou em defesa da praça, e (que mais valeu a Francisco) perdoando todos os crimes imputados a êle, até aquela data" (Códice LXXVII, Vol. 21 - Arquivo Nacional)
*Esta passagem se refere aos Amarais (Bento e Francisco) e ao Governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho.

11.    Em 29 de Junho de 1712, perdeu o cargo de Capitão-Mór de Paraty para o seu parente Félix Correia do Amaral. Tudo não passou de uma vingança do Governador Antônio de Albuquerque que além de o detestar, "ficara indignado com o perdão real que puzera por terra as devassas que êle mandara levantar sôbre a vida pregressa de Francisco, não só no Rio de Janeiro, como em Minas, Bahia e S. Vicente".
Tendo sido exonerado, Francisco se retirou da vida pública para cuidar de seus negócios e amores é o que consta em, História Antiga das Minas Gerais e Memórias sobre a Capitania de Minas Gerais, obras de Diogo Vasconcelos. O restante da sua vida, não relatarei aqui pois se fazem necessários para construir a biografia de outros membros de minha família.

Baseado em pesquisas e na obra de Heitor Gurgel, autor de Uma Família Carioca do Século XVI.